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‘La Casa de Papel’ mantém a narrativa e se mantém como um fenômeno

25/07/2019 16:06:25

A motivação mudou, mas as regras continuam as mesmas

La Casa de Papel Dalí faz sinal de vem

Quando ‘La Casa de Papel’ foi renovada para uma terceira temporada, bateu um certo receio – aquele que diz que não se deve mexer com uma narrativa que se fechou tão redonda.

O assalto à Casa da Moeda da Espanha, questão central da história na primeira parte, foi um sucesso e, apesar das baixas – com as mortes de Berlim, Oslo e Moscou -, os bandidos venceram e fugiram de forma espetacular das garras do Estado.

Mas o público pediu, a Netflix atendeu o apelo e, na semana passada, ‘La Casa de Papel’ voltou para sua terceira temporada. E quem esperava uma decepção, bem… se decepcionou! O seriado manteve a fórmula que o tornou um fenômeno, não mudou as regras e continuou agradando. A única diferença foi a motivação que levou o famoso grupo de bandidos com nomes de cidade a planejar um novo assalto.

Uma nova motivação

La Casa de Papel Rio e Tóquio

Se, na primeira vez, o motivo do assalto à Casa da Moeda da Espanha foi a revolta com o sistema do Estado, agora os sobreviventes da investida se unem novamente para salvar Rio (Miguel Herrán), que foi preso pela polícia na ilha paradisíaca onde estava escondido com Tóquio (Úrsula Corberó). E, para isso, tiveram que fazer barulho. Como? Assaltando nada mais, nada menos que o Banco da Espanha. E então a narrativa volta às origens.

Nos vemos novamente tendo aulas com o Professor (Álvaro Morte), indo e voltando na linha temporal enquanto toda a ação empolgante se desenrola dentro do Banco, com nossos carismáticos bandidos vestidos de Dalí e seus reféns – exatamente como da primeira vez!

Torcendo pelos bandidos

La Casa de Papel professor apresenta o plano do banco da Espanha

E exatamente como da primeira vez, ficamos nos perguntando como é possível torcer tanto para o “lado errado” da situação. Porque o correto seria torcer pela polícia, pelo Estado, pela lei, certo? Errado. Em ‘La Casa de Papel’, torcer para esse lado é… estranho. Afinal, como não amar o Professor? Como não rir com Nairóbi (Alba Flores)? Como não se encantar por Rio? Como não se interessar por Tóquio? Ao mesmo tempo, como não criar uma certa antipatia pelo Coronel Pietro, como não se irritar com Àngel (Fernando Soto) e, principalmente, como não se exasperar ao saber que esse mesmo Estado por quem deveríamos torcer, estava torturando Rio?

Como não sentir asco pela inspetora Sierra (Najwa Nimri) que, assumindo o papel de Raquel (Itziar Ituño) – que agora joga pelo outro time -, se esconde em uma imagem que deveria despertar empatia? A detestável policial está grávida e vive comendo doces, o que, na verdade, só serve para mascarar uma personalidade dura, fria e implacável. Nem mesmo a maternidade consegue amolecê-la.

É por essas e outras que os bandidos se tornam heróis, uma espécie de Robin Hood que encantou o mundo inteiro, mesmo fazendo coisas erradas.

Quarta temporada?

La Casa de Papel Berlim faz shhh

E agora que o professor declarou guerra, como não teríamos uma quarta temporada? ‘La Casa de Papel’ já está renovada para continuação, quando então saberemos o desfecho desse segundo assalto épico na Espanha. Enquanto isso, Bella, ciao!

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