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03/01/2019 | domtotal.com

Procuradores afastados do caso Odebrecht no Peru são restituídos

A restituição dos dois promotores veio depois que os substitutos nomeados por Chávarry se recusaram a assumir o cargo na manhã dessa quarta-feira.

A rejeição ao procurador-geral não diminuiu, e nesta quinta-feira haverá protestos em Lima e outras cidades exigindo sua saída.
A rejeição ao procurador-geral não diminuiu, e nesta quinta-feira haverá protestos em Lima e outras cidades exigindo sua saída. (AFP)

A crise interna no Ministério Público do Peru se intensificou nessa quarta-feira (2), com a decisão do questionado procurador-geral, Pedro Gonzalo Chávarry, de restituir os cargos de dois emblemáticos procuradores que ele mesmo tinha afastado há 48 horas.

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Uma resolução do Ministério Público indicou que "deixa sem efeito em todos os seus extremos" o afastamento dos procuradores Rafael Vela e José Domingo Pérez como membros da equipe especial do caso Odebrecht, que investiga os supostos vínculos de corrupção da construtora brasileira com ex-presidentes e políticos locais.

O procurador-geral justificou sua mudança de rumo "levando em consideração a transcendência e a importância das investigações relacionadas a crimes de corrupção de funcionários e afins, que teriam incorrido com a empresa Odebrecht", segundo a resolução do Ministério Público.

A restituição dos dois promotores, muito populares entre os peruanos indignados com a corrupção na política, veio depois que os substitutos nomeados por Chávarry se recusaram a assumir o cargo na manhã dessa quarta-feira.

O surpreendente afastamento de Vela e de Domingo Pérez, quatro horas antes do fim do ano, desencadeou uma onda de protestos populares contra o procurador-geral, exigindo a renúncia de Chávarry, entre acusações de acobertamento a líderes políticos investigados pelo caso Odebrecht.

A rejeição ao procurador-geral não diminuiu, e nesta quinta-feira haverá protestos em Lima e outras cidades exigindo sua saída.

O afastamento surpreendeu até o presidente Martin Vizcarra, que retornou rapidamente de Brasília, onde participou da posse de Jair Bolsonaro.

Vizcarra, que está enfrentando o procurador-geral por causa de um caso de corrupção judicial que afetou Chávarry, apresentou um projeto de lei para o Congresso declarar o Ministério Público em estado de emergência por obstruir as investigações sobre casos de corrupção.

"É bom que se retifique uma decisão que tem sido muito questionada", disse o presidente depois de ir ao Congresso para entregar o projeto.

Chávarry é questionado porque se considera que a retirada de Vela e Pérez boicota um acordo judicial de colaboração eficaz (delação premiada) entre o MP brasileiro e os procuradores peruanos afastados para que os executivos da Odebrecht entreguem provas documentais de supostos pagamentos a políticos locais em troca de favores.

Nomeação e renúncia

"Hoje (ontem) apresentamos, pelo bem da instituição (...) e para que as investigações não sejam prejudicadas, nossa renúncia ao cargo", disse à imprensa o procurador Marcial Páucar, que tinha sido nomeado com Frank Almanza na segunda-feira, quatro horas antes do fim do ano, por Chávarry.

A decisão dos procuradores Frank Almanza e Marcial Páucar de renunciar à equipe que investiga a Odebrecht também foi uma surpresa. Eles tinham aceitado sua designação na segunda-feira.

Chávarry tem o apoio político da Força Popular, que precariamente controla o Congresso com o apoio do partido Aprista.

O procurador-geral havia afastado na noite de segunda-feira das investigações do caso Odebrecht os promotores Vela e José Domingo Pérez, alegando que haviam violado "o princípio da reserva de informação" do processo.


AFP

EMGE

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