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“Que mal ele fez?”

27/03/2015 11:38:13
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Roteiro Homilético – 29 de março / 2015 – Domingo de Ramos /B

 

 

As leituras deste domingo ensejam uma síntese geral da catequese
que é o evangelho de Marcos.

A primeira parte de Marcos é marcada pelo caráter velado
da obra messiânica de Jesus. Este traz o Reino de Deus presente, mas não de
modo manifesto. Apenas o deixa entrever em sinais de sua “autoridade” (1,21
etc.; cf. 2,10 etc.), melhor reconhecidos pelos demônios do que pelos próprios
discípulos. Aponta a presença escondida do Reino, narrando parábolas (Mc 4).
Suscita admiração por seus grandes milagres, que mostram seu domínio da
natureza (4,41 etc.). Prefigura o banquete escatológico (5,34-44). Mas o
mistério de sua missão e personalidade fica escondido, até para os discípulos
(8,14-21).

A abertura dos olhos do cego de Betsaida marca um início de mudança
(8,22-26). Os discípulos reconhecem Jesus como Messias (8,27-29), porém,
entendem-no em categorias humanas e não divinas (8,31-33). Mediante as
predições da Paixão e o ensinamento sobre o seguimento e o serviço, Jesus
prepara seus discípulos para a reta compreensão de seu messianismo: não à
maneira de um militaresco “filho de Davi”, mas à maneira do rei-messias humilde
e esmagado de Zc 9 (cf. Zc 12,10) (Mc 8,27–10,45; cf. 11,1-10). A cura do cego
de Jericó é o sinal de uma visão crescente (10,46-52), mas Jerusalém fica ainda
na ambigüidade: aclama como rei davídico aquele que entra
sentado num burrinho (como o rei de Zacarias 9) e que, no fim de seu ensinamento em Jerusalém, declarará absurda a mera identificação do Messias com o filho de
Davi (12,37).

Jesus é mais do que o filho de Davi. Ele é o filho querido
de Deus (1,11; 9,7; 15,39), o “Servo” que, em obediência ao incansável amor de Deus para com os homens, dá sua vida, realizando em plenitude o que o Servo de Deus em Is 52–53 prefigurou.

Mas como Filho de Deus, ele é também o Filho do
Homem, portador dos plenos poderes escatológicos. Sua condenação sob falsas alegações religiosas e políticas significa o primeiro passo para sua vinda
gloriosa e o juízo sobre o mundo (Mc 14,62), que ele havia anunciado
imediatamente antes de sua paixão (Mc 13). É a dispersão escatológica (Mc
14,27; cf. 13,7), prelúdio da reunião do rebanho pelo pastor escatológico,
depois da ressurreição (14,28; cf. 16,7). É o início do tempo final, prelúdio
da vinda definitiva (que os primeiros cristãos esperavam para breve).

Para nós, hoje, esta cristologia de Marcos significa uma crítica
a qualquer messianismo imediatista, que recorre à imposição e não à paciência
do testemunho até o sangue (= martírio).

 

Continue lendo…

(O Roteiro Homilético é elaborado pelo Pe. Johan Konings SJ – Teólogo, doutor em exegese bíblica, Professor da FAJE. Autor do livro “Liturgia Dominical”, Vozes, Petrópolis, 2003. Entre outras obras, coordenou a tradução da “Bíblia Ecumênica” – TEB e a tradução da “Bíblia Sagrada” – CNBB. Konings é Colunista do Dom Total.)

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Roteiro Homilético – 29 de março / 2015 – Domingo de Ramos /B

 

 

As leituras deste domingo ensejam uma síntese geral da catequese
que é o evangelho de Marcos.

A primeira parte de Marcos é marcada pelo caráter velado
da obra messiânica de Jesus. Este traz o Reino de Deus presente, mas não de
modo manifesto. Apenas o deixa entrever em sinais de sua “autoridade” (1,21
etc.; cf. 2,10 etc.), melhor reconhecidos pelos demônios do que pelos próprios
discípulos. Aponta a presença escondida do Reino, narrando parábolas (Mc 4).
Suscita admiração por seus grandes milagres, que mostram seu domínio da
natureza (4,41 etc.). Prefigura o banquete escatológico (5,34-44). Mas o
mistério de sua missão e personalidade fica escondido, até para os discípulos
(8,14-21).

A abertura dos olhos do cego de Betsaida marca um início de mudança
(8,22-26). Os discípulos reconhecem Jesus como Messias (8,27-29), porém,
entendem-no em categorias humanas e não divinas (8,31-33). Mediante as
predições da Paixão e o ensinamento sobre o seguimento e o serviço, Jesus
prepara seus discípulos para a reta compreensão de seu messianismo: não à
maneira de um militaresco “filho de Davi”, mas à maneira do rei-messias humilde
e esmagado de Zc 9 (cf. Zc 12,10) (Mc 8,27–10,45; cf. 11,1-10). A cura do cego
de Jericó é o sinal de uma visão crescente (10,46-52), mas Jerusalém fica ainda
na ambigüidade: aclama como rei davídico aquele que entra
sentado num burrinho (como o rei de Zacarias 9) e que, no fim de seu ensinamento em Jerusalém, declarará absurda a mera identificação do Messias com o filho de
Davi (12,37).

Jesus é mais do que o filho de Davi. Ele é o filho querido
de Deus (1,11; 9,7; 15,39), o “Servo” que, em obediência ao incansável amor de Deus para com os homens, dá sua vida, realizando em plenitude o que o Servo de Deus em Is 52–53 prefigurou.

Mas como Filho de Deus, ele é também o Filho do
Homem, portador dos plenos poderes escatológicos. Sua condenação sob falsas alegações religiosas e políticas significa o primeiro passo para sua vinda
gloriosa e o juízo sobre o mundo (Mc 14,62), que ele havia anunciado
imediatamente antes de sua paixão (Mc 13). É a dispersão escatológica (Mc
14,27; cf. 13,7), prelúdio da reunião do rebanho pelo pastor escatológico,
depois da ressurreição (14,28; cf. 16,7). É o início do tempo final, prelúdio
da vinda definitiva (que os primeiros cristãos esperavam para breve).

Para nós, hoje, esta cristologia de Marcos significa uma crítica
a qualquer messianismo imediatista, que recorre à imposição e não à paciência
do testemunho até o sangue (= martírio).

 

Continue lendo…

(O Roteiro Homilético é elaborado pelo Pe. Johan Konings SJ – Teólogo, doutor em exegese bíblica, Professor da FAJE. Autor do livro “Liturgia Dominical”, Vozes, Petrópolis, 2003. Entre outras obras, coordenou a tradução da “Bíblia Ecumênica” – TEB e a tradução da “Bíblia Sagrada” – CNBB. Konings é Colunista do Dom Total.)

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