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A espantosa rejeição de Aécio

24/10/2014 15:35:06
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Para um candidato que pretende representar “o novo”, “a mudança”, o índice de rejeição de Aécio Neves é perturbador. Segundo o Datafolha, em pesquisa divulgada na quinta-feira 23, nada menos que 41% dos eleitores não votariam no candidato “de jeito nenhum”, contra 37% que rejeitam a presidente. No Ibope, a rejeição está assim: Aécio 42% e Dilma 36%.

É um fim de campanha decepcionante para Aécio. É verdade que parte dessa reação negativa do eleitorado se deve às ações de “desconstrução” da campanha petista. Mas outra parte, certamente a maior, se deve a ele próprio (e à sua própria marquetagem). Não poderiam passar em branco seu telhado exageradamente vulnerável, sua agressividade ensaiada e desmedida e sua falta de preparo para ser a voz da oposição.

Não temos uma disputa exemplarmente limpa e democrática da parte de nenhum partido. Os dois combatentes de sempre, PT e PSDB, não contribuíram em nada com o aprimoramento do sistema eleitoral, uma vez que a reforma politica jaz intocada. Nesta eleição, descemos a um patamar incômodo – o fato mais notável da campanha foi o destempero, com agressividade demais e ideias de menos.

Nesse ambiente pobre, o candidato do PSDB jogou como um estreante. Sem traquejo de oposição, veio à disputa sem propostas consistentes, até mesmo sem propostas básicas. Evitou temas polêmicos e optou por generalidades, que podem ser resumidas numa só ideia: retomar a rumo da economia de mercado pura e simples. Prometeu entregar a gestão econômica ao mais vistoso ícone do liberalismo financeiro disponível no país, o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga.

Foi assim que Aécio – que dedicou grande parte da sua campanha em garantir “regras estáveis” – conquistou o apoio da fatia mais conservadora do eleitorado, além de um subtítulo vigoroso em editorial da revista inglesa The Economist: “O Brasil precisa dar o fora em Dilma Rousseff e votar em Aécio Neves”.

Ao povo brasileiro, que apesar dos anos de estabilidade relativa da moeda e de políticas de distribuição de renda que a ONU considera eficazes, ainda é um povo com enormes carências, sobrou um Aécio incerto e envolto em penumbra. Num momento esticava o dedo arrogantemente para candidatas em debates e tratava sua concorrente no segundo turno como criança; daí a pouco aparecia cambaleando num vídeo e escapulindo do bafômetro em outro, além de pousar em aeroportos inexplicáveis.

No campo mais específico da política, Aécio conseguiu ser duplamente derrotado em Minas – ele próprio, com votação menor que a da presidente no primeiro turno, e o seu candidato a governador, o patético Da Veiga (que aliás só foi candidato por influência pessoal de Aécio).

Pode-se alegar que essa sequência de escorregões, seja no aeroporto ou na eleição, foi explorada com crueldade pelo PT. É verdade. Estamos ainda na fase da democracia do escalpo e enquanto não houver uma reforma política real e profunda não chegaremos a um estágio mais avançado. Mas, se os fatos foram divulgados e explorados, nem por isso deixaram de ser fatos e só por isso – e Aécio não conseguiu provar o contrário – ajudaram a corroer seu crescimento e a aumentar sua rejeição.

Ao fim da linha, Aécio tem índices de rejeição raros para um candidato jovem, sem o desgaste natural de um candidato à reeleição. Índices dificilmente reversíveis, à altura de um José Sarney. Mas a responsabilidade maior não é da artilharia de Dilma, mas da sua inaptidão para construir o seu próprio papel político e, a partir dele, sua candidatura.

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Para um candidato que pretende representar “o novo”, “a mudança”, o índice de rejeição de Aécio Neves é perturbador. Segundo o Datafolha, em pesquisa divulgada na quinta-feira 23, nada menos que 41% dos eleitores não votariam no candidato “de jeito nenhum”, contra 37% que rejeitam a presidente. No Ibope, a rejeição está assim: Aécio 42% e Dilma 36%.

É um fim de campanha decepcionante para Aécio. É verdade que parte dessa reação negativa do eleitorado se deve às ações de “desconstrução” da campanha petista. Mas outra parte, certamente a maior, se deve a ele próprio (e à sua própria marquetagem). Não poderiam passar em branco seu telhado exageradamente vulnerável, sua agressividade ensaiada e desmedida e sua falta de preparo para ser a voz da oposição.

Não temos uma disputa exemplarmente limpa e democrática da parte de nenhum partido. Os dois combatentes de sempre, PT e PSDB, não contribuíram em nada com o aprimoramento do sistema eleitoral, uma vez que a reforma politica jaz intocada. Nesta eleição, descemos a um patamar incômodo – o fato mais notável da campanha foi o destempero, com agressividade demais e ideias de menos.

Nesse ambiente pobre, o candidato do PSDB jogou como um estreante. Sem traquejo de oposição, veio à disputa sem propostas consistentes, até mesmo sem propostas básicas. Evitou temas polêmicos e optou por generalidades, que podem ser resumidas numa só ideia: retomar a rumo da economia de mercado pura e simples. Prometeu entregar a gestão econômica ao mais vistoso ícone do liberalismo financeiro disponível no país, o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga.

Foi assim que Aécio – que dedicou grande parte da sua campanha em garantir “regras estáveis” – conquistou o apoio da fatia mais conservadora do eleitorado, além de um subtítulo vigoroso em editorial da revista inglesa The Economist: “O Brasil precisa dar o fora em Dilma Rousseff e votar em Aécio Neves”.

Ao povo brasileiro, que apesar dos anos de estabilidade relativa da moeda e de políticas de distribuição de renda que a ONU considera eficazes, ainda é um povo com enormes carências, sobrou um Aécio incerto e envolto em penumbra. Num momento esticava o dedo arrogantemente para candidatas em debates e tratava sua concorrente no segundo turno como criança; daí a pouco aparecia cambaleando num vídeo e escapulindo do bafômetro em outro, além de pousar em aeroportos inexplicáveis.

No campo mais específico da política, Aécio conseguiu ser duplamente derrotado em Minas – ele próprio, com votação menor que a da presidente no primeiro turno, e o seu candidato a governador, o patético Da Veiga (que aliás só foi candidato por influência pessoal de Aécio).

Pode-se alegar que essa sequência de escorregões, seja no aeroporto ou na eleição, foi explorada com crueldade pelo PT. É verdade. Estamos ainda na fase da democracia do escalpo e enquanto não houver uma reforma política real e profunda não chegaremos a um estágio mais avançado. Mas, se os fatos foram divulgados e explorados, nem por isso deixaram de ser fatos e só por isso – e Aécio não conseguiu provar o contrário – ajudaram a corroer seu crescimento e a aumentar sua rejeição.

Ao fim da linha, Aécio tem índices de rejeição raros para um candidato jovem, sem o desgaste natural de um candidato à reeleição. Índices dificilmente reversíveis, à altura de um José Sarney. Mas a responsabilidade maior não é da artilharia de Dilma, mas da sua inaptidão para construir o seu próprio papel político e, a partir dele, sua candidatura.

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