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Pesquisa Datafolha sinaliza cristalização do fascismo

09/12/2019 11:09:17

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Por Robson Sávio
Pesquisa Datafolha divulgada neste domingo (8) pelo jornal “Folha de São Paulo” mostra os seguintes percentuais de avaliação do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL): 36% consideram o governo como péssimo ou ruim; para 30%, ótimo/bom e 36% regular. Não sabe/não respondeu: 1%
A nota média (de 0 a 10) atribuída pelos entrevistados ao presidente foi 5,1, a mesma de agosto.
A pesquisa foi realizada nos dias 5 e 6 de dezembro com 2.948 pessoas, em 176 cidades. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança da pesquisa é de 95% – ou seja, há uma probabilidade de 95% de os resultados retratarem a realidade, considerando a margem de erro.
Segue uma breve análise da pesquisa Datafolha:
1. Não há polarização: 30% dos eleitores são de direita; 30%, de esquerda e 40% totalmente voltados a um pragmatismo vivencial: para os excluídos, a melhor promessa do momento (aqui entram a manipulação midiático-empresarial e, no contexto atual, as redes de fake news de ultradireita) é que vale. A “promessa” já foi à esquerda, com Lula/Dilma; agora, à direita.
2. A novidade que se cristaliza nessa pesquisa: algo em torno de 15% da direita brasileira é protofascista (fascismo em sua vertente inicial).
2.1. O clã Bolsonaro e personagens como Olavo de Carvalho atuam para mobilizar essa parcela da população. São, claramente, antidemocráticos, autoritários e violentos. Constantemente, insuflam o terrorismo de Estado.
2.2. A direita tem uma arma poderosa em sociedades capitalistas: o poder do dinheiro – dos que não têm compromisso com a democracia de fato (empresários, banqueiros, latifundiários, think tanks…).
2.3. Mas, o poder dos sentimentos e dos afetos, ou seja, o poder simbólico, é a grande disputa do momento. Este jogo está em aberto.
3. Parte dos protofascistas estão a disputar o poder simbólico utilizando o discurso religioso (o meio mais eficaz de disseminar discursos de ódio). Há um imenso investimento financeiro no neopentecostalismo.
3.1. A esquerda, em boa medida, está sem uma bandeira afetiva e mobilizadora. Lula encarna, em certa medida, esse vácuo.
4. Mesmo assim, a direita, definitivamente, não é imbatível. Argentina provou que o ultraliberalismo não responde às demandas de sociedades marcadas pela desigualdade e injustiça estruturais.
4.1. A esquerda precisa radicalizar sua posição para mostrar as contradições brasileiras. Caso contrário, os 40% dos eleitores “folha de bananeira” (que vão à onda do vento) continuarão na passividade (altíssimos índices de absenteísmo eleitoral), na omissão (imobilização social) ou conivência com os que gritam mais alto.
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