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04/02/2019 | domtotal.com

Brumadinho: familiares das vítimas cobram respostas

O cadastro para o recebimento de doações prossegue na Estação do Conhecimento.

Familiares são atendidos na Estação do Conhecimento, em Brumadinho.
Familiares são atendidos na Estação do Conhecimento, em Brumadinho. Foto (Patrícia Azevedo/Dom Total)
Estação do Conhecimento é usada para pouso e decolagem de helicópteros.
Estação do Conhecimento é usada para pouso e decolagem de helicópteros. Foto (Patrícia Azevedo/Dom Total)
Familiares são atendidos na Estação do Conhecimento, em Brumadinho.
Familiares são atendidos na Estação do Conhecimento, em Brumadinho. Foto (Patrícia Azevedo/Dom Total)
Advogadas Suellen Teófilo Marques e Elisa Madalena Pinto prestam suporte, representando a subseção da OAB em Brumadinho.
Advogadas Suellen Teófilo Marques e Elisa Madalena Pinto prestam suporte, representando a subseção da OAB em Brumadinho. Foto (Patrícia Azevedo/Dom Total)
Familiares são atendidos na Estação do Conhecimento, em Brumadinho.
Familiares são atendidos na Estação do Conhecimento, em Brumadinho. Foto (Patrícia Azevedo/Dom Total)
Posto de atendimento da Defensoria Pública na Estação do Conhecimento.
Posto de atendimento da Defensoria Pública na Estação do Conhecimento. Foto (Patrícia Azevedo/Dom Total)
Estação do Conhecimento é usada para pouso e decolagem de helicópteros.
Estação do Conhecimento é usada para pouso e decolagem de helicópteros. Foto (Patrícia Azevedo/Dom Total)
Malvina Firmina Nunes busca notícias do filho, Peterson Nunes Ribeiro.
Malvina Firmina Nunes busca notícias do filho, Peterson Nunes Ribeiro. Foto (Patrícia Azevedo/Dom Total)
Defensor público Rômulo Carvalho concede entrevista ao Dom Total.
Defensor público Rômulo Carvalho concede entrevista ao Dom Total. Foto (Dário Oliveira/Dom Total)

Por Patrícia Azevedo
Enviada especial a Brumadinho (MG)

Uma ajuda dolorosa. Assim a motorista Lucicleia Ribeiro define a doação de R$ 100 mil oferecida pela mineradora Vale aos familiares das vítimas do rompimento da barragem Córrego do Feijão, ocorrido no dia 25 de janeiro. Na última sexta-feira (1º), Lucicleia compareceu à Estação do Conhecimento, em Brumadinho, para realizar o cadastro, conforme orientações da empresa. Gilmar José da Silva, pai do seu filho, está entre os desaparecidos. “Nós conversamos na sexta-feira de manhã e depois não tive mais notícias. [...] Queríamos mesmo era a presença dele, não o dinheiro. O dinheiro não é tão útil quanto a presença”, reforçou Lucicleia. De acordo com a motorista, a situação é muito angustiante. No dia seguinte à tragédia, ela seguiu para Belo Horizonte e visitou diferentes hospitais em busca de informações, além do Instituto Médico Legal (IML). “A gente não tem notícia, e as forças vão acabando. Eu tinha esperanças que ele estivesse vivo. Brumadinho é hoje uma cidade calada, triste”, contou.

A falta de informações também aflige Miriam Ramos de Souza. Seu marido, Leandro Rodrigues da Conceição, atuava como técnico de segurança do trabalho em uma empresa terceirizada e estava na estrutura administrativa da Vale atingida pelo rompimento. “A secretária da empresa me ligou na sexta-feira (25), falando que ele estava desaparecido. Está sendo um caos, as informações são muito vagas. Somos reféns do tempo”, afirmou Miriam, que reside em Barbacena e está em Brumadinho desde sábado (26). Além disso, Miriam teme que as buscas sejam suspensas e que a tragédia fique sem solução. “Na verdade, nem é uma tragédia. Foi crime que eles cometeram. Eu acho um absurdo as famílias sofrendo, obrigadas a aguentar caladas”, desabafou, após realizar o cadastro.

