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25/08/2018 | domtotal.com

Premiados 'Escobar - A Traição' e 'Benzinho' chegam aos cinemas

Confira um resumo dos principais filmes que estão em cartaz em todo o país neste final de semana.

Por Alysson Oliveira e Neusa Barbosa

Veja um resumo dos principais filmes que estão em cartaz em todo o país neste final de semana.

“ESCOBAR – A TRAIÇÃO”

- A autobiografia da jornalista colombiana Virginia Vallejo é o ponto de partida de “Escobar – A Traição” – que, apesar de dirigido por um espanhol (Fernando León de Aranoa) e protagonizado por um dos mais famosos casais de atores da Espanha (Penélope Cruz e Javier Bardem), é inteiramente falado em inglês. O detalhe obedece a uma estratégia comercial mas nunca deixa de introduzir uma certa estranheza nesta cinebiografia do famoso narcotraficante colombiano Pablo Escobar (1949-1993), contada do ponto de vista de sua amante, a jornalista Virginia Vallejo.

Javier Bardem ganhou o prêmio Platino do Cinema Ibero-Americano por sua interpretação do chefão, em plena ascensão quando conhece Virginia (Penelope), então uma das mais famosas jornalistas da TV de seu país. Naquela altura, a riqueza ostensiva do “empresário” Escobar lhe permitia realizar festas luxuosas, a que compareciam VIPs de todos os setores – um detalhe através do qual o filme destaca a conivência da sociedade local, já que, naquele momento, não havia como deixar de suspeitar da rapidez com que Escobar acumulava sua imensa fortuna.

“BENZINHO”

- Coprodução entre Brasil e Uruguai que já rodou diversos festivais pelo mundo, começando pela competição em Sundance e conquistando prêmios em Portugal e na Espanha, “Benzinho” renova a parceria entre o diretor Gustavo Pizzi e a atriz Karine Teles, que começou em “Riscado” (2010).

O encontro, que culminou em casamento – hoje desfeito - e no nascimento de gêmeos, forneceu também memórias que alimentaram o roteiro de “Benzinho”, assinado a quatro mãos pelo diretor e pela atriz.

Quem está em foco, no caso, é uma família de classe média, o casal Irene (Karine Teles) e Klaus (Otávio Müller), seus quatro filhos, a irmã dela, Sônia (Adriana Esteves), separada do marido abusivo (César Troncoso), e o filho destes dois, Thiago (Vicente Demori).

O clã, de várias maneiras, é um retrato de um Brasil atual, remediado, sobrevivendo de bicos e atividades mal-remuneradas. A casa onde moram é o retrato da penúria, exibindo rachaduras, torneiras vazando, fechaduras emperradas, tudo no limite do tolerável. Neste ambiente economicamente precário, no entanto, não faltam nem comida nem afeto.

“ONDE ESTÁ VOCÊ, JOÃO GILBERTO?”

- Autor de documentários sobre o samba e as cantoras brasileiras Maria Bethânia e Nana Caymmi, o cineasta francês Georges Gachot estrutura seu novo filme “Onde Está Você, João Gilberto?” sobre duas ausências. Não só a do artista quanto a de Marc Fischer, jornalista alemão autor de um livro sobre ele, “Ho-ba-la-lá – À Procura de João Gilberto”.

É assumidamente sobre os passos do falecido Fischer que Gachot caminha, na caça a este sempre inacessível João Gilberto. O cantor e compositor baiano, 87 anos, pai da Bossa Nova, percorre o filme como um fantasma, através de fotos, imagens, canções, nunca em carne e osso. Seu perfil é delineado por depoimentos de pessoas muito próximas – caso de Miúcha, sua ex-mulher, João Donato, ex-parceiro, e Otávio Terceiro, seu empresário. Outros personagens entram no filme para contar episódios curiosos, que não faltam na biografia de João Gilberto e alimentam sua lenda.

“MEU EX É UM ESPIÃO”

- Se existe uma razão para se ver essa comédia – ou mesmo para ela existir –, essa razão atende pelo nome de Kate McKinnon, a coadjuvante que não apenas rouba o filme como carrega o fardo inteiro nas costas, tornando mais agradáveis as quase duas horas de “Meu Ex é um Espião”.

A protagonista, Audrey, é interpretada por Mila Kunis, que descobre, após o rompimento, que seu ex (Justin Theroux) era um espião a serviço de uma missão internacional. Depois que ele é assassinado na frente dela, com a ajuda da amiga, ela vai para Viena terminar o serviço e acaba se envolvendo em trocas de tiros e afins pela Europa.

O filme até tenta ser engraçado, mas também aspira ser um longa de ação. Dirigido por Susanna Fogel, o resultado é apenas mediano nos dois gêneros, forçando a mão na correria e nas piadas. O problema é quando se deixa levar por um humor que beira o escatológico. Ainda assim, McKinnon consegue fazer rir – especialmente com seu antigo romance com Edward Snowden.

“GAUGUIN – VIAGEM AO TAITI”

- Dirigido por Edouard Deluc, o longa acompanha o período da primeira viagem do pintor francês Paul Gauguin ao Taiti, entre 1891 e 1893, quando produziu algumas de suas obras mais famosas.

O protagonista é vivido por Vincent Cassel, que tem uma intepretação empenhada, embora o filme nunca saia do lugar comum, acumulando clichês sobre o estereótipo do artista atormentado.

A história começa com o pintor em Paris, doente e arruinado. Ele acaba indo para a Polinésia francesa, um cenário mais colorido e vívido do que a capital francesa. Apesar das dificuldades, produz o melhor de sua arte e se envolve com uma jovem local (Tuhei Adams).

Concentrando-se quase que exclusivamente nos tormentos do protagonista, Deluc acaba criando um personagem sem nuances e, em poucos momentos, atinge aquilo que parece ser o objetivo aqui: investigar o encontro entre a vida e a arte de Gauguin.


Reuters

EMGE

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