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21/07/2018 | domtotal.com

Único sobrevivente de tribo morta por fazendeiros, índio vive sozinho há 22 anos

A partir da confirmação da presença dele, em 1996, a Funai realizou algumas tentativas de contato, mas logo recuou ao perceber que não era da vontade dele.

Divulgação FunaiDivulgação FunaiA vida solitária do "índio do buraco", último remanescente do povo Tanaru, é acompanhada há 22 anos pela Fundação Nacional do Índio (Funai). Nesse período, o contato com o homem praticamente não existiu. A história do índio Tanaru é triste e traumática. Na década de 80, a colonização desordenada, a instalação de fazendas e a exploração ilegal de madeira em Rondônia provocaram sucessivos ataques aos povos indígenas isolados que até então viviam nessas regiões, num constante processo de expulsão de suas terras e de morte.

Após o último ataque de fazendeiros ocorrido nos finais de 1995, o grupo que provavelmente já era pequeno (a partir de relatos, a equipe local acreditava serem seis pessoas) tornou-se uma pessoa. Os culpados jamais foram punidos. Em junho de 1996, a Funai teve finalmente o conhecimento da existência e da traumática história deste povo, a partir da localização de acampamento e outros vestígios de sua presença. Quando a Funai finalmente confirmou sua presença, já havia apenas uma pessoa. No entanto, outros indícios anteriores levaram os servidores a crer que ali residia um grupo maior.

A partir da confirmação da presença dele, em 1996, a Funai realizou algumas tentativas de contato, mas logo recuou ao perceber que não era da vontade dele. A última tentativa ocorreu em 2005. Deste então, os servidores que o acompanham deixam apenas algumas ferramentas e sementes para plantio em locais que ele passa frequentemente. Por volta de 2012, a Funai registrou algumas roças de milho, batata, cará, banana e mamão plantadas pelo indígena, que vive basicamente desses alimentos e da caça.

Quando há a presença confirmada ou possível de povos indígenas isolados fora de limites de terras indígenas, a Funai se utiliza do dispositivo legal de Restrição de Uso visando a integridade física desses povos em situação de isolamento, enquanto se realizam outras ações de proteção e tramitam processos de demarcação de terra indígena. A atual delimitação da TI Tanaru foi estabelecida em 2015.

Nos últimos 10 anos, a Funai realizou 57 incursões de monitoramento do indígena e cerca de 40 viagens para ações de vigilância e proteção da TI Tanaru. Foram localizadas 48 moradias e registradas várias imagens do índio solitário, obtidas por acaso.


O que surpreende os servidores que acompanham a trajetória do indígena isolado é a sua vontade de viver. "Esse homem, que a gente desconhece, mesmo perdendo tudo, como o seu povo e uma série de práticas culturais, provou que, mesmo assim, sozinho no meio do mato, é possível sobreviver e resistir a se aliar com a sociedade majoritária. Eu acredito que ele esteja muito melhor do que se, lá atrás, tivesse feito contato", diz Altair Algayer, coordenador do projeto de Proteção Etnoambiental Guaporé (FPE Guaporé). 

Há mais de 5 anos não se observam invasões de madeireiros desmatamentos e nenhuma outra presença de pessoas estranhas dentro dos limites da área.


Redação/ Funai

EMGE

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