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30/09/2018 | domtotal.com

Cine Humberto Mauro exibe a mostra Buñuel no México

Com 19 longas-metragens, filmes registram o período em que o diretor surrealista esteve exilado no México.

Gran Casino.
Gran Casino. Foto ()
Subida ao céu.
Subida ao céu. Foto ()
Robinson Crusoé.
Robinson Crusoé. Foto ()
Simão do deserto.
Simão do deserto. Foto ()
Os esquecidos.
Os esquecidos. Foto ()

O Cine Humberto Mauro apresenta a mostra Buñuel no México, que reúne 19 longas-metragens produzidos durante o exílio mexicano de um dos mais importantes cineastas da história, Luis Buñuel, entre 1946 e 1964. Os filmes vão do melodrama à comédia, do drama social às pitadas de surrealismo, e representam o grande encontro da cinematografia do diretor espanhol com a cultura latina no pós-guerra.

Tratando principalmente da miséria da condição humana e da crueza das relações, os filmes produzidos por Buñuel nesse período possuem caráter social. Segundo Bruno Hilário, Gerente do Cine Humberto Mauro, o surrealismo que marcou a carreira do diretor não é abandonado nas películas mexicanas. “Embora Buñuel tenha trabalhado no sistema de grandes estúdios mexicanos, sua obra nesse período é de grande personalidade e demonstra o domínio do diretor na linguagem cinematográfica clássica, com o investimento na construção de uma mise-en-scene impecável e na presença de um conteúdo onírico a dialogar com a realidade objetiva dos personagens em seu contexto social. É interessante analisar os momentos em que Buñuel trabalhou dentro das convenções as diversas formas que ele as ultrapassou”, comenta.

Pouco conhecida até mesmo entre os entusiastas do cinema, a fase mexicana de Buñuel foi o período de maior produção do diretor, chegando a lançar mais de um filme no mesmo ano. “Esse foi um momento de grande amadurecimento para Buñuel, pois seu trabalho, na época, foi marcado pelos modos precários da produção latino-americana, lidando com prazos curtos e recursos escassos. Isso obrigou o diretor a adaptar-se com velocidade e soluções simples”, explica Bruno.

Um dos destaques da mostra é considerada a primeira grande obra de Buñuel em terras mexicanas, Os Esquecidos (1950), premiado no Festival de Cannes em 1951, que acompanha um grupo de meninos delinquentes e os desdobramentos de um assassinato brutal cometido por um deles, abordando o esquecimento dos indivíduos pela família e pelo Estado. A Ilusão Viaja de Bonde (1954), outro destaque, é uma comédia social em que, depois de descobrir que a linha em que trabalham será aposentada, os condutores de um bonde na Cidade do México roubam o veículo e transportam pessoas gratuitamente por uma última noite. Já o drama Nazarin (1959) narra as desventuras de um padre idealista que abriga uma prostituta e parte numa jornada de caridade, mas seus atos não possuem os efeitos que gostaria. Em O Anjo Exterminador (1962), membros da alta sociedade ficam inexplicavelmente presos na sala de jantar depois da refeição, e, com o passar do tempo, as convenções sociais caem, sem derrubar as barreiras imaginárias.  

Fazem parte da mostra, também, Susana – mulher diabólica (1951), em que o diretor usa do erotismo para revelar as hipocrisias da sociedade, Escravos do Rancor (1954), adaptação de O Morro dos Ventos Uivantes, romance de Emily Brontë e O Rio e a Morte (1955) que retrata o machismo e a crueldade dos homens de uma pequena cidade interiorana, além dos longas Gran Casino (1947), O Grande Pândego (1949), A filha do engano (1951), Subida ao Céu (1952), Mulher sem Amor (1952), O Bruto (1953), O Alucinado (1953), Robinson Crusoé (1954), Ensaio de Um Crime (1955), Os Ambiciosos (1959), A Adolescente (1960) e Simão do Deserto (1965).

Exílio de uma personalidade – Buñuel foi uma das figuras mais marcantes e polêmicas da história do cinema, desenvolvendo sua carreira principalmente na França, para onde se mudou em 1925. Quando adolescente, em Madrid, conheceu Salvador Dalí e aprofundou seus estudos em dadaísmo e surrealismo, chegando a colaborar com o pintor em seu primeiro filme, Um Cão Andaluz (1929). Com o decurso da Guerra Civil Espanhola, Buñuel se exilou em Paris, na França, para mais tarde mudar-se para os Estados Unidos, onde trabalhou como conselheiro e chefe de montagem para o Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova Iorque. No entanto, após a publicação da biografia de Salvador Dalí, parte para o México. Dalí expusera as simpatias comunistas de Buñuel, o que resultou num escândalo na carreira do diretor. No México, foi muito querido e admirado, chegando a fixar residência e declarar-se cidadão mexicano. Foi também na Cidade do México onde morreu, aos 83 anos.

História Permanente do Cinema - O Cine Humberto Mauro dá continuidade às sessões comentadas do programa História Permanente do Cinema, com exibições às quintas-feiras, às 17h. Durante a Mostra Buñuel no México, será exibido o longa A Morte Neste Jardim (1956), de Luis Buñuel.

CINE HUMBERTO MAURO – Mostra Buñuel no México

Local: Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes

Endereço: Av. Afonso Pena, 1.537

Período: 28 de setembro a 18 de outubro

Entrada gratuita – Ingressos distribuídos uma hora antes de cada sessão

Informações para o público: (31) 3236-7400


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