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13/08/2019 | domtotal.com

Peregrinação a Meca ganha requintes de luxo com hotéis VIPS

Os hotéis mais opulentos da Meca se concentram dentro ou perto do vasto complexo de arranha-céus Abraj Al Bait (Torres Kaaba), inaugurado em 2012.

Muçulmanos rezam e leem o Corão em um hotel de luxo em Meca, em 8 de agosto de 2019
Muçulmanos rezam e leem o Corão em um hotel de luxo em Meca, em 8 de agosto de 2019 (AFP)

Hotéis de luxo com vista para a sagrada Kaaba tornam a peregrinação a Meca mais "VIP", pois atraem muçulmanos ricos que não poupam recursos para visitar a cidade santa.

Mármores brilhantes, madeiras preciosas, luminárias enormes: os hotéis de luxo em Meca respeitam todos os padrões tradicionais desse nicho.

Mas seu principal atrativo é outro: "Dispomos de três salas de oração com vista para a Kaaba", comenta orgulhoso o gerente de um estabelecimento.

A Kaaba, o santuário mais sagrado do islã, é uma estrutura cúbica envolvida por um tecido preto bordado em ouro, localizada no coração da Grande Mesquita. Os muçulmanos do mundo todo oram em direção a ela cinco vezes por dia.

"Os clientes sonham ver a Kaaba durante as 24 horas do dia", destaca o gerente, enquanto em uma sala de oração no 29º andar os homens observam com devoção este santuário do hajj, a grande peregrinação a Meca.

Cerca de 2,5 milhões de fiéis do mundo todo participam este ano (9-14 de agosto) desta concentração religiosa, um dos cinco pilares do islã.

"Arquitetura pomposa"

Mas este não é o único estabelecimento com vista para o "lugar mais sagrado do islã". Outros hotéis de luxo ocupam arranha-céus construídos nos últimos anos perto dos locais da peregrinação, com frequência também com vista "panorâmica".

Todos sem exceção estão lotados durante o hajj, e também para a peregrinação de 2020. O preço médio de um quarto ultrapassa 1.000 dólares por dia em alta temporada.

Os hotéis mais opulentos da Meca se concentram dentro ou perto do vasto complexo de arranha-céus Abraj Al Bait (Torres Kaaba), inaugurado em 2012.

Lá se encontra um dos arranha-céus mais altos do mundo, com seu enorme relógio, 35 vezes maior que o Big Ben londrino.

Construído pelo grupo Binladin (da família do fundador da Al-Qaeda), está localizado onde antes havia a histórica fortaleza otomana de Ajyad, cuja demolição provocou uma crise diplomática entre a Arábia Saudita e a Turquia.

"Estima-se que 95% dos edifícios milenares da cidade sagrada foram demolidos para construir esta erupção de arquitetura pomposa", lamenta o intelectual Ziaudin Sardar em seu livro "História de Meca".

Outras obras foram realizadas em locais sagrados, como a ampliação da Grande Mesquita para comportar mais fiéis.

"Turismo sagrado"

Muitas agências de viagem oferecem oferecem pacotes "VIP" para uma "peregrinação excepcional", com "quarto com vista para a Kaaba", por milhares de dólares. "Algumas agências de viagens os oferecem por até 25.000 dólares", segundo um funcionário do governo saudita.

"A peregrinação se torna um fenômeno do turismo sagrado que inclui um conjunto de serviços prontos para o uso", indicou o acadêmico Luc Chantre, autor de obras sobre a história contemporânea de Meca.

"A expansão das infraestruturas de Meca ocorre paralelamente a atividades de lazer mais 'profano', como as compras, o turismo cultural ou a visita a espaços naturais", acrescentou.

O reino, bastante fechado para o mundo até agora, transformou o turismo em um pilar de seu programa de reformas, cujo objetivo é reduzir a dependência do petróleo.

Lançou um projeto para transformar meia centena de ilhas do mar Vermelho em praias de luxo, assim como a construção de uma cidade de lazer em Riade.

No entanto, este país com códigos sociais muito estritos, é considerado por muitos um destino turístico pouco provável.

Por outro lado, Riade planeja atrair cerca de 30 milhões de peregrinos por ano até 2030, para o hajj ou a pequena peregrinação (umrah), que pode ser realizada em qualquer época do ano. Este turismo arrecada bilhões de dólares por ano.

Mas os peregrinos não estão todos no mesmo barco: milhares deles se amontoam em quartos lotados, em condições higiênicas precárias.


AFP

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