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Crítica | Viúva Negra

15/07/2021 16:01:30

Com família que “luta” unida, ninguém mexe!

Viúva Negra Destaque
Viúva Negra / 2021 © Divulgação Disney

Eu sempre adorei a Viúva negra (dos cinemas, uma vez que não li os quadrinhos da personagem, mas tenho certeza que nas páginas ela é tão cativante quanto nas telas) por motivos diversos, seja pela atriz que a interpreta seja pela força intrínseca da heroína. E mesmo que há muito ela merecesse um filme solo e ainda que esse filme tenha chegado apenas depois de sua morte no UCM como uma espécie de tributo, a espera valeu à pena.

Viúva negra não é o filme perfeito e pode até ser que Natasha Romanoff merecesse mais do que lhe deram, mas mesmo assim, o longa é bom o bastante para permanecer na memória (diferente dos filmes fracos do Homem-aranha da Marvel).

Os eventos da película em questão se passam entre o período de Capitão América: Guerra civil (Anthony e Russo, 2016) e Vingadores: Guerra infinita (Anthony e Russo, 2018) , quando Natasha, durante suas buscas, acaba reencontrando sua antiga família. Sendo assim, não é difícil perceber que a força de Viúva negra, muito antes de quaisquer elementos como roteiro, efeitos especiais ou trilha sonora, está nas atuações incríveis do elenco que a diretora Cate Shortland reuniu, com uma ganhadora e duas indicadas ao Oscar juntas para arrasar nossos corações “marvéticos”!

O quão não foi maravilhoso ver Rachel Weisz, em plena forma física como Melina, usando uniforme e lutando contra as inimigas? E o que dizer de Florence Pugh como Yelena Belova, a irmã mais nova de Natasha? A atriz se destaca tanto que nos faz desconfiar se a real intenção do filme, muito mais do que uma homenagem à Romanoff, não é realmente apresentar a nova Viúva Negra – e que heroína Yelena não daria! Aqui já podemos ter o gostinho da capacidade dessa mulher. O longa também apresenta um elenco infantil de respeito. Mesmo que tenha pouco tempo em tela, Violet McGraw, que se destacou como a versão criança de Nell em A Maldição da residência Hill (Mike Flanagan, 2018), também está excelente como a Yelena jovem. E fechando tudo, em sua vigésima quarta participação no UCM, está a presença descomunal de Scarlett Johansson, só esperando pelos aplausos que cada trabalho seu é capaz de arrancar.

Por outro lado, mesmo com todo o magnetismo dessas adoráveis mulheres, o longa tem seus problemas. É claro que eles podem ser superados por tudo o que a película possui de bom, mas estão ali, acenando para nós. O vilão Dreykov (Ray Winstone), por exemplo, decepciona um pouco, fraquinho para todas as possibilidades que possuía. E as viúvas… sua relevância é ínfima, para dizer o mínimo. A lavação de roupa suja entre pais e filhas também é rápida demais, muito mais do que o aceitável num caso tão extremo como o dessa história, e o longa deixa a desejar nesse quesito. No final, fica uma sensação de coisa não muito bem concluída. No entanto, tenho certeza que os fãs dos quadrinhos, muito mais conhecedores da história dessa personagem tão querida, vão encontrar um milhão de problemas a mais, até porque o filme não explora muito da própria história da personagem a não ser aquele breve período em que foca. Para aqueles, no entanto, que acompanham somente os filmes, Viúva negra é bastante aceitável e uma delícia de assistir – em especial as cenas de ação!

Sendo assim, se antes já era muito bom testemunhar às peripécias de Natasha em todos os outros filmes anteriores da Marvel dos quais ela participou, agora, é muito melhor vê-la agindo com sua família, que além de Melina e Yelena, também tem David Harbour como Alexei Shostakov que, junto com Yelena, tecem os bem-vindos alívios cômicos que acontecem ao longo da película.

É assim que, no final, aprendemos que ninguém mexe com uma família que “luta” unida! E se não formos muito exigentes, dá para considerar que Viúva negra, é uma bela de uma obra cinematográfica.

Publicado originalmente em O Cinema é
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