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06/02/2019 | domtotal.com

O engenheiro é um construtor de sonhos?

Quantos sonhos foram destruídos? Quantas vidas foram perdidas?

E quem é responsável por isso tudo?
E quem é responsável por isso tudo? Foto (Lindon John)
E quem é responsável por isso tudo?
E quem é responsável por isso tudo? Foto (Lindon John)
E quem é responsável por isso tudo?
E quem é responsável por isso tudo? Foto (Lindon John)

Por Lindon John*

Como estudante de engenharia civil acreditava que sim. Acreditava que seria o realizador de sonhos não só meus, mas de futuros clientes, sejam eles pequenos ou grandes. Acreditava que assumir a responsabilidade por uma obra seria algo honroso e valioso no qual meus conhecimentos seriam postos à prova e aí sim poderia mostrar meu valor. Acreditava que anos e anos de estudo de cálculos, físicas, químicas, tudo no plural porque não estudamos somente um ano esses conteúdos, valeriam a exatidão que têm.

Entretanto, hoje, início de fevereiro, apenas uma semana após o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão em Brumadinho - MG, a maior tragédia-crime ambiental e humana que já presenciei, me indago sobre o valor da minha futura profissão. Me indago sobre a irresponsabilidade que vejo hoje. Me indago sobre o valor da vida perante trocados a mais. Me indago sobre ser sustentável em um planeta que grita, berra, implora por sustentabilidade, mas vira e mexe é surpreendido com a ganância humana.

Até o presente momento temos 121 mortes confirmadas e hoje presenciei a retirada de mais dois “corpos”. Coloco entre aspas, pois não foram corpos inteiros e não cabe aqui detalhar o que vi. Quantos sonhos foram destruídos? Quantas vidas foram perdidas?

Aos berros de alguém desconhecido descobri que estava próximo a um velório na cidade. O caixão estava fechado, só restava a memória de quem a pessoa era e quem ela foi. Eu não conseguia mensurar o tamanho da tragédia-crime até ouvir esses berros e entender o tamanho da dor do familiar de um dos mortos. Imagina dos outros 120 mortos já confirmados e a angústia daqueles familiares dos 226 desaparecidos? São números oficiais, são sentimentos reais.

E quem é responsável por isso tudo? Os engenheiros, pois são eles os responsáveis por atestar a segurança e funcionamento da barragem. Um deles, inclusive, estava também envolvido no caso de Mariana, segundo reportagem do Jornal O Tempo.

Esses profissionais me fazem refletir sobre o poder do engenheiro. O engenheiro não é só um construtor, se ele errar por ganância ou despreparo, se torna um destruidor. E, a exemplo de Brumadinho, em Mariana tivemos 19 mortos e um rio inteiro contaminado. Mariana foi o maior desastre ambiental até então, Brumadinho foi o maior desastre humano. Salientando que, na extensão em que há rejeitos no rio Paraopeba, afetado pelo desastre de Brumadinho, não há mais oxigênio na água, ou seja, não há mais vida.

O engenheiro envolvido nos dois cenários, carrega consigo um fardo gigantesco de vidas humanas, vida marinha e degradação ambiental.

Finalizo este texto saudando àqueles que dão a vida pela vida, que dão suor e sangue para confortar familiares e não desistem de um respiro em meio a lama, em meio ao caos. O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais principalmente e todas as autarquias e órgãos que se esforçaram e continuam se esforçando para auxiliar e promover o bem estar com informações e dedicação ao trabalho merecem saudação, pois são verdadeiros heróis.

* Estudante do curso de Engenharia Civil da EMGE

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