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Tratado da Bacia do Prata - 1970

TRATADO DA BACIA DO PRATA
Os Governos das Repúblicas da Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai,
representados na I Reunião Extraordinária de Chanceleres dos Países da Bacia do
Prata, realizada em Brasília, em 22 e 23
de abril de 1969,
CONVENCIDOS da necessidade de reunir esforços para a devida consecução dos
propósitos fundamentais assinalados na Declaração Conjunta de Buenos Aires, de 27
de fevereiro de 1967, e na Ata de Santa Cruz de la Sierra, de 20 de maio de 1968, e
animados de um firme espírito de cooperação e solidariedade;
PERSUADIDOS de que a ação conjugada permitirá o desenvolvimento harmônico e
equilibrado assim como o ótimo aproveitamento dos grandes recursos da região e
assegurará sua preservação para as gerações futurasatravés da utilização racional dos
aludidos recursos;
CONSIDERANDO também que os Chanceleres aprovaram um Estatuto para o Comitê
Intergovernamental Coordenador dos Países da Bacia do Prata;
DECIDIRAM subscrever o presente Tratado para assegurar a institucionalização do
sistema da Bacia do Prata e, para esse fim, designaram seus Plenipotenciários, que
convieram no seguinte:
ARTIGO I
As partes contratantes convêm em conjugar esforços com o objeto de promover o
desenvolvimento harmônico e a integração física da Bacia do Prata e de suas áreas de
influência direta e ponderável.
Parágrafo único - Para tal fim promoverão, no âmbito da Bacia, a identificação de
áreas de
interesse comum e a realização de estudos, programas e obras, bem como a
formulação de entendimentos operativos ou instrumentos jurídicos que estimem
necessários e que propendam:
a. À facilitação e assistência em matéria de navegação.
b. À utilização racional do recurso água, especialmente através da regularização dos
cursos
d''''água e seu aproveitamento múltiplo e equitativo.
c. À preservação e ao fomento da vida animal e vegetal.
d. Ao aperfeiçoamento das interconexões rodoviárias, ferroviárias, fluviais, aéreas,
elétricas
e de telecomunicações.
e. À complementação regional mediante a promoção e estabelecimento de indústrias
de interesse para o desenvolvimento da Bacia.
f. À complementação econômica de áreas limítrofes.
g. À cooperação mútua em matéria de educação, saúde e luta contra as enfermidades.
h. À promoção de outros projetos de interesse comum e em especial daqueles que se
relacionam com o inventário, avaliação e o aproveitamento dos recursos naturais da
área.
i. Ao conhecimento integral da Bacia do Prata.
ARTIGO II
Os Ministros das Relações Exteriores dos Países da Bacia do Prata reunir-se-ão uma
vez por
ano, em data que será sugerida pelo Comitê Intergovernamental Coordenador, a fim
de traçar diretrizes básicas da política comum para a consecução dos propósitos
estabelecidos neste Tratado; apreciar e avaliar os resultados obtidos; celebrar
consultas sobre a ação de seus respectivos Governos no âmbito do desenvolvimento
multinacional integrado da Bacia; dirigir a ação do Comitê Intergovernamental
Coordenador e, em geral, adotar as providências necessárias ao cumprimento do
presente Tratado
através das realizações concretas por ele requeridas.
Parágrafo 1. Os Ministros das Relações Exteriores poderão reunir-se em sessão
extraordinária, mediante convocação efetuada pelo Comitê Intergovernamental
Coordenador por solicitação de pelo menos três das Partes Contratantes.
Parágrafo 2. Se excepcionalmente o Ministro das Relações Exteriores de uma das
Partes
Contratantes não puder comparecer a uma reunião, ordinária ou extraordinária, far-seá
representar
por um Delegado Especial.
Parágrafo 3. As decisões tomadas em reuniões efetuadas em conformidade com este
Artigo
requererão sempre o voto unânime dos cinco países.
ARTIGO III
Para os fins do presente Tratado, o Comitê Intergovernamental Coordenador é
reconhecido como o órgão permanente da Bacia, encarregado de promover, coordenar
e acompanhar o andamento das ações multinacionais, que tenham por objeto o
desenvolvimento integrado da Bacia do Prata, e da assistência técnica e financeira que
promova com o apoio dos organismos internacionais que estime convenientes, bem
como de executar as decisões que adotem os Ministros das Relações Exteriores.
Parágrafo 1. O Comitê Intergovernamental Coordenador se regerá pelo Estatuto
aprovado na segunda Reunião de Chanceleres dos Países da Bacia do Prata, celebrada
em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, de 18 a 20 de maio de 1968.
Parágrafo 2. Em reunião extraordinária, para tal fim especialmente convocada,
poderão os
Ministros das Relações Exteriores, sempre pelo voto unânime dos cinco países,
reformar o Estatuto do Comitê Intergovernamental Coordenador.
ARTIGO IV
Sem prejuízo das disposições internas de cada país, serão órgãos de cooperação e
assessoramento dos Governos as Comissões ou Secretarias nacionais, constituídas de
conformidade com a Declaração Conjunta de Buenos Aires. As Comissões ou
Secretarias poderão estabelecer contatos bilaterais, obedecendo sempre aos critérios e
normas dos países interessados e disso mantendo devidamente informado, quando for
o caso, o Comitê Intergovernamental Coordenador.
ARTIGO V
A ação coletiva entre as Partes Contratantes deverá desenvolver-se sem prejuízo dos
projetos e empreendimentos que decidam executar em seus respectivos territórios,
dentro do respeito ao direito internacional e segundo a boa prática entre nações
vizinhas e amigas.
ARTIGO VI
O estabelecido no presente Tratado não impedirá as Partes Contratantes de concluir
acordos
específicos ou parciais, bilaterais ou multilaterais, destinados à consecução dos
objetivos gerais de
desenvolvimento da Bacia.
ARTIGO VII
O presente Tratado denominar-se-á Tratado da Bacia do Prata e terá duração ilimitada.
ARTIGO VIII
O presente Tratado será ratificado pelas Partes Contratantes e os Instrumentos de
Ratificação serão depositados junto ao Governo da República Federativa do Brasil.
Parágrafo 1. O presente Tratado entrará em vigor trinta dias depois de depositados os
Instrumentos de Ratificação de todas as Partes Contratantes.
Parágrafo 2. Enquanto as Partes Contratantes procedam à ratificação do presente
Tratado e ao depósito dos Instrumentos de Ratificação, na ação multinacional
empreendida para o desenvolvimento da Bacia do Prata, sujeitar-se-ão ao acordado na
Declaração Conjunta de Buenos Aires e na Ata de Santa Cruz de la Sierra.
Parágrafo 3. A intenção de denunciar o presente Tratado será comunicada por uma
Parte Contratante às demais Partes Contratantes pelo menos noventa dias antes da
entrega formal do Instrumento de Denúncia ao Governo da República Federativa do
Brasil. Formalizada a denúncia, os efeitos do Tratado cessarão, para a Parte
Contratante denunciante, no prazo de um ano.
EM FÉ DO QUE, os Plenipotenciários abaixo-assinados, depois de haver depositado
seus plenos poderes, encontrados em boa e devida forma, firmam o presente Tratado.
FEITO na cidade de Brasília, aos vinte e três dias do mês de abril do ano mil
novecentos e sessenta e nove, em um só exemplar, nos idiomas português e espanhol,
o qual ficará depositado nos arquivos do Ministério das Relações Exteriores do Brasil,
que fornecerá cópias autênticas aos demais países signatários.