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Crítica | Brinquedo Assassino

22/08/2019 16:27:36

Numa versão bem mais interessante, o longa de terror é uma retratação bem fiel da sociedade atual

brinquedo assassino chucky

É sempre uma tarefa muito complicada fazer novas versões de uma história já bastante conhecida pelo público, como é o caso de ‘Brinquedo Assassino’, que em 2019 apresenta a sua 8ª versão desde 1988. Atualizar o enredo para que o filme se encaixe mais na época em que será lançado pode resultar em sucesso ou… numa tarefa bem ingrata.

Brinquedo Assassino’, do diretor Lars Klevberg, felizmente se encaixa na primeira opção. Diferente de sua versão original, em que Chucky era um boneco que hospedava a alma de um assassino e por isso matava, dessa vez temos um robô com inteligência artificial que aprende a ser violento.

Em verdade, o longa é uma retratação bem fiel da sociedade atual no que se refere ao perigo da inteligência artificial e ao consumismo desenfreado, o que, no caso, ficou muito mais interessante do que simplesmente uma história de terror em que um boneco mata porque tem a alma de um assassino ligada a ele.

Na versão de 2019, Chucky é um robô e ele “liga” porque tem um chip, e não porque uma alma o anima. O problema todo começa porque um funcionário da empresa em que ele é fabricado, no Vietnã, após ser humilhado por seu superior, retira todos os inibidores de sua programação, inclusive o inibidor de violência.

brinquedo assassino chucky e andy

Ao “ver” Andy, seu dono, e os amigos gargalhando enquanto assistiam ‘O Massacre da Serra Elétrica, Chucky entende que aquilo o faz feliz, ou seja, que a violência era uma coisa boa, o que mostra que a tecnologia que inspira sua inteligência artificial é muito boa, mas não tão boa a ponto de fazê-lo conseguir distinguir entre ficção e realidade. A partir daí é que ele fica mal.

O que se entende, numa simples conclusão, é que se o funcionário vietnamita não tivesse tirado seu inibidor de violência, nada do que aconteceu depois teria acontecido, mas mostra como a tecnologia e a inteligência artificial pode ser perigosa, basta que ela caia nas mãos de alguém mal intencionando ou de uma pessoa que simplesmente está num péssimo dia, como o tal funcionário que tinha sido humilhado por seu superior e quis, de alguma maneira, dar o troco.

brinquedo assassino andy ganha chucky

Mas, por outro lado, ‘Brinquedo Assassino’ também tem sucesso em mostrar o lado “mágico” da tecnologia e a criatividade do ser humano. Imaginem um boneco/robô que, na verdade, é um controle universal, capaz de controlar sua TV, seu aparelho de som, o sistema elétrico da sua casa e até mesmo de chamar um Uber (no filme não é Uber, é um carro das empresas Kaslan, mas a ideia é a mesma), ao mesmo tempo em que interage com você e seu filho, como uma espécie de melhor amigo.

No filme as pessoas enlouqueceram, exatamente como na Black Friday da vida real!

Os clichês de terror ainda estão lá, como os raios e trovões no momento em que o Chucky modificado sai da fábrica para a loja, ou os olhos vermelhos do boneco quando ele vai fazer alguma maldade, mas isso não incomoda.

Além disso, algumas semelhanças com a versão anterior também podem ser observadas. Chucky ainda é o boneco/robô de Andy, só que dessa vez ele é um garoto mais velho, o que faz todo o sentido, já que para a história funcionar, Andy tinha que ter idade suficiente para gostar e saber lidar com celulares e aplicativos, ou seja, com tecnologia.

No fim, o que muitos poderiam pensar se tratar de mais um longa de terror vazio, acabou se mostrando um filme cheio de significados implícitos e bem mais interessante, mantendo-se ainda dentro do gênero a que se propõe.

E depois que assistirem, digam se a musiquinha do melhor amigo não vai ficar colada na sua mente!

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