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19/09/2017 | domtotal.com

Engenharia com Inovação + Impacto

Nos últimos anos vemos o crescimento do tema Engenharia Sustentável globalmente, e não é diferente no Brasil.

Engenharia se sustenta nos 3 pilares: Social, Ambiental e Econômico / Financeiro.
Engenharia se sustenta nos 3 pilares: Social, Ambiental e Econômico / Financeiro. (Reprodução)

Por Jose Antonio de Sousa Neto* e André Lara Rezende **

Há décadas a engenharia vem se mostrando um pilar muito mais do que somente importante, mas essencial para a modernização, crescimento e principalmente a sustentabilidade global. Sim, sustentabilidade nos 3 pilares: Social, Ambiental e Econômico / Financeiro. Nos últimos anos vemos o crescimento do tema Engenharia Sustentável globalmente, e não é diferente no Brasil. Como já argumentamos em textos anteriores, não há país que possa realmente enriquecer, no sentido pecuniário e também no sentido não pecuniário, sem a priorização da engenharia e do desenvolvimento tecnológico. Neste mercado, no entanto, a tecnologia por si só não basta. No curto prazo tecnologias podem trazer retorno econômico financeiro na perspectiva das taxas de retorno e valores presentes líquidos (TIR e VPLs)  tradicionais. Há uma lógica para isso sustentada na legítima remuneração do capital investido e no binômio do risco x retorno. Mas aos poucos vai ficando cada vez mais claro, tanto para o setor privado como para o poder público, que é necessário avaliar projetos em um contexto de TIR e VPLs “expandidos”. E isso não é, ao contrário do que muitos percebem, um fator limitador do sistema capitalista ou de mercado. É na verdade uma grande oportunidade de geração de riqueza e desenvolvimento. A questão da sustentabilidade sob o ponto de vista da estratégia econômica e financeira não é uma escolha. É apenas um fator / elemento, embora determinante, de realidade que é imposto, como tantos outros, no contexto do planejamento estratégico de empresas e países. Em outras palavras, é um importante dado de realidade que obviamente deve ser levado em conta, por exemplo, na tradicional análise SWOT (forças e fraquezas x oportunidades e ameaças) de processos de planejamento estratégico.  É curioso e muitos podem até mesmo achar paradoxal, mas sustentabilidade é uma questão de mercado!

Atrelar o tema com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, as famosas ODS, faz muito sentido, não somente para a engenharia, mas para os negócios. Nas últimas três décadas presenciamos uma evolução sem precedentes no desenvolvimento social e tecnológico, que muitos já acreditam fazer parte da estimada singularidade que se aproxima, ou, quem sabe, já estamos vivendo atualmente. 
 

Mas porque, mesmo com tantos avanços, ainda conseguimos olhar para várias coisas e ter certeza que estamos falhando? Porque parece que a crença de que o mundo está piorando em muitos aspectos vem aumentando ao nosso redor? Desastres naturais aumentaram de forma significativa desde os anos 80. Nos últimos anos cerca de 9% do PIB global tem sido gasto com conflitos armados. 3% deste mesmo PIB global, e com clara perspectiva de aumento, tem sido perdido devido danos ao ecossistema e perdas de biodiversidade. Continuamos construindo com elevado teor de carbono. A desigualdade social e o desemprego entre jovens vêm aumentando. Mulheres continuam ganhando 25% menos em relação aos homens. A lista continua e é longa. Mas, paradoxalmente, a parte “boa” é que a falta de sustentabilidade é insustentável. Está além de matizes ideológicos e certamente só será tratada corretamente se estiver acima deles, até porque as forças de mercado e as questões sociais são elementos complementares e essenciais das soluções.

Segundo o Relatório da Comissão de Desenvolvimento Sustentável e Sustentabilidade Empresarial chamado de "Empresas Melhores Mundo Melhor" de janeiro de 2017, os ODS trazem consigo US$12 trilhões (sim caro leitores, vocês leram corretamente, trilhões!) em oportunidades para o mundo dos negócios. E a Engenharia, onde entra? No contexto do relatório é ela, a engenharia, quem vai permitir acessar essa oportunidade de trilhões em valores financeiros, mas mais valiosa ainda se executada com sustentabilidade seguindo os preceitos de desenvolvimento sustentável proposto pelos ODS. Desenvolvimento Sustentável é o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro." Essa definição surgiu na Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada pelas Nações Unidas para discutir e propor meios de harmonizar dois objetivos: o desenvolvimento econômico e a conservação ambiental.

Curiosos com algumas soluções que exemplificam esse tema? Dentre tantas podemos citar duas empresas que chamaram muito a atenção do mercado e onde é possível perceber claramente a inovação com tecnologia: 

Lucid Energy - Esta empresa que começou como startup cria mini hidrelétricas dentro de tubulações. Interessante não? E se aproveitássemos, quando possível tecnicamente e viável economicamente, toda ou parte da energia potencial que existe nessas quedas já que a água tem que ser transportada de um local para outro? Quanta energia adicional seria possível gerar em um projeto ou mesmo no conjunto de um país?

Winsun New Materials – A empresa desenvolveu processos e metodologias para construção de casas com impressora 3D. É certamente mais um caso interessante a se conferir. Construir 10 casas em 24 hs? Isto deverá se tornar cada vez mais possível e viável mesmo sem a mobilização de grandes recursos de mão de obra e financeiros! Como? Usando a criatividade e, claro, tecnologia. 

Cada vez mais vem aparecendo soluções no mercado que permitem ampliarmos o número de construções sustentáveis. Com esse crescimento também criamos casos de sucesso que ao se destacarem acabam por incentivar ainda mais o mercado a buscar novas soluções de engenharia. E isso se torna mais do que um conceito prático que implica em geração de riqueza com impacto social. É uma revolução na nossa percepção do que entendemos e queremos como desenvolvimento da sociedade.



* Jose Antonio de Sousa Neto: Professor da EMGE - Escola de Engenharia de Minas Gerais 

** André Lara Rezende: Idealizador e Empreendedor Social na Baanko, Professor na FDC, Consultor no BID, Presidente Voluntário do Instituto Um Pé de Biblioteca, Engenheiro Eletricista, Membro e líder de capítulo na SDSN rede da ONU para o desenvolvimento sustentável local.

EMGE

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