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19/11/2021 | domtotal.com

Consumismo: a objetificação da pessoa

Sistema atual tem como objetivo reduzir os indivíduos a objetos de consumo

O ser humano se torna mercadoria de si mesmo quando passa a se relacionar com as pessoas em sua forma de consumir
O ser humano se torna mercadoria de si mesmo quando passa a se relacionar com as pessoas em sua forma de consumir Foto (Unsplash/Jingxi Lau)

Robert Henrique Sousa Dantas*

O consumismo pode ser pensado de modo amplo como consumir além do necessário para uma vida digna ou pode ser entendido como processo social de acesso a bens, serviços, experiências ou desejos para satisfação de necessidades.

Por muito tempo, tratar do consumo era algo proibido, pois estava relacionado com a prática do pecado ou da avareza, era algo restrito a certas elites da sociedade sendo tratado como algo moralmente errado. Com a revolução do consumo a partir do século XVII, nota-se uma mudança radical, principalmente na forma que o ser humano se relaciona com as coisas.

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O atual modelo de sociedade é considerado o do consumo. O sociólogo Zygmunt Bauman afirma que a passagem de uma sociedade de produtores, baseada no trabalho, na segurança e na estabilidade para a de consumidores baseada na criação constante de desejos, da liquidez das relações e no consumo é um dos principais aspectos do atual período.

Este novo modelo de sociedade entende que o ser humano quer se relacionar consigo mesmo através das roupas que vestem, das músicas que ouvem, formando, assim, a sua identidade. É justamente por isso que as pessoas sempre buscam ter as melhores roupas, as melhores marcas, o carro do ano, dentre outras coisas para que sejam valorizadas e bem vistas pela sociedade.

Um dos maiores problemas diante desse sistema é que a maioria das pessoas não têm acesso a determinadas formas de vestir, de falar, de se locomover e, diante desse atual contexto, nem ao menos acesso a uma alimentação de qualidade que é considerada uma forma de consumo necessária e justa.

Na sociedade de consumo, as pessoas que não têm acesso a esse tipo de coisas, geralmente, são mal vistas se tornando não desejadas para amizades ou relacionamentos e oportunidades na vida. Pois o seu caráter identitário deve ser visto pelas coisas que possuem e não pelo que realmente são em termos de essência.

Dessa forma, o ser humano se torna mercadoria de si mesmo quando passa a se relacionar com as pessoas em sua forma de consumir. Ou seja, a ideia de felicidade, as pessoas com quem querem estar e a forma de pensar estão o tempo todo condicionadas às formas de consumir que chegam através das mídias, das redes sociais e da televisão. São essas formas que a sociedade utiliza para impor a sua visão de mundo.

Infelizmente este sistema tem como objetivo reduzir os indivíduos a objetos de consumo que desejam e compram de modo repetitivo em busca da tão sonhada felicidade. A partir disso surge a crítica ao consumismo que questiona esse modelo, pois além de reduzir o ser humano, ele pode ter por efeito o esgotamento de recursos naturais uma vez que eles já são limitados.

Dessa forma, deve-se despertar na humanidade, por meio da educação, uma consciência que resulte em ações que materialize todos os fundamentos da sustentabilidade do ecossistema. O ser humano deve se ver como ser pertencente ao mundo natural e não como algo isolado e superior, em relação a ele.

*Graduado em Filosofia pelo Instituto São Tomás de Aquino (ISTA) em Belo Horizonte - MG e graduando em Direito pela Faculdade Arnaldo em Belo Horizonte ?" MG. E-mail: robertprados777@gmail.com.



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