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Crítica | Bacurau

29/08/2019 16:46:15
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Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles entregam uma das obras mais complexas do ano

bacurau funeral

Bacurau’ é um filme complicado. Mais um pouco do que isso, até, é um filme complexo, difícil de acompanhar. Mesmo assim, a obra de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles não deixa de ser notável. Coube a nós, críticos, a laboriosa tarefa de tentar explicar por que, mas sem nenhuma garantia de sucesso.

O cenário do longa é o sertão nordestino, mais especificamente o oeste de Pernambuco, onde o contraste entre pobreza e tecnologia salta aos olhos. Tablets, celulares, televisões e internet fazem parte da vida dos moradores de Bacurau assim como a espera pelo caminhão pipa que lhes leva água e da eterna necessidade por comida e remédios.

Porém, com o passar dos longos 132 minutos de filme, vemos essa retratação da realidade se tornar uma coisa bem mais estranha, e os motivos para isso podem ser vários.

bacurau bárbara colen

Talvez seja a falta de protagonistas, já que ‘Bacurau’ intercala suas cenas sem focar em ninguém em especial – uma sacada ousada, mas que não deixou de funcionar. Talvez sejam as várias transformações e ressignificações da história que deixam o espectador completamente na dúvida sobre o que está assistindo – o tempo vai passando e não há nenhuma pista sobre aonde os diretores pretendem levar o público. Mas o fato é que o filme não é nada do que se espera.

‘Bacurau’ está definida como uma obra de ação, aventura e mistério, porém tal classificação é bastante questionável, ou no mínimo incompleta. O filme soa mais como uma paródia, cheia de um humor peculiar que brinca com as metáforas de forma inteligente ou meio ridícula, a depender da intepretação do espectador.

Mesmo assim, em meio à cegueira imposta por esse metamorfismo narrativo e pela lentidão dos acontecimentos, as pontas começam a se juntar, quando Mendonça Filho e Dornelles finalmente mostram a que vieram. Pgjjuyihercebe-se então uma espécie de neocolonialismo, quando brasileiros e americanos vão se enfrentar.

bacurau embate

Questões culturais, raciais e simbólicas ficam então melhor evidenciadas, como na cena em que um dos gringos, com a arrogância pura e simples que é peculiar aos que se acham superiores, diz ao brasileiro com quem está conversando que ele parece branco, mas não é, simplesmente porque é brasileiro.

Diferente dos portugueses do século XVI, entretanto, esses colonizadores encontram uma sociedade muito mais bem estruturada e organizada, capaz de se unir e de insurgir contra o inimigo que quer lhe subjugar – ou dizimar, como é o caso em questão.

Por tudo isso e mais alguma coisa, fica fácil dizer que é preciso coragem para encarar ‘Bacurau’ e suas nuances, mas se o desafio agradar, a jornada será bastante interessante.

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Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles entregam uma das obras mais complexas do ano

bacurau funeral

Bacurau’ é um filme complicado. Mais um pouco do que isso, até, é um filme complexo, difícil de acompanhar. Mesmo assim, a obra de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles não deixa de ser notável. Coube a nós, críticos, a laboriosa tarefa de tentar explicar por que, mas sem nenhuma garantia de sucesso.

O cenário do longa é o sertão nordestino, mais especificamente o oeste de Pernambuco, onde o contraste entre pobreza e tecnologia salta aos olhos. Tablets, celulares, televisões e internet fazem parte da vida dos moradores de Bacurau assim como a espera pelo caminhão pipa que lhes leva água e da eterna necessidade por comida e remédios.

Porém, com o passar dos longos 132 minutos de filme, vemos essa retratação da realidade se tornar uma coisa bem mais estranha, e os motivos para isso podem ser vários.

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Talvez seja a falta de protagonistas, já que ‘Bacurau’ intercala suas cenas sem focar em ninguém em especial – uma sacada ousada, mas que não deixou de funcionar. Talvez sejam as várias transformações e ressignificações da história que deixam o espectador completamente na dúvida sobre o que está assistindo – o tempo vai passando e não há nenhuma pista sobre aonde os diretores pretendem levar o público. Mas o fato é que o filme não é nada do que se espera.

‘Bacurau’ está definida como uma obra de ação, aventura e mistério, porém tal classificação é bastante questionável, ou no mínimo incompleta. O filme soa mais como uma paródia, cheia de um humor peculiar que brinca com as metáforas de forma inteligente ou meio ridícula, a depender da intepretação do espectador.

Mesmo assim, em meio à cegueira imposta por esse metamorfismo narrativo e pela lentidão dos acontecimentos, as pontas começam a se juntar, quando Mendonça Filho e Dornelles finalmente mostram a que vieram. Pgjjuyihercebe-se então uma espécie de neocolonialismo, quando brasileiros e americanos vão se enfrentar.

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Questões culturais, raciais e simbólicas ficam então melhor evidenciadas, como na cena em que um dos gringos, com a arrogância pura e simples que é peculiar aos que se acham superiores, diz ao brasileiro com quem está conversando que ele parece branco, mas não é, simplesmente porque é brasileiro.

Diferente dos portugueses do século XVI, entretanto, esses colonizadores encontram uma sociedade muito mais bem estruturada e organizada, capaz de se unir e de insurgir contra o inimigo que quer lhe subjugar – ou dizimar, como é o caso em questão.

Por tudo isso e mais alguma coisa, fica fácil dizer que é preciso coragem para encarar ‘Bacurau’ e suas nuances, mas se o desafio agradar, a jornada será bastante interessante.

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