Cultura Moda

04/03/2017 | domtotal.com

Estilistas buscam inspiração no armário da avó

O look "vintage" marca a diferença na rua e abre caminho nas passarelas.

Casacos vintage em exposição na capital francesa antes de serem leiloados
Casacos vintage em exposição na capital francesa antes de serem leiloados (AFP)

Se você deseja ter um estilo que se destaque na multidão, tente revirar o armário de sua avó. Na era da moda rápida e efêmera, o look "vintage" marca a diferença na rua e abre caminho nas passarelas.

"O look de hoje em dia é centrado na exclusividade da roupa. E com o 'fast fashion' e o mercado das massas, isso só pode ser encontrado no vintage", diz o estilista brasileiro Francisco Terra.

O principal ponto está na "liberdade que nos damos agora" para combinar roupas básicas com trajes únicos, diz o mexicano Antonio Ortega.

A roupa antiga é o contra-ataque da moda "usar e descartar", é uma roupa com história para contar, que sobrevive graças à nobreza de seu tecido e qualidade de modelagem.

Ela combina com a onda retrô atual, em que vitrolas e o clássico console da Nintendo voltar a ser produtos cobiçados.

'Mad men' e a volta aos 60

"O fenômeno tem a ver com um sentimento de insegurança. Hoje acreditamos menos que há 30 anos que o futuro será melhor que o passado", explica Cécile Poignant, analista de tendências.

Resgatando o antigo, "temos a impressão de nos apropriarmos de um passado um pouco idealizado".

A crise econômica, que nos levou a aceitar o conceito de avareza, e a crescente consciência ecológica explicam também o auge do "vintage", assim como o sucesso da série americana "Mad Men", ambientada nos anos 1960.

Mas os especialistas lembram que sempre existiu o mercado de roupas usadas e que a novidade reside principalmente na roupa "vintage" de luxo, em pleno apogeu na capital da moda, Paris.

Os estilistas mais famosos buscam inspiração em lojas de segunda mão, como a Guerrisol, onde Neith Nyer, a marca do brasileiro Fernando Terra, desfilou na última quarta-feira fora do programa oficial da Semana de Moda de Paris.

Japão vintage

"Não gostam de dizer, porque é um lugar com um público mais modesto (...) mas todos os criadores das grandes marcas vêm aqui (naGuerrisol). É um pouco o templo de busca da moda parisiense", disse Francisco, que já trabalhou para Givenchy e Carven durante seus 10 anos de residência na França.

Sua marca tem o nome de sua avó austríaca, com quem aprendeu a costurar. Apresentou em Paris uma coleção que emula 'patchworks' de roupas "vintage".

Sua inspiração é a marca francesa Margiela -que incluiu a roupa retrô em suas coleções-, e o Japão, onde esse tipo de roupa causa furor, diz Francisco.

Vejo e quero

Da rua para passarela e vice-versa. Cada vez que as grandes marcas resgatam uma roupa de décadas passadas, como os casacos de pele ou os casacos de aviador, a demanda vai às alturas.

Na loja parisiense Thanx God I'm a VIP só são vendidas roupas das melhores marcas em excelente estado. Amnaye Nhas, um dos sócios, explica que sua clientela "é geralmente pessoas que querem se destacar".

"Compram na Zara e depois vêm aqui para buscar uma roupa original" para completar seu look.

Um vestido preto de seda e cetim da Kenzo é vendido por 255 euros (270 dólares), outro de seda da Leónard em tons verdes a 995 euros (1.050 dólares), mas os preços começam muito abaixo, nos 40 euros.

Nhas mostra um casaco Burberry de 1978, a 450 euros. "É uma roupa que pode ser conservada por 20 anos. Se fizer as contas, sai mais barato que comprar um sintético a cada inverno".

Ele está convencido de que o vintage tem uma longa vida pela frente, pelo menos "até que chegue a roupa conectada".


AFP

EMGE

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