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Tarso Genro ou o PT visto por dentro

17/10/2014 15:17:51
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Desde 2005, na crise da denúncia do mensalão pelo deputado Roberto Jefferson, que o governador Tarso Genro demonstra estar desgostoso com o PT – pelo menos com esse PT real, pós-idealista, o PT como ele é.

Na ocasião, como as denúncias se espalharam e começaram a contaminar importantes nomes petistas de alto a baixo, Tarso Genro, então ministro da Educação, foi chamado às pressas para assumir a presidência do partido. Sua credibilidade, fruto de uma biografia inatacável, era o remédio certo para o momento. Tarso declarou então, em meio aos pedidos de desculpas do presidente da República aos brasileiros, que era preciso refundar o PT.

A proposta de refundar uma instituição, principalmente um partido político, é ao mesmo tempo reafirmação de fidelidade e rejeição completa e definitiva daquilo em que a instituição se transformou. Refundar significa algo maior e mais radical que reformar. É descartar negociações e remendos – significa começar de novo.

Tarso Genro insistiu na tese, mas cumpriu seu mandato emergencial e depois foi cuidar do seu Rio Grande. Com o abalo e as baixas, o partido de fato mudou, mas sem a profundidade suficiente. Houve até um certo endurecimento, com se críticas fossem perseguição reacionária e autocrítica fosse fraqueza.

Agora, quando Dilma enfrenta um segundo turno com risco concreto de perder, a tese volta à pauta. O enorme desgaste do partido, uma perda de substância mais lenta e mais comprometedora que aquela convulsão desencadeada pelo valerioduto, já foi admitida por ninguém menos que Gilberto Carvalho e Lula.

A tradução eleitoral do desgaste está aí. Dilma derrapa num segundo turno incerto, no qual entra em desvantagem, mesmo tendo mantido e ampliado programas sociais do governo. Nesse relativo fracasso, mais que os problemas do seu governo na área econômica, pesa um novo escândalo, que a oposição aponta e explora como “pior que o mensalão”.

Os malfeitos exibidos nos depoimentos do ex-diretor da Petrobrás envolvem diretamente o PT. Por enquanto sem provas, as acusações podem ser falsas – mas, falsas ou não, revelam um PT fragilizado. Desde o mensalão, o partido perdeu boa parte da imunidade contra acusações.

Tarso Genro volta a insistir na tese da refundação. Com a autoridade de um dos companheiros mais próximos de Lula, além de um dos mais qualificados formuladores doutrinários do partido, Tarso reforça a ideia de um novo-velho PT. Soma-se à declaração de Gilberto Carvalho a favor da autocrítica; e também a fatos como a exclusão da sigla em campanhas vitoriosas como a de Fernando Pimentel em Minas. É urgente abrir as janelas para arejar o PT.

Aquele partido inquieto, que parecia disposto a mexer fundo no arcaísmo brasileiro, acabou por se acostumar às práticas mais condenáveis do velho país. E um reles delator é capaz de ameaçar sua continuidade no poder. Se o delator distorce fatos e faz denúncias falsas, é impossível negar que um homem com essas qualidades fazia parte da diretoria da Petrobrás.

Não há dúvida de que aquele partido que Tarso Genro quer refundar está fazendo falta.

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Desde 2005, na crise da denúncia do mensalão pelo deputado Roberto Jefferson, que o governador Tarso Genro demonstra estar desgostoso com o PT – pelo menos com esse PT real, pós-idealista, o PT como ele é.

Na ocasião, como as denúncias se espalharam e começaram a contaminar importantes nomes petistas de alto a baixo, Tarso Genro, então ministro da Educação, foi chamado às pressas para assumir a presidência do partido. Sua credibilidade, fruto de uma biografia inatacável, era o remédio certo para o momento. Tarso declarou então, em meio aos pedidos de desculpas do presidente da República aos brasileiros, que era preciso refundar o PT.

A proposta de refundar uma instituição, principalmente um partido político, é ao mesmo tempo reafirmação de fidelidade e rejeição completa e definitiva daquilo em que a instituição se transformou. Refundar significa algo maior e mais radical que reformar. É descartar negociações e remendos – significa começar de novo.

Tarso Genro insistiu na tese, mas cumpriu seu mandato emergencial e depois foi cuidar do seu Rio Grande. Com o abalo e as baixas, o partido de fato mudou, mas sem a profundidade suficiente. Houve até um certo endurecimento, com se críticas fossem perseguição reacionária e autocrítica fosse fraqueza.

Agora, quando Dilma enfrenta um segundo turno com risco concreto de perder, a tese volta à pauta. O enorme desgaste do partido, uma perda de substância mais lenta e mais comprometedora que aquela convulsão desencadeada pelo valerioduto, já foi admitida por ninguém menos que Gilberto Carvalho e Lula.

A tradução eleitoral do desgaste está aí. Dilma derrapa num segundo turno incerto, no qual entra em desvantagem, mesmo tendo mantido e ampliado programas sociais do governo. Nesse relativo fracasso, mais que os problemas do seu governo na área econômica, pesa um novo escândalo, que a oposição aponta e explora como “pior que o mensalão”.

Os malfeitos exibidos nos depoimentos do ex-diretor da Petrobrás envolvem diretamente o PT. Por enquanto sem provas, as acusações podem ser falsas – mas, falsas ou não, revelam um PT fragilizado. Desde o mensalão, o partido perdeu boa parte da imunidade contra acusações.

Tarso Genro volta a insistir na tese da refundação. Com a autoridade de um dos companheiros mais próximos de Lula, além de um dos mais qualificados formuladores doutrinários do partido, Tarso reforça a ideia de um novo-velho PT. Soma-se à declaração de Gilberto Carvalho a favor da autocrítica; e também a fatos como a exclusão da sigla em campanhas vitoriosas como a de Fernando Pimentel em Minas. É urgente abrir as janelas para arejar o PT.

Aquele partido inquieto, que parecia disposto a mexer fundo no arcaísmo brasileiro, acabou por se acostumar às práticas mais condenáveis do velho país. E um reles delator é capaz de ameaçar sua continuidade no poder. Se o delator distorce fatos e faz denúncias falsas, é impossível negar que um homem com essas qualidades fazia parte da diretoria da Petrobrás.

Não há dúvida de que aquele partido que Tarso Genro quer refundar está fazendo falta.

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