Esporte Copa 2018

04/07/2018 | domtotal.com

Exóticas Suíça e Suécia, onde as pessoas têm o esquisito hábito de andar nas ruas

Países exóticos ambos, seus habitantes têm o hábito estranho, muito estranho, de andar nas ruas...

Marcos Caldeira
Marcos Caldeira (Divulgação)

Por Marcos Caldeira*

O primeiro tempo de Suíça x Suécia, clássico da qualidade de vida, derby do IDH, me lembrou que essa vaga para as quartas de final poderia ser disputada num Holanda x Itália, ausentes da copa. Chute suíço que abalroou um microfone peludo, tipo cãozinho de madame, foi o lance mais emocionante. Na segunda etapa, a seleção com mais história em copas fez um gol, não tomou e se garantiu, para alegria de dezenas de Sharon Stone no estádio de São Petersburgo. Países exóticos ambos, seus habitantes têm o hábito estranho, muito estranho, de andar nas ruas...

O JOGADOR CUJA MÃE FOI COLOCADA NO MEIO

Vinte e duas horas antes da partida contra a Suécia, um atleta suíço recebeu telefonema informando que seu primeiro filho nasceria hoje a qualquer momento, podendo até ser durante o jogo. Os companheiros de time perguntaram se ele queria voltar para casa, ficar ao lado da mulher e viver a quente o momento único na vida de um homem. “Se quiser ir, vá tranquilo, vamos nos empenhar ao máximo para levar nossa seleção às quartas de final. Você sempre quis muito esse filho, entenderemos perfeitamente”, disse o capitão, obtendo unânime concordância. “A gente só tem o primeiro filho uma vez”, acaciou um lá, no meio da roda. O futuríssimo papai ficou bravo e, em voz alta e nervosa, respondeu: “Gosto muito de todos aqui, somos um só, uma equipe, uma família, mas não vou aceitar vocês se desfazendo da velha, insinuando que ela não tem capacidade, organização, solidariedade e amor no coração para cuidar da minha esposa na hora do parto. Aceito tudo nesta vida, menos que falem mal da minha santa mãezinha”. Acabou o assunto ali, um amarrou a chuteira, outro ajeitou o meião, um terceiro ajustou a caneleira e todos foram treinar.

BACCA ERROU PÊNALTI E A COLÔMBIA FOI PRO BREJO

Muita correria e pouco futebol, com os súditos de Elizabeth 2ª melhores, não tanto. Assim foi o primeiro tempo de Colômbia x Inglaterra. No início da segunda etapa, Carlos Sánchez, que fez pênalti tolo contra o Japão e ainda foi expulso com três minutos de jogo, voltou a cometer bobagem: enroscou-se com um inglês em sua área, sem nenhuma necessidade de agir assim, e o árbitro assinalou a falta máxima. Harry Kane bateu, 1 a 0. Os sul-americanos jogavam mal, nada indicava empate, mas isso é futebol, amigo, e nos acréscimos, quando colombianos já perguntavam quando seria o próximo voo para Bogotá, o meia Mateus Uribe – nome de antigo e bom jogador peruano – deu um chute maravilhoso para o gol. Pickford defendeu, mas cedeu escanteio. Batido, o zagueiro Mina meteu a cabeça na bola, empatou e levou a peleja para a prorrogação, que teve a Colômbia melhor no primeiro tempo, não tanto, e a Inglaterra melhor na segunda etapa, não tanto. Sem gol, pênaltis. Nas cobranças, foram empatando, mas no final o atacante Bacca errou, um conterrâneo de Alfred Hitchcock acertou e a pátria de Gabriel García Márquez foi pro brejo, ou para Macondo. Cem anos de solidão, colombianos, até o próximo mundial.

A REDAÇÃO DE ANINHA: COPA E GUERRA MUNDIAL

No intervalo de Suécia x Suíça, a patroa perguntou se era possível falar comigo sobre assunto sério. Concordei, claro: “Mas aproveite enquanto a TV passa comerciais, pois, embora o primeiro tempo não tenha sido lá essas coisas, quero ver os melhores momentos”. Avisou-me que a psicóloga da escola de Aninha quer reunião conosco, informou estar preocupada com o que a menina tem escrito nas tarefas e me mostrou uma redação. Li o trecho manchado com marca-texto – apressadamente, suíços e suecos já voltavam dos vestiários – e não captei a apreensão. Não há palavra errada, a pontuação está certinha, as vírgulas bem colocadas, tudo perfeito, a menina é estudiosa – influência, modéstia à parte, minha. “Guerra mundial é uma coisa muito, muito, muito terrível para os povos”, escreveu Aninha, em linda letra: “Porque cancela a Copa do Mundo”.

*Marcos Caldeira é diretor de redação do jornal O Trem Itabirano, de Itabira, Minas Gerais.

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