Direito

14/05/2019 | domtotal.com

Justiça autoriza quebra de sigilos de Flávio Bolsonaro e do ex-assessor Fabrício Queiroz

A quebra dos sigilos, que também atinge a mulher de Flávio, uma empresa do senador, bem como a esposa e filha de Queiroz, vai de 2008 a 2017.

Decisão atende a pedido do Ministério Público do Rio de Janeiro, que afirmou que senador se ‘esforça’ para interromper investigação.
Decisão atende a pedido do Ministério Público do Rio de Janeiro, que afirmou que senador se ‘esforça’ para interromper investigação. (Reuters)

Por Rodrigo Viga Gaier

Rio de Janeiro - O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro, e do ex-assessor parlamentar do hoje senador Fabrício Queiroz, disseram fontes com conhecimento do assunto à Reuters nessa segunda-feira. Segundo essas fontes, que falaram sob condição de anonimato pois o processo corre sob sigilo, os sigilos da mulher de Flávio e de uma empresa do senador, assim como da esposa e da filha de Queiroz também foram quebrados.

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A assessoria de imprensa do senador confirmou que ele, sua mulher e a empresa de que é dono tiveram os sigilos quebrados. A quebra dos sigilos vale para o período entre 2008 e 2017. Outros 88 funcionários ou ex-funcionários do gabinete de Flávio Bolsonaro, da época em que ele era deputado estadual no Rio de Janeiro, também terão seus dados bancários analisados. Entre eles estão Danielle Nóbrega e Raimunda Magalhães, irmã e mãe do ex-PM Adriano Magalhães da Nóbrega, apontado como um dos líderes do Escritório do Crime, uma das principais milícias do Rio.

Queiroz passou a ser investigado por movimentações atípicas em sua conta bancária identificadas pelo Conselho de Controle da Atividade Financeira (Coaf) durante uma operação da Lava Jato que teve como alvo deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro acusados de receberem propina no esquema do ex-governador do Rio Sérgio Cabral. Segundo dados do Coaf, Queiroz, que foi assessor parlamentar do Flavio Bolsonaro na época em que o atual senador era deputado estadual, teria movimentado em sua conta mais de 1 milhão de reais.

Queiroz disse em entrevistas que fazia "rolo" na compra e venda de carros, mas o Ministério Público do Rio de Janeiro alega que aos movimentações eram complexas e que não havia prova documental das operações de compra e venda de carros. O ex-assessor também chegou a declarar que administrava os recursos da família e que o dinheiro ganho passava por sua conta.

A defesa de Queiroz minimizou a decisão do TJ do Rio nessa segunda. "A defesa de Fabrício Queiroz e família recebe a notícia com tranquilidade, uma vez que seu sigilo bancário já havia sido quebrado e exposto por todos os meios de comunicação, sendo, portanto, mera tentativa de dar aparência de legalidade a um ato que foi praticado de forma ilegal", disse o advogado de Queiroz , Paulo Klein.

O senador Flávio Bolsonaro adotou a mesma linha da defesa do ex-assessor para comentar a quebra dos sigilos e destacou que o sigilo bancário já havia sido quebrado ilegalmente pelo MP do Rio de Janeiro sem autorização judicial. "Tanto é que informações detalhadas e sigilosas de minha conta bancária, com identificação de beneficiários de pagamentos, valores e até horas e minutos de depósitos, já foram expostas em rede nacional após o chefe do MPRJ, pessoalmente, vazar tais dados sigilosos", disse o senador em nota oficial

"Somente agora, em maio de 2019 - quase um ano e meio depois - tentam uma manobra para esquentar informações ilícitas, que já possuem há vários meses?, acrescentou. Flávio garantiu não ter cometido nenhum desvio e avaliou que as investigações visam atingir o governo de seu pai. "A verdade prevalecerá, pois nada fiz de errado e não conseguirão me usar para atingir o governo de Jair Bolsonaro", finalizou.

O porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, esquivou-se de comentar nessa segunda a quebra de sigilo de Flávio e do ex-assessor. Ele negou que o presidente tenha se referido à medida judicial na sexta-feira passada, dia 10, ao citar a vinda de um "tsunami" para o governo. "O presidente deveria ser vidente para, falando de tsunami na semana passada, identificar que seria alguma coisa referente à quebra de sigilo do senador Flávio Bolsonaro", afirmou Rêgo Barros.


Reuters/Agência Estado/Dom Total

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