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Crítica | Rua do Medo: 1978 – Parte 2

29/07/2021 12:11:49

Com C. Berman no comando, a história da maldição de Shadyside experimenta uma melhora exponencial.

Rua do Medo: 1978 - Parte 2 Destaque
Rua do Medo: 1978 – Parte 2 / 2021 © Ian Grimm via TMDb. Todos os direitos reservados.

Depois de um primeiro filme bem mais ou menos, a sequência de Rua do medo chegou na Netflix para superar em todos os sentidos o longa original que estreou na semana passada. Mesmo que minhas expectativas estivessem baixas, Rua do medo: 1978 dá um salto em progressão geométrica em relação à primeira história e quanto a isso não resta dúvida.

Sendo assim, dessa vez, estamos no acampamento Nightwing em 1978, quando um Shadysider (aquele que vive em Shadyside) é possuído pelo desejo de matar. Conhecemos então C. Berman, a tão falada sobrevivente desse terrível evento sangrento que se repetiu em 1994. Era óbvio, portanto, que quando Sam (Olivia Scott Welch) é acometida dessa mesma possessão, Deena (Kiana Madeira) iria atrás de Berman (Olivia Scott Welch) para tentar salvar a namorada.

No entanto, diferente da Parte 1, a Parte 2 apresenta uma história muito mais interessante, um elenco bem mais cativante e consegue elevar Rua do medo a um patamar superior.

No entanto, é importante lembrar que, como o primeiro filme, 1978 segue com o estilo slasher/gore da franquia, porém de forma mais dinâmica e direta, afinal, foca somente em um dos assassinos que vimos na primeira obra: o homem com o saco de aniagem na cabeça. Tal foco pode ter sido um dos elementos que contribuíram para a melhora da qualidade nesse longa, ainda que ele continue pecando em determinados aspectos.

Seguindo nesse raciocínio, tudo soa rápido demais impedindo que haja um engajamento maior do público com a trama. A tensão se constrói e se esvai a todo momento sem que seja possível degustá-la. É como se estivéssemos simplesmente engolindo um prato delicioso sem conseguir apreciar seu sabor. E de certa maneira, essa constatação vem junto a um forte sentimento de decepção, uma vez que, como já mencionado, as personagens de 1978 são infinitamente mais interessantes do que as de 1994. É uma pena, portanto, que não tenham sido melhor exploradas.

Sendo assim, ainda dando destaque à ala feminina do elenco, nenhum dos adolescentes da primeira parte chegam aos pés de Ziggy Berman, interpretada por Sadie Sink – que está excelente apesar de repetir o mesmo estilo de atuação que tem em Stranger things (Matt Duffer, Ross Duffer – 2016-), em que em que interpreta Max. Ela segue um arco paralelo com o da irmã mais velha, Cindy Berman (Emily Rudd), numa dinâmica muito melhor amarrada do que a de “vamos nos separar” ao estilo Scooby Doo do primeiro filme. Faz sentido e é bem trabalhado.

Fora isso, diferente do filme anterior, as referências não são anacrônicas. Stephen King é a mais forte delas e, sendo ele o rei do terror, esse já é um bom sinal, afinal estamos falando desse mesmo gênero, não é mesmo?

Por tudo isso, foi bastante satisfatório constatar a melhora da franquia. Agora será até mais agradável aguardar pelo desfecho dessa trama, quando então mergulharemos mais a fundo na história de Sarah Fier e descobriremos, enfim, como a terrível maldição que ela lançou funciona. Até semana que vem, Shadyside.

Publicado originalmente em O Cinema é
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