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21/05/2019 | domtotal.com

Eleições europeias e os populistas

Os partidos tradicionais, sacudidos também pelos populistas da extrema-direita, que pipocam em quase todos os países, estão mais ativos em suas campanhas. Por que isto?

Os países europeus já descobriram uma coisa importantíssima para eles, tanto no fator econômico, como na defesa do continente: que a União Europeia é de extrema importância.
Os países europeus já descobriram uma coisa importantíssima para eles, tanto no fator econômico, como na defesa do continente: que a União Europeia é de extrema importância. (Pixabay)

Por Lev Chaim*

Nesta próxima quinta-feira (23), vão ocorrer as eleições para o Parlamento Europeu. Para os não familiarizados com o assunto, esse Parlamento é que acaba decidindo as coisas dentro da União Europeia (UE), formada por 28 países do continente. Portanto, não é pouca coisa, apesar de que muitos europeus não se dão o trabalho de ir às urnas para votar. 

Na Holanda, depois do total desastre da história do Brexit britânico, os políticos estão tentando chamar a atenção para a importância do voto nessas eleições. Os partidos tradicionais, sacudidos também pelos populistas da extrema-direita, que pipocam em quase todos os países, estão mais ativos em suas campanhas. Por que isto? Uma razão simples: populista, seja de direita ou de esquerda, não tem programa, mas tem um bode expiatório para culpar por tudo de ruim que ocorre em seus países. Desta vez a UE é o bode expiatório deles.   

Isto me assusta um pouco, pois os populistas não sabem trabalhar em democracia e a coisa acaba sempre virando uma ditadura. Um exemplo disso é o regime venezuelano de Maduro, protegido por um contingente de militares cubanos, que impedem que o exército local opte pelo bem da nação e não do ditador. Na Europa, os populistas estão sendo financiados por forças ‘invisíveis’ e visíveis. As forças "invisíveis", por exemplo, são as fábricas de notícias falsas do governo russo de Vladimir Putin. Ele espalha mentiras pela mídia social no continente e acaba por influenciar os incautos. Mesmo por que, ela acaba de receber um bando de populistas europeus na Rússia, entre eles, o holandês Geert Wilders, a francesa Marine Le Pen e o italiano Matteo Salvini que, como Putin, também querem o fim da União Europeia.  

Já o antigo conselheiro estratégico do presidente Trump, Steve Bannon, está lançando um curso para treinamento de populistas europeus, em um mosteiro no centro da Itália — mosteiro de Certosa de Trisulti, muito próximo de Roma. Ele faz parte das forças visíveis que se intrometem na política europeia. Ele denomina os alunos que ali estarão fazendo os cursos de “gladiadores” que irão lutar contra as "coisas ruins" na Europa Ocidental. Suas palavras: “A secularização da sociedade; a ameaça islamita; uma elite que se beneficia da globalização e que perdeu o contato com as vítimas dessa mesma globalização; e a não controlada imigração de africanos”. Um cardápio atraente para um cérebro perturbado como o de Steve Bannon, que apoia grupos racistas e antissemitas da extrema-direita nos Estados Unidos. Ele se diz contra a globalização e está querendo globalizar o populismo. Não entendo. Como também não aceito ele se meter com a política interna da União Europeia. Se algum estrangeiro for fazer isso nos Estados Unidos, com certeza, será barrado.  

Qual o interesse desse homem, com um caixa substancial, vir até aqui e tentar persuadir os europeus de que a sua sociedade não está bem?  A única coisa que me vem a mente é uma só: destruir a União Europeia, formada por 28 países, até então, já que a Grã-Bretanha ainda faz parte. Não me ocorre outra coisa. Até parece que Bannon ainda trabalha para Trump embaixo da mesa. Esse homem, vir até aqui, gastar essa grana sagrada, para melhorar a sociedade europeia? Vá contar esse conto de carochinha para outro. Mesmo porque, os europeus também não querem isso. Há alguns dias, na Alemanha, ocorreu uma grande marchar que movimentou milhares de pessoas favoráveis à União Europeia.

Os países europeus já descobriram uma coisa importantíssima para eles, tanto no fator econômico, como na defesa do continente: que a União Europeia é de extrema importância. Portanto, europeus, não se deixem cegar pelos argumentos dos populistas que querem o fim desta união, como também Putin, Trump e talvez a China que, cada vez mais, propaga a sua influência no mundo. E você leitor, concorda comigo?

*Lev Chaim é jornalista, colunista, publicista da FalaBrasil e trabalhou mais de 20 anos para a Radio Internacional da Holanda, país onde mora até hoje. Ele escreve todas as terças-feiras, para o Dom Total.

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*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC.
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