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Espírito Jovem | Crítica

18/06/2019 11:42:30

Elle Fanning é o verdadeiro espírito do musical do jovem diretor Max Minghella

crítica espírito jovem filme

A atriz Elle Fanning já mostrou há muito que é capaz de caminhar sozinha e longe da sombra da irmã mais velha, Dakota Fanning. Dessa vez, em Espírito Jovem ela interpreta Violet, uma adolescente de ascendência polonesa que vive em uma fazenda numa ilha inglesa. Elle é bastante talentosa e adora cantar, até que um dia vê a possibilidade de ser uma estrela da música quando o concurso Teen Spirit vai até sua pequena cidade fazer uma seleção.

Por essa introdução já deu para perceber que o tema do filme de Max Minghella é  o da garota comum e pouco popular, ou seja, invisível, que acaba descobrindo um grande talento, e em cuja ideia central está em mostrar como funcionam esses concursos musicais que tanto fazem ou fizeram sucesso, tais como X Factor, The Voice, American Idol etc. Todavia, além do arco da protagonista já estar bastante saturado no cinema, Espírito Jovem acaba se mostrando bastante clichê e superficial também, sem desenvolver nada de forma consistente.

Violet é, na verdade, uma adolescente emburrada e sem muitas vaidades que no momento em que a história começa está passando por dificuldades financeiras, trabalha como garçonete e possui uma mãe “podadora de sonhos”, mas que se transforma quando o assunto é música. É nesse nicho que, afinal, conseguimos sentir empatia por ela e torcer por sua vitória no final, já que a garota não é nem um pouco carismática e parece ser uma pessoa que funciona somente no modo cognitivo, sem demostrar qualquer emoção ou expressividade.

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O início da história, aliás, é até bem construído, inserindo bem o espectador na vida da personagem principal, mas não demora para as coisas se “enrolarem”. O diretor não consegue construir a relação de Violet com nenhum outro personagem que não seja a que ela tem com seu mentor, Vlad (Zlatko Buric), e praticamente nenhum dos coadjuvantes (que são coadjuvantes mesmo, no sentido mais puro da palavra) é desenvolvido, sendo alguns até mesmo ignorados depois que aparecem.

Mas pode ser que a intenção tenha sido mesmo essa, ou seja, a de que o desenvolvimento das relações e dos personagens não era realmente importante, já que estamos falando de um musical e, se a trilha sonora e as cenas de show tivessem sido incríveis, poderíamos até perdoar. Só que isso não acontece. As canções pop não têm nada demais e são sobrepostas por uma montagem excessiva de cenas de Violet com os outros competidores ou de seu treinamento. Não há aprofundamento ou preocupação com sequências que deveriam ser o espírito do filme.

A mesmo coisa pode ser dita das cenas de shows, que são bastante fracas esteticamente falando. Não espere assistir a um grande esforço da direção de arte.

Enfim, só a presença de espírito e de palco de Fanning conseguem segurar o espectador até os créditos finais. Realmente, a garota parece se transformar quando começa a cantar.

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