Na entrada da Estação do Conhecimento, a equipe do Dom Total encontrou a aposentada Malvina Firmina Nunes, moradora do vilarejo do Tejuco. Visivelmente abalada, ela pediu para que o seu depoimento fosse registrado. Pediu também a divulgação da foto de seu filho, Peterson Nunes Ribeiro, que trabalhava no local do acidente.  “Até agora ninguém achou o corpo dele, ninguém me deu uma solução, onde ele pode estar. Estou muito desesperada! Quero ao menos o corpo dele para enterrar. Mostra a foto. O meu filho é esse aqui, gente. Procura ele para mim. Ele trabalhava debaixo da barragem. O meu coração está em mil pedaços. Passo dia e noite acordados. Paterson, sua mãe está te chamando. O prefeito sabia desse risco, muita gente já tinha avisado que a barragem estava vazando, mas por ganância, por dinheiro, ele não fez nada”, disse em meio a lágrimas.

Doação

De acordo com a Vale, estão aptos a receber a doação os representantes de empregados, de trabalhadores terceirizados e de pessoas da comunidade falecidos ou desaparecidos, conforme a lista oficial validada pela Defesa Civil e disponibilizada no site da empresa. O cadastro começou na última quinta-feira (31) e está sendo realizado por ordem alfabética. Nesta segunda-feira (4), são atendidos os familiares de vítimas falecidas ou desaparecidas cujos nomes começam com as letras M, N, O, P, Q e R. Na terça (5), o atendimento será da letra S até o restante do alfabeto. A partir de quarta-feira (6), o atendimento prossegue para aqueles que não conseguiram realizar o cadastro no dia estipulado.

Na sexta-feira (1º), a Vale anunciou que irá fazer mais duas doações às famílias atingidas: uma de R$ 50 mil para os moradores da chamada ‘zona de impacto’, que tiveram suas propriedades atingidas pela lama, e outra no valor de R$ 15 mil para as pessoas que tiveram suas atividades profissionais afetadas.

“Não é uma indenização, é uma doação, que por natureza é uma liberalidade, um ato unilateral, de transferência patrimônio para terceiros. Essa transferência não gera compensação futuras, tivemos o cuidado de analisar os documentos, os recibos que estão sendo emitidos, e isso fica bem claro ali. Fora isso, as declarações públicas da Vale têm sido nesse sentido. Então esperamos, ao contrário do que está acontecendo em Mariana, que as pessoas não tentem fazer qualquer tipo de abatimento no futuro”, explicou o defensor público Rômulo Carvalho, que está em Brumadinho acompanhando o atendimento às famílias.

De acordo com Rômulo, a Defensoria Pública montou dois pontos de atendimento, um na Estação do Conhecimento e outro no distrito de Feijão, e outros 10 defensores estão atuando junto aos atingidos. “É um desafio, porque tem uma carga emocional muito grande, é um desastre de proporções ainda imensuráveis, e a gente está se desdobrando para oferecer o atendimento que as pessoas merecem e precisam muito”, apontou.

A subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Brumadinho também está prestando suporte na Estação do Conhecimento, no acolhimento e direcionamento dos familiares, além do esclarecimento de dúvidas e acompanhamento da atuação dos advogados. “Infelizmente, estamos ajudando a fiscalizar a atuação dos colegas, porque foram reportados casos de profissionais que estão se aproveitando da situação, e fazendo abordagens de forma mais agressiva, junto às famílias das vítimas. Lembrando que a subseção não tem o interesse de cercear os direitos dos advogados de atuarem em Brumadinho, não é isso, só queremos garantir o trabalho de forma ética”, esclareceu a advogada Suellen Teófilo Marques.

Confira as matérias especiais do DomTotal sobre a tragédia:


Patrícia Azevedo/Redação Dom Total

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