Religião

25/02/2019 | domtotal.com

Para barrar mineração na Serra da Piedade, arquidiocese pode recorrer ao papa Francisco

No dia que o Copam liberou a mineração na Serra, papa recebeu colete de voluntários em Brumadinho.

'Não vamos nos calar', avisa o padre Fernando César, reitor do Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade
'Não vamos nos calar', avisa o padre Fernando César, reitor do Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade (Divulgação Arquidiocese de BH)

Rômulo Ávila
Repórter Dom Total

A luta da Igreja Católica contra a volta da exploração de minério na Serra da Piedade, em Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, está longe de terminar. Na última sexta-feira (22), conselheiros estaduais do Comitê de Política Ambiental (Copam) aprovaram, por 7 votos a favor e 3 contra, a licença para a mineradora AVG explorar a Serra da Piedade, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

'Não vamos nos calar', avisou o padre Fernando César, reitor do Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade, após a votação que liberou a mineração. Se necessário, ele promete recorrer até ao papa Francisco para barrar a exploração. 

A mineração na Serra da Piedade foi suspensa em 2005, mas retomou em 2011. Segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), a atividade virá junto com a recuperação da serra, justificativa que não convence ambientalistas, moradores de Caeté e membros da Igreja.

Arquidiocese de BHEm nota, a Arquidiocese de Belo Horizonte diz que as 'belezas e riquezas paisagísticas, históricas, sacras e culturais da Serra da Piedade, território da Padroeira de Minas Gerais – patrimônio de todos os mineiros – estão ameaçadas'. Afirma que que a decisão do Conselho da Câmara de Atividade Minerária – órgão da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, 'abre uma grande ferida no coração de Minas com graves consequências para os mineiros'.

"Não é possível que as sucessivas e recentes tragédias ocorridas em Minas Gerais sejam ignoradas, a ponto de se correr o risco de repeti-las. Como explicar essa decisão? Qual a justificativa para a aprovação desse licenciamento?".

A Arquidiocese de Belo Horizonte diz não entender o resultado da reunião do Conselho. "Lamenta profundamente, mas prossegue de forma decidida e firme na defesa da Serra da Piedade, reserva da biosfera reconhecida pela Unesco, patrimônio religioso, natural, histórico e artístico. regras para o licenciamento de barragens no Estado".

Votos

Foram sete votos favoráveis à licença: Secretaria de Estado de Governo de Minas Gerais(Segov), Federaminas, Crea, Secretaria da Casa Civil e Relações Institucionais, Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais (Sindiextra), Secretaria de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia e Ensino Superior e o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram); duas abstenções: Agência Nacional de Mineração (ANM) e a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig); e três votos contrários: Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet) e a ONG Fonax.

Os conselheiros do Copam são os mesmos que em dezembro de 2018 aprovaram licença para expansão da Vale em Brumadinho.

Papa recebe colete

A Igreja Católica também está empenhada em ajudar as vítimas do crime socioambiental da Vale. Na última sexta-feira (20), mesmo dia que o Copam liberou a licença para a volta da mineração da Serra da Piedade, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Card. Sérgio da Rocha, entregou ao Papa Francisco o colete utilizado pelos voluntários em Brumadinho.

"Que este testemunho de atenção do próprio Papa em relação a Brumadinho motive toda a Igreja no Brasil a ter a mesma solidariedade, a querer sempre mais estar unida aos irmãos e irmãs que ali estão".

Vatican Media

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Redação Dom Total

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