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As falácias dos ‘dois lados’ e da polarização política

04/11/2019 15:48:55

midia-espontanea
Robson Sávio
A mídia empresarial, que sempre tem lado, conseguiu implantar nas mentes e nos corações dos brasileiros, entre outras, duas das mais perversas mentiras que só servem para a alienação social: (1) que os fatos e acontecimentos têm dois lados e (2) que o Brasil está polarizado.
Os fatos sociais, políticos, econômicos, religiosos têm múltiplos lados. São complexos e não se resumem a simplismos.
Quando a mídia impõe a pseudoversão dos “dois lados”, reproduz uma simplificação grosseira da realidade, historicamente conhecida: o maniqueísmo – a velha luta entre o bem e o mal.
Observe que a mídia empresarial (corrupta e corruptora, em seu DNA) sempre se posta do lado do bem e o outro lado, cirurgicamente escolhido e nomeado, é apresentado como sendo o lado do mal.
Ao usar essa perversidade simplificadora da complexa realidade sociopolítica, a mídia escolhe quem é o inimigo e como lançá-lo à fogueira inquisitória da chamada “opinião pública” (outra simplificação, porque essa opinião que se diz pública se reduz ao pensamento majoritário dos segmentos sociais que têm poder de vocalização; ou seja, a opinião publicada que agrada e reproduz as expectativas de uma minoria social de privilegiados).
Percebam que ao escolher o “outro lado” e nomeá-lo, a mídia empresarial procede de tal forma que múltiplas vozes e possibilidades de análise são silenciadas ou invisibilizadas para que o inimigo eleito seja condenado, por convicções, pela “opinião pública”.
Outra fake news deslavada e propagada aos quatro ventos pela mídia empresarial é que o Brasil é um país polarizado.
Para justificar sua posição de apoio aos segmentos fascistas, autoritários, antinacionais e perversos da sociedade, a mídia precisa construir uma falsa imagem que há “um outro lado” tão perverso, ou até mais perverso, que precisa ser enfrentado e combatido pelos “bons”.
Veja o que acontece nos dias atuais: a mídia empresarial é uma das principais responsáveis pelo golpe de 2016 e pela assunção do autoritarismo travestido de normalidade democrática. Por isso, precisa defender, “com unhas e dentes”, a falácia da polarização para se autojustificar.
Há um lado radicalizado que todos conhecemos. Esse lado defende a ditadura militar; o AI – 5, a tortura, o fechamento do Congresso e do STF; a submissão da imprensa aos caprichos dos filhotes da ditadura; a transformação do país no quintal dos norte-americanos; a entrega de nossas riquezas naturais ao estrangeiro; a total submissão ao rentismo gerador da mais perversa concentração de renda da história do capitalismo; a destruição de seres humanos para abrir espaço à sanha do capital; a total subordinação dos poderes da república a grupos milicianos…
Pergunta: onde e quando, uma única vez, o outro “polo” defende esse tipo de radicalização?
Obviamente, esse discurso da polarização serve para (1) manter os ultradireitistas mobilizados, (2) passar a falsa ideia que a mídia é isenta e dá oportunidade de manifestação dos “dois lados” e (3) justificar o escamoteamento daqueles têm medo (e ainda algum pudor) de se revelarem à sociedade. Hipocritamente – porque têm lado e medo de se revelarem -, milhões de brasileiros preferem se refugiar nesse discurso alentador da covardia.
Não nos enganemos: há muitos lados nos fenômenos sociais, políticos, religiosos… e não há nenhuma polarização. Mas, há muitos covardes que adoram tais discursos.
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