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27/03/2021 | domtotal.com

O ódio que isolou o Brasil do mundo

Funcionário do governo faz manifesto de cólera fascista no Congresso, em rede nacional

Felipe Martins posa ao lado de integrantes da 'realidade paralela': Jair Bolsonaro, Olavo de Carvalho e Donald Trump
Felipe Martins posa ao lado de integrantes da 'realidade paralela': Jair Bolsonaro, Olavo de Carvalho e Donald Trump

Marco Lacerda*

Os ingênuos senadores brasileiros entenderam o gesto de Filipe Martins, conselheiro do governo federal para assuntos internacionais, como um sinal indecoroso. O episódio ocorreu na quarta-feira, 24, durante pronunciamento do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. Com dissimulação de malaco de boca-de-fumo, Martins estava acenando para os discípulos da seita de extrema direita que integram a base de apoio de Jair Bolsonaro – um culto onde são figuras proeminentes o chanceler Ernesto Araújo, o ex-ministro Abraham Weintraub, os filhos 01, 02 e 03, todos obedientes à cartilha da supremacia branca, esquecendo-se de que nem brancos são, mas pobres tupiniquins.

Ao contrário do que pensaram os desinformados senadores, o gesto não significava um mero ‘vai tomar no...’. Dentro do Senado brasileiro, pelas costas do presidente da casa, Filipe Martins mandava o recado do chefe maior aos seguidores da seita, o mesmo gesto usado pelos discípulos de Donald Trump para convocar a invasão do Capitólio em janeiro. O símbolo desenhado com os dedos por Martins tem um significado mundialmente conhecido: ódio.

Como se não bastasse, na quinta-feira, em entrevista à rádio Jovem Pan, o secretário-geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, deu uma explicação bastante exótica sobre por que, segundo ele, o lockdown “não funciona” contra a Covid: “Alguém consegue impedir que, nas áreas urbanas, o passarinho, o cão de rua, o gato, o rato, a pulga, a formiga, o inseto —eles se locomovam? Alguém consegue fazer o lockdown dos insetos?”, indagou o ministro. “É óbvio que não. E todos eles transportam o vírus”.

Enquanto Lorenzoni dava suas explicações bizarras, provavelmente escondido em alguma caverna, em São Leopoldo, RS, um grupo de apoiadores de Bolsonaro realizava ato em frente à Prefeitura, contra o lockdown e pelo ‘tratamento precoce’. Imagens que circulam nas redes sociais mostram os manifestantes batendo continência para uma caixa gigante de cloroquina.

Em resumo, até agora pouco se fez e muito se sabotou, erros não foram reconhecidos, nem responsabilidades assumidas: e daí, o que querem que eu faça? Não se quis tomar conhecimento da falta de oxigênio nos hospitais, mas se fez questão de debochar da falta de ar de quem morria nas filas. Deboche em imagens gravada e disseminadas, alto e bom som, por quem, com escárnio desumano, já causou mais de 300 mil mortes e segue demonstrando o mais repulsivo desprezo pela vida.

*Marco Lacerda é jornalista, escritor e Editor Especial do Dom Total

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