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Crítica | Atentado ao Hotal Taj Mahal

17/04/2019 15:07:05

foto atentado ao hotel taj mahal

O 11 de setembro de Mumbai

 

Mumbai, 26 de novembro de 2008. A Índia sofre o seu próprio 11 de setembro, numa série de ataques terroristas sincronizados em sua capital financeira – Mumbai. Os atentados ocorreram em dez locais diferentes, sendo que dentre eles, o mais simbólico foi o ataque ao hotel cinco estrelas Taj Mahal.

Foi nesse triste acontecimento da vida real que o diretor Anthony Maras baseou o seu primeiro longa-metragem, Atentado ao Hotel Taj Mahal. E ele não quis arriscar muito. Foi bem fiel às cenas aterrorizantes que ocorreram naquela quarta-feira, há quase 11 anos atrás, quando terroristas armados com RDX, AK-47 e granadas, deixaram mais ou menos 200 mortos e mais de 300 feridos. Não houve estripulias nem exageros com os efeitos especiais. O diretor quis que sentíssemos exatamente o que ocorreu, o que por si só, já é terrível o bastante. Tentar fazer firulas seria até de mau gosto.

Sendo assim, o filme de Maras foca em Arjum (Dev Patel), um indiano pobre que trabalha em um dos melhores hotéis de Mumbai, o cinco estrelas Taj Mahal. No dia do ataque, mais cedo, quando se apresenta para o trabalho, Arjum quase é mandado de volta para casa por ter perdido os sapatos e aparecido de sandálias. Mas as súplicas do rapaz, que não podia perder aquela oportunidade de trabalho, comovem seu chefe, Hermant Oberoi (Anupan Kher), que o manda pegar um par de sapatos extras em sua sala e ir cuidar de seus afazeres.

Esse simples gesto foi a diferença entre a vida e a morte de muitas pessoas, porque naquele dia, Arjum salvou muitas vidas. É claro que o personagem de Dav Patel simboliza e homenageia todos os funcionários do Taj Mahal que estavam presentes nos acontecimentos reais (tanto os que pereceram como o que sobreviveram) e que foram verdadeiros heróis nas chacinas que ocorreram.

Mas não é somente isso. Não foram somente as ações de Arjum que o tornam, no filme, uma representação de heroísmo. Sua própria aparência e figurino também são muito simbólicos, como ele mesmo explica na cena em que elucida a uma senhora inglesa o que significa o turbante que usa na cabeça – coragem e força.

Tudo isso indica como Maras foi sutil e ao mesmo tempo muito claro em sua narrativa. Mostrou o que tinha que ser mostrado – os ataques com armas e explosões, as mortes, o desespero das pessoas e dos reféns (retratado principalmente por David (Armie Hammer) e Zahra (Nazanin Boniadi)), o descuido da mídia, a ação dos terroristas, o fanatismo religioso… e o sentimento de que o terror ainda não havia acabado, já que os verdadeiros responsáveis por aqueles crimes nunca foram descobertos.

Em suma Atentando ao Hotel Taj Mahal é uma produção sensível e muito madura, um documentário com cara de filme que vale muito a pena assistir.

 

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