Brasil

27/11/2020 | domtotal.com

PF encontra ouro durante operação contra garimpo ilegal na Terra Yanomami

Dupla suspeita de ser responsável pelo garimpo, segundo a PF, recrutava e gerenciava garimpeiros e mergulhadores

Três mandados de busca e apreensão miraram em garimpeiros e suspeitos de atuar em rede de recrutamento
Três mandados de busca e apreensão miraram em garimpeiros e suspeitos de atuar em rede de recrutamento (Divulgação/PF)

Foi deflagrada nesta quinta-feira (26) a operação Rêmora, da Polícia Federal (PF) de Roraima, que investiga suspeitos de envolvimento com o garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami. Foram três mandados de busca e apreensão contra um garimpeiro e dois suspeitos de atuar "recrutando e gerenciando garimpeiros e mergulhadores" e enviando insumos para abastecer a mineração ilegal na região. Os nomes não foram divulgados. 

Nas buscas na capital Boa Vista, policiais federais apreenderam ouro escondido numa lixeira, dinheiro, anotações referentes ao garimpo, peças de maquinário e até mercúrio, metal altamente tóxico usado na mineração. Além de possuir maquinário e balsas para explorar o ouro na região, dois dos suspeitos, segundo a PF, também eram responsáveis pela logística de acesso aos garimpos ilegais.

Segundo a polícia, as investigações contra o grupo começaram em 2018 quando o Exército flagrou um caminhão levando pessoas e mantimentos para as margens do Rio Uraricoera, onde há intensa mineração ilegal na Terra Yanomami, localizada nos estados de Roraima e do Amazonas. Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara da Justiça Federal em Roraima.

Em julho, o Ministério Público Federal conseguiu uma liminar que determinou que a União providenciasse a retirada dos garimpeiros da região como forma de combater a pandemia do novo coronavírus entre os indígenas.

No dia 3 de julho, o desembargador Jirair Aram Meguerian, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), deu um prazo de 15 dias para que o governo federal fizesse um plano emergencial que incluísse a retirada dos garimpeiros.

No mesmo dia, o vice-presidente Hamilton Mourão recebeu o líder indígena Dário Yanomami, da Hutukara Associação Yanomami, em Brasília e prometeu a desintrusão dos 20 mil garimpeiros que operam ilegalmente na região, o que tampouco ocorreu.

Prisões e apreensões são rotineiras

Equipamento apreendido em operação no garimpo (Foto: Divulgação/PF)

A invasão de garimpeiros na Terra Yanomami se arrasta há décadas, mas se acelerou nos últimos anos. Por um lado, o valor do ouro cresce nos mercados internacionais e, por outro, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro (sem partido), em discursos inflamados, também promete a legalização do garimpo em áreas indígenas.

O resultado é explosivo. Em Roraima, já se tornaram quase corriqueiras as prisões e apreensões relacionadas ao garimpo ilegal. Na última sexta-feira (20), dois homens foram presos pela PF quando pousavam em uma área de garimpo ilegal. Eles tinham ouro e uma arma e um deles também já era procurado por envolvimento com uma facção criminosa.

No início do mês passado, outra operação foi deflagrada pela Polícia Federal para tentar prender suspeitos de envolvimento no assassinato de dois jovens Yanomami, ocorrido em junho. O principal acusado pelos crimes, o maranhense Eurivan Farias Lima, 36 anos, que teve a prisão decretada, ainda está foragido.

Em setembro, uma fiscalização da operação Verde Brasil apreendeu quatro aeronaves em uma fazenda em Caracaraí. Os aviões, segundo o Exército, estavam em um galpão com uma pista clandestina para pousos e decolagens rumo à Terra Yanomami. 

A Covid-19 também avança

Indígenas Yanomami em atendimento de combate à Covid-19 (Dsei Yanomami)

Não é apenas o garimpo ilegal que avança sobre os povos da Terra Yanomami. De acordo com o último boletim do Distrito Sanitário Yanomami (Dsei-Y), do Ministério da Saúde, até esta quinta-feira (26 de novembro) foram confirmados 1.087 casos de Covid-19 e nove óbitos entre os indígenas. Mas o número pode ser maior que o dado oficial. 

Um relatório divulgado na semana passada pela Rede Pró Yanomami e Ye’kuana, que é coordenada pela Huturaka Associação Yanomami (HAY), apontou que os casos de Covid-19 aumentaram 250%, saindo de 335 em agosto para 1.200 em outubro. O relatório também cita o número de mortos entre os Yanomami e Ye’kuana: 23, dos quais 10 foram confirmados pela Rede e 13 estão sob suspeita. 

O relatório associa a presença de garimpeiros como um vetor de transmissão do novo coronavírus, mas também ressalta que a Casa de Saúde Indígena (Casai) do Dsei-Y se converteu, logo nos primeiros meses da pandemia, no "principal foco de contaminação da Covid-19 entre os Yanomami". 

O documento integra a campanha #ForaGarimpoForaCovid que, segundo os organizadores, já reuniu mais de 436 mil assinaturas em prol da desintrusão dos garimpeiros ilegais da Terra Yanomami. 


Amazônia Real



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