Meio Ambiente

23/05/2019 | domtotal.com

Plâncton migra para o norte devido à mudança climática


Nesta imagem da Nasa, o fitoplâncton floresce na costa atlântica da Patagônia, em 21 de dezembro de 2010
Nesta imagem da Nasa, o fitoplâncton floresce na costa atlântica da Patagônia, em 21 de dezembro de 2010 (NASA/AFP/Arquivos)

O plâncton do hemisfério norte tende a migrar mais para o norte devido ao aquecimento global, mostra um estudo publicado nesta quarta-feira (22) na revista Nature dedicado a estes micro-organismos na base da cadeia alimentar oceânica.

"Não é uma boa notícia para os ecossistemas marinhos", afirma Lukas Jonkers, o autor principal, pesquisador da universidade alemã de Bremen.

"Empurramos os ecossistemas marinhos, ou ao menos este grupo de zooplâncton, para longe de seu estado natural, e é muito preocupante: isto significa que, inclusive se conseguirmos manter o aquecimento abaixo de 1,5ºC (...), os ecossistemas do planeta provavelmente serão profundamente afetados".

A equipe estudou o caso dos foraminíferos planctônicos, micro-organismos unicelulares dotados de um revestimento rígido e resistente. Um invólucro que cai no fundo do mar quando morrem, e permite aos cientistas guardar durante séculos o rastro destas populações nas diversas regiões do mundo.

Os pesquisadores compararam amostras recentes (1978-2013) com outras provenientes de sedimentos oceânicos de séculos atrás.

O resultado dá amostras recentes parecidas com as antigas coletadas em mares mais ao sul, o que sugere que o plâncton migrou para o norte quando a temperatura da água estava aumentando.

"Tudo se moveu para o norte", diz Jonkers à AFP. "Em um certo lugar ainda se encontrará muitas espécies diferentes, mas agora vemos que este conjunto se compõe de espécies que preferem as águas mais quentes".

Por exemplo, as espécies detectadas atualmente perto da Groenlândia, anteriormente evoluíam mais para o sul, a julgar pelos sedimentos que datam da era pré-industrial.

No total, foram analisadas cerca de 4.000 amostras, de diversas áreas do hemisfério norte.

A situação no hemisfério sul não foi analisada neste estudo, mas para Lukas Jonkers, o padrão é similar.

"Onde as temperaturas mudaram mais, as espécies mudaram mais", diz, falando de um ritmo de mudança gradual.

Segundo ele, até agora nada demonstra uma extinção de espécies.

Por outro lado, tanto o plâncton como a fauna que se baseia neste alimento poderão estar em risco se não se adaptarem rápido o suficiente para sobreviver ao novo entorno e coexistir com outras espécies.

Este estudo se soma a outros que mostram o impacto do aquecimento dos oceanos e suas populações. Na Antártica, as focas e as baleias tiveram que mudar seus hábitos alimentares, segundo estudos publicados em março.


AFP

EMGE

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