Direito Direitos Humanos

28/01/2019 | domtotal.com

Advogado chinês especializado em direitos humanos é condenado por 'subversão'

Organizações internacionais de defesa dos direitos humanos criticaram o veredicto anunciado nesta segunda-feira.

(2018) Manifestação em Hong Kong pela libertação de Quanzhang
(2018) Manifestação em Hong Kong pela libertação de Quanzhang (AFP/Arquivos)

Um dos advogados especializados em direitos humanos mais conhecidos na China, Wang Quanzhang, foi condenado nesta segunda-feira a quatro anos e meio de prisão por "subversão", no caso mais recente de repressão à profissão no país.

Wang, 42 anos, já defendeu militantes políticos, membros da seita proibida Falungong e camponeses que perderam suas terras.

O advogado foi "considerado culpado de subversão do Estado, condenado a quatro anos e seis meses de prisão e privado de seus direitos políticos durante cinco anos", afirma um comunicado do Segundo Tribunal Popular Intermediário de Tianjin, norte da China.

Ele integrava um grupo de quase 200 defensores dos direitos humanos - incluindo advogados, juristas e ativistas - que foram detidos em julho de 2015 durante uma onda de prisões. Desde então, vários deles foram liberados.

O caso de Wang motivou a preocupação de vários países. A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, se reuniu com a esposa do advogado, Li Wenzu, no ano passado durante uma visita a Pequim.

Depois de sua detenção sigilosa, o advogado foi acusado formalmente de subversão em janeiro de 2016, um crime que pode ser punido com prisão perpétua.

Ele foi julgado em Tianjin no dia 26 de dezembro, a portas fechadas, porque o "caso inclui segredos de Estado", afirmou o tribunal. Sua esposa foi impedida de deixar sua residência em Pequim para acompanhar o julgamento.

Li organizou uma campanha na imprensa estrangeira para obter apoio a seu marido. Em abril do ano passado, ela tentou percorrer os 100 km de distância até a prisão em que estava o advogado para chamar atenção sobre o caso.

Em dezembro, acompanhada por três simpatizantes, raspou a cabeça de modo simbólico antes de tentar recorrer, em vão, a um tribunal de Pequim para conhecer o destino de seu marido.

Organizações internacionais de defesa dos direitos humanos criticaram o veredicto anunciado nesta segunda-feira.

Para a Anistia Internacional, a pena de prisão contra Wang Quanzhang é uma "grave injustiça".

"Sua condenação é parte da repressão organizada atualmente pelo governo chinês contra os advogados de direitos humanos", afirmou à AFP Maya Wang, pesquisadora da Human Rights Watch.

Como Wang Quanzhang já cumpriu mais de três anos de detenção, ele deve sair da prisão em pouco mais de um ano, afirmou no Twitter Doriane Lau, da Anistia Internacional.

Outros advogados, juristas e ativistas dos direitos humanos que foram detidos em 2015 pelas autoridades chinesas também foram investigados por subversão.

Em dezembro de 2017, um tribunal condenou o dissidente Wu Gan a oito anos de prisão, uma das maiores sentenças pronunciadas contra pessoas detidas nesta campanha.


AFP

EMGE

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