Religião

17/08/2018 | domtotal.com

Juventudes e sensibilidade religiosa

A sede pelo infinito e o desejo de uma vida cheia de significados e de sentido são situações que as juventudes vivem.

Jovens saúdam papa Francisco durante a Jornada Mundial da Juventude em Cracóvia.
Jovens saúdam papa Francisco durante a Jornada Mundial da Juventude em Cracóvia. (AP)

Por Felipe Magalhães Francisco*

As juventudes fazem parte importante do interesse das religiões. As religiões proselitistas, sobretudo, têm investido e pensado em estratégias para atrair jovens para suas fileiras. Há uma variedade de novas congregações cristãs, com uma dimensão mais jovial, para atrair justamente esse público. As igrejas cristãs mais tradicionais, se querem alcançar as juventudes, precisam entrar numa dinâmica criativa, pois como instituições, elas são apenas mais uma opção no variado leque de possibilidades disponíveis no mundo.

A participação e a pertença religiosas já não são mais pressupostas, por influências familiares. Já na adolescência, a busca por autonomia se mostra evidente e as opções religiosas são feitas, em geral, independentes das posições familiares. A juventude é justamente o momento em que o mundo se descortina como possibilidade: não uma possibilidade na qual os pais decidem quais caminhos os filhos devem trilhar, mas é ocasião em que o assumir a própria vida é uma exigência que faz parte do processo do amadurecimento pessoal.

A secularização não extinguiu a sensibilidade religiosa. Ao contrário, trouxe novas possibilidades de que as pessoas vivam a religiosidade de maneira mais autônoma e criativa. As instituições religiosas continuam a ter importância, mas, de modo geral, já não têm a mesma influência sobre a vida das pessoas. O desejo de autonomia do sujeito moderno alcançou, também na religião, seu lugar: o ser humano pós-moderno vive, criativamente, sua religiosidade, muitas vezes, aquém da religião instituída. As juventudes, sobretudo, experimentam esse novo modo de viver a dimensão religiosa, muitas vezes até sem Deus, mas não menos interessada no mergulho profundo com o próprio interior e na descoberta de novas possibilidade de ser.

Trazendo um olhar mais analítico para o contexto em que vivemos, Gustavo Ribeiro propõe o artigo Juventude(s) com fé; com religião, talvez. No texto, o autor propõe um olhar sobre a realidade atual, que oferece uma surpreendente gama de opções de experiências religiosas. Nascidas nesse “novo mundo” pós-moderno, as juventudes são as que mais revelam essa variedade de experiências e expressões religiosas, muitas vezes de modo desinstitucionalizado, ao mesmo tempo em que são um extrato social que questionam, permanentemente, as religiões, sobretudo as majoritárias, em suas estruturas e dogmas. Pertencer ou não a essas tradições religiosas diz muito mais das respostas que elas são capazes de oferecer às juventudes, que uma questão de escolha ou fé, simplesmente.

A sede pelo infinito e o desejo de uma vida cheia de significados e de sentido são situações que as juventudes vivem, e que as religiões podem contribuir com uma oferta responsável. Uma coisa a ser levada em conta é que os jovens buscam construir, ativamente, a própria vida, e nenhuma instituição, tampouco as religiosas, podem se assumir no direito de assumir esse papel. As religiões têm uma proposta a ser oferecida e essa proposta precisa fazer sentido aos apelos mais profundos das juventudes, sem a tentação de alienar o justo direito de que trilhem os próprios caminhos.

Também as religiões têm muito a aprender com as juventudes e essa é uma coisa que não se deve desconsiderar. O mundo não está acabado e as juventudes são expressão dessa construção do mundo e da história. Nessa perspectiva, entrevistamos duas jovens, a respeito de suas sensibilidades religiosas e que nos apontam, de certo modo, o contexto sociocultural no qual estamos inseridos, no contexto da temática juventudes e sensibilidade religiosa em nossa contemporaneidade. Numa perspectiva inside, isto é, desde um olhar de quem está integrada a uma tradição religiosa, entrevistamos Elisa Kemmer: “Em tudo o que faço, procuro ser a presença de Cristo”. A segunda entrevista, agora na perspectiva outide, temos a conversa “Só posso rezar ao que desconheço”, feita com Diana Guerzoni.

Boa leitura!

*Felipe Magalhães Francisco é teólogo. Articula a Editoria de Religião deste portal. É autor do livro de poemas Imprevisto (Penalux, 2015). E-mail: felipe.mfrancisco.teologia@gmail.com.

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