Religião

16/11/2016 | domtotal.com

Igreja no Oriente: “testemunhos fixos de nossa fé”

Encerrou-se a visita do patriarca da Igreja Síria ao Brasil.

Rio de Janeiro - Esteve no Rio de Janeiro, nos dias 7 e 8 de novembro, o patriarca da Igreja Católica Siríaca, Ignace Youssif III Younan, na sua primeira visita ao Brasil. Entre os membros da comitiva, que foram hóspedes do Cardeal Orani João Tempesta, estavam o arcebispo da cidade de Homs, na Síria, Dom Teófilo Philipe Barakat.

O patriarca veio ao Brasil, especialmente, testemunhar a situação dos cristãos que sofrem com a guerra no Oriente Médio, motivar os católicos siríacos existentes no país e comemorar o centenário da Igreja do Sagrado Coração de Jesus dos Siríacos Católicos, em Belo Horizonte (MG).

No dia 7 de novembro, o patriarca esteve presente no Encontro dos Bispos das Grandes Cidades, realizado no Centro de Formação do Sumaré, no Rio Comprido, onde discorreu sobre a intolerância a que os cristãos são submetidos no Oriente Médio, uma vez que não existem leis que possam protegê-los.

“Todos os países árabes cristãos sofreram diversas perseguições e vivem como minoria. Tiro dessa regra o Líbano, que conseguiu manter um sistema de regime que protege a sociedade civil. Porém, os cristãos do Oriente Médio não possuem uma lei extra para defendê-los. Eles só querem viver os direitos humanos como qualquer indivíduo. Nós, cristãos, somos os primeiros a procurarem manter uma relação pacífica com as demais religiões; temos um respeito ilimitado para com todos os nossos irmãos islâmicos. Mas do outro lado não acontece o mesmo”, destacou.

Ele também acrescentou o “trabalho extra” realizado pela Igreja que, sem temer, busca alternativas para manter viva a fé dos cristãos que sofrem, e agradeceu pelo apoio e auxílio da Igreja mundial.

“A Igreja realiza uma missão extra, cuidando muito bem de cada refugiado, sem medo de perseguições e conflitos. A nossa missão é mantê-los firmes na fé e na esperança, especialmente pelo conflito e pelo tempo difícil em que estão vivendo. São testemunhos fixos de nossa fé. Agradeço a colaboração da Igreja do mundo inteiro que está em estado de comunhão e apoio, tanto em orações quanto em ajudas financeiras”, afirmou.

No Rio, acompanhado do monsenhor André Sampaio, o patriarca visitou a Catedral Metropolitana de São Sebastião e as obras sociais da arquidiocese. Em seguida, ele também esteve no Pão de Açúcar e no Cristo Redentor, onde aproveitou para fazer um momento de oração particular. O Mosteiro de São Bento e o Museu do Amanhã também foram locais visitados por Sua Beatitude, além do bairro da Ilha do Governador, onde esteve com membros da comunidade Síria que migraram para a região há muitos anos e são parentes do arcebispo de Homs, Dom Philip Barakat.

Brasília e São Paulo

O patriarca visitou a sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em Brasília, onde se encontrou com o arcebispo da cidade e presidente da CNBB, Dom Sergio da Rocha. A presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, também recebeu o patriarca siríaco católico em audiência, na qual abordou a guerra na Síria e o empenho do Brasil na conjugação de forças internacionais para apoio aos refugiados.

Em visita a São Paulo, a autoridade eclesiástica foi recebida pelo arcebispo Odilo Scherer e participou da Santa Missa na Catedral Metropolitana de São Paulo. Ele também esteve no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, onde fez um apelo para que a Virgem possa conceder a paz ao mundo.

“Rezei com o coração fervoroso a Nossa Senhora para que ela dê paz ao mundo inteiro. Fiquei muito feliz por subir ao Cristo Redentor e depositar aos pés dele o nosso povo do Oriente Médio. Entre Jesus e Maria, vivendo o Jubileu da Misericórdia, pedi para que tivessem misericórdia desse povo sofrido”, afirmou o patriarca siríaco.

Belo Horizonte

O líder da Igreja Católica Siríaca, Ignace Youssif III Younan, também esteve presente para comemorar o Centenário da Igreja do Sagrado Coração de Jesus dos Siríacos Católicos – primeira comunidade fundada fora dos muros da Antioquia, no Oriente –, acolhe migrantes sírios desde 1925. Devido aos graves conflitos, a igreja passou a receber quantidades ainda maiores de refugiados.

Ele também teve um encontro com alunos e professores da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), no qual abordou a situação dos refugiados, a partir da realidade da Síria e de outros países, e a atual crise humanitária gerada por essas questões.

Igreja Católica Siríaca

Essa é uma Igreja Católica Orienta sui juris em comunhão com a Igreja Católica Romana. A sua comunhão formal e definitiva com a Santa Sé aconteceu em 1781, quando ela se separou, definitivamente da Igreja ortodoxa Siríaca. O rito litúrgico pertence à tradição siríaca de Antioquia. Ela utiliza o siríaco, o árabe, o aramaico, o inglês e o francês como línguas litúrgicas.

Atualmente, a Igreja sui juris, sediada em Beirute, no Líbano, possui cerca de 130 mil fiéis. Desde 2009, ela é governada pelo patriarca, Ignace Youssif III Younan, juntamente com o seu Sínodo, mas sempre sob a supervisão do Papa.


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