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Crítica | Um Lugar Silencioso – Parte II

22/07/2021 18:35:13

Rico em sua simplicidade, longa entrega tudo o que promete e mais.

Um Lugar Silencioso - Parte 2 Destaque
Um Lugar Silencioso – Parte 2 / 2020 © Divulgação Paramount

Sabe aquele filme praticamente sem defeitos? Pode parecer tendencioso, mas Um lugar silencioso – Parte II dá sequência a uma das melhores franquias de terror já feitas, mesmo assinado por um diretor que comandou poucos filmes na vida.

Sendo assim, sempre que um longa faz muito sucesso e uma série se inicia, vem aquele friozinho no estômago, uma mistura de ansiedade e expectativa com um certo medinho de aquela história que você curte tanto ser estragada pela ambição dos estúdios de produção. Porém felizmente, esse não foi o caso da parte dois de Um lugar silencioso.

Nesse caso, John Krasinski retorna à direção com um roteiro tão poderoso quanto o do primeiro filme, potencializado pela volta e em volta do elenco maravilhoso que ele reuniu e que é liderado por sua talentosíssima mulher, Emily Blunt. Por isso, longe de saturar a fórmula que conhecemos em 2018 e mesmo que esteja permeada daqueles clichês inevitáveis, a película finalmente estreia depois de um longo hiato prorrogado pela pandemia para encher os fãs de orgulho.

É difícil apontar, portanto, qualquer defeito na obra, seja técnico, seja de enredo. Vale ressaltar, no entanto, que o paradoxo do som continua quando pensamos que a trilha sonora é um dos pontos altos do filme em completa dissonância com o contexto da história, em que o silêncio deve reinar absoluto. O destaque do longa, porém, não é nem o nome de peso de Cillian Murphy, que entra no filme para assumir o papel da figura masculina da trama, deixada vazia pela morte de Lee (Krasinski) no final do primeiro longa. Esse adjetivo vai para Millicent Simmonds, que interpreta Regan Abbott com uma perfeição tão inexplicável que rouba a cena completamente. Isso não quer dizer, entretanto, que Noah Jupe, que interpreta seu irmão, Marcus, possa ser ignorado. Quer dizer simplesmente que o elenco mais novo é brilhante.

Na verdade, Um lugar silencioso é uma franquia que traz o melhor do gênero do terror e da ficção científica (e tendo a considerar que está mais para a segunda opção do que para a primeira), com seus elementos balanceados e perfeitamente administrados pelo roteiro inteligente. A contextualização da invasão alienígena e o gancho de ligação com o primeiro filme, rápido e eficiente, é um exemplo disso, demonstrando a forma direta, despretensiosa e sem exageros que marca a direção de Krasinski.

E a parte II ainda tem o mérito de conseguir trabalhar dois núcleos alternadamente com perfeição. Não há como tirar os olhos da tela enquanto acompanhamos a vida de uma família em que sobreviver é a única medida e qualquer deslize pode significar a morte – detalhes simples como esquecer da toalha do cofre pode ser fatal.

O melhor do filme, todavia, é a sua simplicidade. Um lugar silencioso – Parte II nunca tenta ser mais do que é, nunca tenta debandar para um lado mais alegórico ou simbolista, compreendendo muito bem seus limites e fazendo boas escolhas, o que leva à inevitável conclusão de que, às vezes, o significado direto e claro pode funcionar muito bem. No caso, foi ainda melhor.

Publicado originalmente em O Cinema é
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