Direito

15/06/2018 | domtotal.com

'Somos todos iguais perante Deus', diz rei nigeriano de Ilê-Ifé

'Não há motivo de se discriminar ou achar uma religião superior', disse sua majestade.

O rei nigeriano de Ilê-Ifé, Oba Adeyeye Enitan Ogunwusi na sala da vip da Dom Helder
O rei nigeriano de Ilê-Ifé, Oba Adeyeye Enitan Ogunwusi na sala da vip da Dom Helder (Cássia Maia/Dom Total)

Por Rômulo Ávila
Repórter Dom Total

Apesar de ser um país de maioria afrodescendente, o Brasil ainda convive com o preconceito e o racismo. A violência contra religiões de matriz africana, por exemplo, aumenta em todo país. O rei nigeriano de Ilê-Ifé, Oba Adeyeye Enitan Ogunwusi, que visitou a Dom Helder Escola de Direito nesta sexta-feira (15), disse que trata-se de ignorância.

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“Uma das finalidades da minha vinda ao Brasil é para dizer que não há superioridade de uma religião, de raça ou gênero. Somos todos iguais perante Deus”, destacou sua majestade em entrevista ao Dom Total.

“Quem é intolerante com religiões de matriz africana é ignorante . Como eles sabem que a religião deles é superior?  As religiões africanas têm relação com a natureza. Exu, Ogum, Oxóssi e todas outras são da natureza. E quem pode sobreviver sem a natureza? Então, não há motivo de se discriminar ou achar uma religião superior”, destacou o rei.

Oba Adeyeye Enitan Ogunwusi considera que muitos negros no Brasil ainda se sentem na condição de escravos.

"A estatística mostra que a maioria da população brasileira é negra, mesmo assim fica em segundo plano na sociedade. Muito disso porque os próprios negros ainda se sentem na condição de escravos. Mas a escravidão acabou. E eles devem ocupar seus postos na sociedade, sentir orgulho porque são filhos e filhas de reis e rainhas que têm história . A África tem história e todos devem sentir orgulho disso”.

A visita do rei Oba Adeyeye Enitan Ogunwusi e de sua comitiva fez parte da programação do seminário 'Narrativas afrodiaspóricas: experiências literárias de resistência", organizado pela Secretaria de Estado de Educação com apoio da Dom Helder, por intermédio do Afrodom.

Quem é o Rei de Ifé

Adeyeye Enitan Ogunwusi, o Ojaja II, é membro de uma das monarquias mais antigas da humanidade e regente da cidade de Ifé, na Nigéria, fundada 500 anos antes de Cristo. Ele tem 43 anos e possui o título de 51º ooni (rei) da localidade, que é considerada a capital sagrada do povo iorubá, que deu origem aos vários reinos da África Ocidental.

Na tradição iorubá, o ooni é considerado descendente do 401º orixá, o "único que fala". A atual dinastia já tem centenas de anos e assim como outros monarcas africanos,  também é aclamado como 'oba' (rei) e tem tratamento de 'Sua Majestade Imperial'.  A cultura iorubá deu matriz de várias religiões afrodescendentes, como o candomblé, no Brasil.

É a primeira vez que um rei de Ifé visita o Brasil. A presença de  Ogunwusi visa justamente combater a intolerância religiosa e aproximar os descendentes africanos de seus ancestrais. Ele é acompanhado por uma comitiva de 150 pessoas, incluindo o escritor Wole Soyinka, prêmio Nobel de Literatura de 1986.

A visita começou no dia 6 na Bahia e passou pelo Rio de Janeiro. O monarca chegou a Minas nessa quinta-feira (14) e permanece até sábado (16). O rei de Ifé deixa o Brasil no domingo (17).



Redação Dom Total

EMGE

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