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Reflexões sobre o Chile os movimentos sociais

03/02/2020 10:48:40

Piñera não cai, nem é golpeado pelas Forças Armadas Chilenas, porque está a serviço do capitalismo internacional

Protesto contra Sebastian Pinera, em Santiago, no último sábado 01/02 - Foto Martin Bernetti/AFP
Protesto contra Sebastian Pinera, em Santiago, no último sábado 01/02 – Foto Martin Bernetti/AFP

Robson Sávio Reis

Estive no Chile na semana passada. A revolta popular continuava latente. Presenciei manifestações. O pixo, sinal da revolta, cobria várias cidades.

Na ocasião, fiz os seguintes registros:

1. Todos os dias, no final da tarde, jovens ocupam e se manifestam na Praça Itália e são reprimidos pelos “pacos” (os policiais que são acusados de assassinatos, estupros e várias violações de direitos humanos). Um taxista me informou: há um movimento que pretende mudar o nome daquela praça para “Plaza Dignidad”. A revolução é juvenil, feminina, popular…

2. Toda a cidade de Santiago, principalmente a área central, está tomada pelo pixo (dizeres) contra o neoliberalismo, o ditador serviçal do capitalismo, Piñera e sua polícia truculenta. Encontrei várias dessas manifestações contra Bolsonaro. Apesar das milhares de detenções, dos cegos pela violência policial, seguem as reivindicações e as mobilizações, enquanto se discute uma nova constituinte.

3. É impressionante o Museu da Memória e dos Direitos Humanos. Põe à pelo a ditadura sanguinária chilena. A história contada sem medo, apontando o dedo para o sanguinário Pinochet e sua trupe militar assassina. O horror da ditadura é mostrado com verdade nua e crua. É uma obra da ex-presidenta Michele Bachelet, atual Comissária dos Direitos Humanos da ONU.

4. Por fim, acompanhei um debate pela TV Senado. Líderes de movimentos sociais discutiam no Parlamento (em Valparaíso) uma lei da verdade e da justiça para punir a violência estatal que assola o país e proteger líderes de tais movimentos.

Uma conclusão: Piñera não cai, nem é golpeado pelas Forças Armadas Chilenas, porque está a serviço do capitalismo internacional, da elite chilena e dos interesses estadunidenses. Se fosse de esquerda já teria sido golpeado (como ocorreu com Dilma).

O passeio no Chile foi um aprendizado de civismo, resistência, luta. De certa maneira, um estímulo revigorante para quem sempre esteve e está na trincheira dos direitos humanos.

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