Religião

17/10/2019 | domtotal.com

Igreja no Haiti pede socorro

Igreja fala em 'estado de guerra fratricida' e apela às orações de todos porque o país 'está morrendo'

Motins no Haiti após eleições gerais em 2010.
Motins no Haiti após eleições gerais em 2010. (Digital Democracy)

É preciso agir sem demora para salvar o Haiti. A situação no país está se degradando a cada dia que passa e é necessário tomar medidas para salvar as pessoas perante o aumento da violência dos protestos, o custo de vida e a escassez de alimentos.

D. Désinord Jean, bispo de Hinche, denunciou à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) a situação de caos que se vive neste país que é o mais pobre das Américas e um dos mais pobres do mundo. Ao telefone, o prelado descreveu uma situação devastadora com manifestações cada vez mais violentas que estão a paralisar a vida nas cidades.

“As pessoas não podem sair para a rua. Estamos trancados em casa. Todas as estradas estão bloqueadas, mesmo em casos urgentes, ambulâncias ou viaturas de emergência não podem circular. Não temos combustível. Os mercados não funcionam. Todas as escolas foram encerradas. Esta situação afeta todo o país.”

O Haiti vive uma onda de contestação contra a inoperância da classe dirigente que não consegue inverter o ciclo de pobreza que se tem acentuado com uma inflação que chega já aos vinte por cento ao ano. A capital haitiana, Port au Prince, tem sido palco de enormes manifestações em que se pede a saída do presidente Jovenel Moïse.

Neste contexto, as palavras do bispo de Hinche, ganham um relevo particular. Já anteriormente, no final de Setembro, a Conferência Episcopal do Haiti endossava, em carta aberta, a responsabilidade pelo caos reinante à classe política e afirmava que se vivia num “estado de guerra fratricida”.

As manifestações violentas que têm tomado conta das ruas da capital do Haiti são também sinal de desnorte. Como explica D. Désinord Jean à AIS, “destruir o país não é solução”. “Provavelmente é uma maneira de expressar frustração, mas não é a solução. Temos que encontrar uma maneira de dialogar.”

A situação que se vive no Haiti tem vindo a agravar-se com uma série de desastres naturais absolutamente devastadoras. Após o terrível terramoto de 2010, que causou uma destruição ímpar em Port au Prince, o Haiti enfrentou ainda a passagem do furacão Matthew, em 2016, e está a braços ainda com uma epidemia de cólera.

O alto nível de desemprego é apenas um elemento mais nesta situação extremamente grave. Diz o prelado que “80% das pessoas estão desempregadas”, e como o Haiti é um país com uma população essencialmente jovem, mais de 65%, isso agrava o sentimento de frustração das pessoas. “A pobreza extrema tira toda a esperança”, diz D. Désinord.

Neste contexto, o bispo de Hinche apela aos cristãos em todo o mundo, através da Fundação AIS, para não se esquecerem do seu país. “Quero agradecer à AIS e a todos os seus benfeitores pelo apoio ao Haiti ao longo dos anos. Têm sido muito generosos e sabemos que amam o nosso país. Agora precisamos das vossas orações. Por favor, rezem por nós… Este país está a morrer. Sabemos que Deus está connosco, mas, às vezes podemos sentir-nos desencorajados. Precisamos de sentir o apoio das vossas orações. ”


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