Cultura Cinema

30/01/2019 | domtotal.com

Opressão e seus opositores darão tom político ao Festival de Berlim de 2019


Diretor do Festival de Cinema de Berlim, Dieter Kosslick, durante entrevista coletiva.
Diretor do Festival de Cinema de Berlim, Dieter Kosslick, durante entrevista coletiva. (Reuters)

Por Thomas Escritt

BERLIM - O abuso de poder, a opressão estatal e a luta enfrentada por aqueles que tentam desafiá-la em países que vão da Rússia ao Brasil e aos Estados Unidos são temas centrais do Festival Internacional de Cinema de Berlim deste ano, cuja lista de atrações foi anunciada nesta terça-feira.

A edição deste ano do festival, que jamais se absteve de pautas políticas delicadas, destacou filmes brasileiros que anteciparam a guinada do país para a direita na eleição presidencial do ano passado em sua programação.

"Às vezes a arte tem que ser política", disse o diretor Dieter Kosslick, que comanda sua 18ª e última Berlinale.

"No caso do Brasil, vemos como os filmes fizeram uma leitura sismográfica do clima do país antes de o atual presidente ser eleito", acrescentou.

"Marighella", filme dirigido por Wagner Moura e exibido fora da competição, conta a história da resistência do escritor Carlos Marighella e sua morte em 1969 nas mãos da ditadura militar que havia derrubado um governo democrático alguns anos antes - uma história que ecoa perturbadoramente a ascensão do presidente Jair Bolsonaro.

A diretora francesa Juliette Binoche, que já tem um Urso de Prata, preside o júri da competição principal do festival, que deve sua inclinação política a seu nascimento em 1951 em uma cidade dividida que se estendia pelas linhas de frente da Guerra Fria.

Um exemplar legítimo desta tradição é "Mr. Jones", da diretora polonesa Agnieszka Holland, que conta a história do jornalista galês Gareth Jones, cujas reportagens dos anos 1930 da União Soviética expuseram o horror da fome na Ucrânia apesar de governos e repórteres rivais que tentaram silenciá-lo.

A China também está bem representada na competição principal com "So Long, My Son", de Wang Xiaoshuai, que estuda as vidas de dois casais vivendo as mudanças econômicas revolucionárias que transformaram o país desde os anos 1980. Também exibido fora da competição, "Vice", do diretor norte-americano Adam McKay, trata do reinado de Dick Cheney como o vice-presidente mais poderoso dos EUA. 

"Este é o filme que você tem que ver para entender a Presidência", disse Kosslick antes de recomendar, causando riso na plateia, uma exibição de "Watergate - Or How We Learned to Stop an Out of Control President", documentário de Charles Ferguson sobre a queda de Richard Nixon, no festival.


Reuters

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC. Saiba mais!

Comentários

Instituições Conveniadas