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05/02/2019 | domtotal.com

Para 'economizar', mineradoras evitam sistema de monitoramento automático que pode salvar vidas

Barragem da Mina do Feijão da Vale, em Brumadinho (MG), não tinha o sistema, capaz de apontar com antecedência riscos de a estrutura colapsar.

O rompimento de barragens, como a de Brumadinho, não ocorre sem dar sinais.
O rompimento de barragens, como a de Brumadinho, não ocorre sem dar sinais. (Reprodução)

Por Rômulo Ávila
Repórter Dom Total

O ‘sistema de monitoramento automático de barragens utilizando sensores geodésicos’ ainda é pouco usado pelas mineradoras que operam no Brasil. O motivo? O custo, garantem engenheiros e especialistas ouvidos pela reportagem do Dom Total. Eles afirmam que o sistema evitaria a tragédia humanitária ocorrida em Brumadinho, no dia 25 de janeiro. São 134 mortos e quase 200 desaparecidos. A barragem da Mina do Feijão não tinha o sistema, capaz de apontar com antecedência riscos de a estrutura colapsar.

O sistema custa no máximo R$ 1,5 milhão, valor considerado elevado pelas mineradoras que faturam bilhões anualmente. Somente a Vale, responsável pelo crime ambiental de Brumadinho, lucrou cerca de R$ 17 bilhões em 2018. Em todo país, a Vale tem o sistema em duas barragens do Pará e em outra no Mato Grosso do Sul.

O sistema monitoramento automático de barragens utilizando sensores geodésicos’ conta com GPS, sensores de rachaduras e inclinação, câmeras, medidores de tensão, estações totais robotizadas em cabines e estações meteorológicas, instalados nas partes internas e externas das estruturas. Toda tecnologia é monitorada em tempo real e, em caso de alteração, o alerta é disparado.

Das 19 barragens de rejeitos de minério com alto risco de acidentes no Brasil, 12 ficam em Minas Gerais.  

O presidente da Vale, Fabio Schvartsman, disse na quinta-feira passada (31) que, devido à velocidade da lama, as sirenes de alerta de Brumadinho não foram acionadas após o rompimento da barragem. O monitoramento, oferecido por apenas por duas empresas no mundo,  teria emitido alertas sobre a possibilidade de a estrutura ruir e, com isso, permitido a evacuação de parte da área atingida pelo mar de lama.

A Vale garante que a barragem de Brumadinho era monitorada por 94 piezômetros e 41 INAs (Indicador de Nível D’Água). Também ressalta que as últimas Declarações de Condição de Estabilidade, que atestam a segurança física e hidráulica da barragem, foram emitidas em 13 de junho de 2018 e 26 de setembro de 2018 pela TUV SUD do Brasil, uma empresa alemã especializada em geotecnia.

Confira as matérias especiais do DomTotal sobre a tragédia:


Rômulo Ávila/ Dom Total

EMGE

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