Meio Ambiente

10/05/2019 | domtotal.com

Monsanto reuniu dados sobre personalidades francesas por posição sobre pesticidas

É comercializado sob diversas marcas, sendo a mais conhecida a Roundup da Monsanto.

Garrafas do pesticida Roundup, da Monsanto, expostas em uma loja em Glendale, Califórnia, 19 de junho de 2018.
Garrafas do pesticida Roundup, da Monsanto, expostas em uma loja em Glendale, Califórnia, 19 de junho de 2018. (AFP)

O grupo americano Monsanto teria reunido secretamente informações de centenas de personalidades - jornalistas, políticos e cientistas - na França em função de sua posição sobre os pesticidas, especialmente o glifosato, usando às vezes dados privados, revelou nesta quinta-feira (9) a emissora France 2 em uma investigação.

A emissora informou ter recebido arquivos digitais "confidenciais" com a assinatura de agências de comunicação que trabalham para o grupo Monsanto, filial desde o ano passado da gigante química alemã Bayer.

O glifosato, o herbicida mais utilizado no mundo, é considerado um "provável cancerígeno" desde 2015 pelo Centro Internacional de Pesquisas sobre o Câncer, uma agência da Organização Mundial da Saúde (OMS). É comercializado sob diversas marcas, sendo a mais conhecida a Roundup da Monsanto.

Um primeiro documento, que data de 2016 e traz a logo da Monsanto e da gigante francesa da publicidade Publicis, classifica os principais atores do debate sobre os pesticidas na França em função de seu grau de influência.

Uma segunda agência de comunicação, a Fleishman Hillard, "teria utilizado em 2016 outro arquivo", que reúne especialmente os endereços particulares ou os números de telefone na lista vermelha de 200 personalidades.

Estes últimos foram "avaliados sobre várias temáticas, de OGM [organismos geneticamente modificados] a pesticidas com notas de 0 a 5 em função da credibilidade, influência e o grau de apoio à Monsanto", diz a reportagem.

Em outro documento, uma tabela aponta 74 "objetivos prioritários" divididos em quatro grupos: os "aliados", os "potenciais aliados para recrutar", as personalidades "a educar" e aquelas "a vigiar".

"É uma descoberta muito importante porque isto prova que há estratégias objetivas de demolição de vozes fortes", comentou na reportagem da France 2 a ex-ministra do Meio Ambiente Ségolène Royal, então classificada como pessoa "a vigiar", por sua inclinação a proibir o glifosato.


AFP

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