Religião

14/12/2018 | domtotal.com

Papa 'quer mais Brasil' no Vaticano

Papa Francisco confia aos brasileiros cargos-chave dentro de uma cúria romana em pleno processo de reforma.

Papa Francisco reza diante da imagem de Nossa Senhora Aparecida no Santuário Nacional, em 2007.
Papa Francisco reza diante da imagem de Nossa Senhora Aparecida no Santuário Nacional, em 2007. (Reprodução/ L'Osservatore Romano)

Por Mirticeli Dias de Medeiros*

Papa Francisco não colocou ninguém no lugar dos cardeais afastados do C9 - o conselho de cardeais que auxilia o papa durante o processo de reforma da cúria romana. O que era C9, agora passa a ser “C6”. Estão fora os cardeais George Pell (Austrália), Francisco Xavier Errazuriz (Chile) e Laurent Monsengwo Pasinya (República Democrática do Congo), dos quais dois deles se ausentaram por causa de situações específicas. Pell, que também é "ministro de economia" do Vaticano, já foi condenado por postura imprópria e abuso sexual esta semana, de acordo com a imprensa australiana - informação que, até agora, não foi confirmada oficialmente pela Santa Sé. Já Errazuriz, arcebispo emérito de Santiago, apresentou sua própria demissão após a crise da igreja chilena. No Conselho, portanto, permanecem os cardeais Marx, Bertello, Gracias, Maradiaga, O’Malley e Parolin.

Apesar disso, ainda é muito cedo para achar que não há mais espaço para reviravoltas. A escolha atual do papa parece ser motivada por uma das crises mais intensas do seu pontificado, apesar de o porta-voz do Vaticano, Greg Burke, ter dito esta semana que a redução do número de conselheiros é uma resposta à contenção de gastos proposta meses atrás pelos nove integrantes do grupo. Como parte da política de austeridade levada adiante por Papa Francisco, a Santa Sé não tem contratado ninguém, por exemplo. Além disso, foram congeladas as promoções dentro do menor país do mundo.

Esperava-se que, desta vez, ao menos o cardeal Sérgio da Rocha, arcebispo de Brasília e atual presidente da CNBB, assumisse uma das vagas. Tudo isso porque o seu nome vem crescendo dentro do Vaticano, uma vez que o “currículo pastoral” do prelado brasileiro - que já foi o bispo mais jovem do país em 2001 -, tem chamado a atenção do papa. Não foi à toa que ele foi convocado para ser o relator geral do último sínodo para os jovens, realizado em outubro deste ano. Será que tais votos de confiança vindos do pontífice poderão fazer dele um dos papáveis do próximo conclave? Se continuar nesse ritmo, é bem provável.

Outro brasileiro que tem se destacado é o cardeal João Braz de Aviz, o prefeito da Congregação para os Institutos de vida consagrada e Sociedades de vida apostólica. O chefe dos religiosos que, apesar da simpatia, atestada por muitos moradores da cidade eterna, resolveu adotar uma postura mais reservada nos últimos anos, esquivando-se de entrevistas e pronunciamentos.

O dicastério para os leigos, vida e família possui dois brasileiros ocupando cargos estratégicos: Padre Alexandre Awi de Mello, como secretário, e Padre João Chagas, como responsável pelo setor juventude. Além disso, em outubro deste ano, o bispo auxiliar do Rio de Janeiro, Joel Portella Amado, e o fundador da Comunidade Shalom, Moysés de Azevedo Filho, passaram a integrar o seleto grupo de membros desse organismo.

 Esta semana, concluiu-se a 27ª reunião do C9 (atual C6), que poderá ser a última antes do lançamento da nova constituição apostólica sobre a cúria romana que substituirá a Pastor Bonus, de João Paulo II, publicada em 1988. Um novo esboço do texto já está nas mãos do papa. O lançamento do documento, aguardado por todos desde o início do pontificado, não abrirá somente as portas para o Brasil, mas poderá colocar em prática a tão almejada internacionalização da cúria romana, em correspondência à catolicidade que Francisco quer resgatar e colocar em prática.

*Mirticeli Dias de Medeiros é jornalista e mestre em História da Igreja pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Desde 2009, cobre primordialmente o Vaticano para meios de comunicação no Brasil e na Itália, sendo uma das poucas jornalistas brasileiras credenciadas como vaticanista junto à Sala de Imprensa da Santa Sé.

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