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03/10/2017 | domtotal.com

A necessária afirmação da engenharia brasileira

Sabemos que a engenharia é a base para o desenvolvimento econômico de um país, bem como da qualidade de vida da população.

A conturbada realidade social e política vivida hoje no Brasil impacta diretamente a área tecnológica e prejudica substancialmente o desenvolvimento econômico.
A conturbada realidade social e política vivida hoje no Brasil impacta diretamente a área tecnológica e prejudica substancialmente o desenvolvimento econômico. (Reprodução)

Por David Thomaz*

A garantia de desenvolvimento de qualquer sociedade passa, impreterivelmente, pelos investimentos direcionados à área tecnológica. Vivemos em um mundo em que os avanços tecnológicos são muito céleres, tornando imperativo a necessidade de domínio das regras básicas dessa dinâmica para conquistar destaque em um cenário internacional cada vez mais restrito e disputado. Nesse contexto, a engenharia figura como peça central no desenvolvimento de uma nação ao priorizar a inovação, novas tecnologias e a busca por novos conhecimentos.

Sabemos que a engenharia é a base para o desenvolvimento econômico de um país, bem como da qualidade de vida da população. É por meio do uso dessa ciência que se dá a ampliação da infraestrutura, a melhoria na qualidade de serviços prestados à sociedade e a resolução de problemas de caráter econômico e social. No entanto, o que se vê é uma desvalorização generalizada da engenharia nacional em função da conjuntura brasileira. Em uma lógica perversa, coloca-se na conta das grandes empresas da área a responsabilidade de crimes políticos que são alheios às atividades do setor. Em função de alguns, toda uma cadeia produtiva é prejudicada, provocando a perda de milhares de empregos e, consequentemente, a diminuição do consumo advindo daquela massa salarial, acarretando em um desequilíbrio econômico.

A conturbada realidade social e política vivida hoje no Brasil impacta diretamente a área tecnológica e prejudica substancialmente o desenvolvimento econômico. Um dos pontos nevrálgico é a paralisação do setor produtivo, que por sua vez, atinge diretamente o desenvolvimento social. Sem uma economia forte e pujante, o país se distancia do caminho do crescimento, comprometendo os direitos sociais, a geração de empregos, a melhoria da renda do trabalhador, a estabilização da inflação e o ambiente propício para investimentos. Sem uma cadeia produtiva forte, o país fica debilitado, sem recursos financeiros necessários para implementar planos de desenvolvimento. A atual conjuntura econômica negativa é devastadora para as empresas, mas, sobretudo, para os profissionais da área, que veem ficar, cada vez mais distante, a estabilidade na carreira.

Acreditamos que para reverter esse quadro é preciso resgatar a autoridade técnica da engenharia. Os engenheiros, bem como os demais profissionais da área tecnológica, precisam se inserir nos debates de políticas públicas e contribuir tecnicamente com as demandas de realidades locais. Este é o momento dos profissionais assumirem o papel de líderes e contribuírem para a recuperação da economia, seja produzindo empreendimentos, seja construindo obras ou mesmo investindo em empresas.

É preciso também inovar na proposta de soluções. Não podemos fazer as mesmas coisas, com os mesmos atores e esperar um resultado diferente. Um dos princípios da inovação é de que ideias divergentes são necessárias para encontrarmos soluções novas. Daí a importância de reunir em um mesmo espaço diversos atores, diversas vozes, diversas posições que nos levem a repensar conceitos e soluções para construir outras mais inovadoras e mais apropriadas aos tempos atuais.

Nesse sentido, o desafio é priorizar o planejamento, a elaboração de projetos, fomentar incentivos direcionados à produção, efetivar ações que vão gerar riquezas e avanços por meio dos braços e mentes que trabalham. A solução também passa pelo protagonismo dos profissionais da área tecnológica, das entidades, dos empresários e da população.

*David Thomaz é engenheiro civil e presidente em exercício do Crea-Minas.

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC. Saiba mais!

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