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14/03/2019 | domtotal.com

Roberto Khatlab discute as relações Brasil-Líbano em aula magna na Dom Helder e EMGE

O especialista destacou a diversidade cultural, religiosa e social do Líbano como elemento diferencial entre os países do Oriente Médio.

Roberto Khatlab é diretor do Centro de Estudos e Culturas da América Latina (Cecal) da Universidade Saint Esprit de Kaslik (Usek), no Líbano.
Roberto Khatlab é diretor do Centro de Estudos e Culturas da América Latina (Cecal) da Universidade Saint Esprit de Kaslik (Usek), no Líbano. (Divulgação/ANBA)

O escritor e professor Roberto Khatlab, brasileiro naturalizado libanês, é autoridade quando se trata das relações entre os dois países. Em Belo Horizonte para aula magna na Dom Helder Escola de Direito sobre intercâmbio acadêmico, o especialista destacou a diversidade cultural, religiosa e social do Líbano como elemento diferencial entre os países do Oriente Médio.

Diretor do Centro de Estudos e Culturas da América Latina (Cecal) da Universidade Saint Esprit de Kaslik (Usek), no Líbano, Roberto apresentou aos estudantes aspectos da história, da cultura e da vida universitária do país. Falou especificamente sobre a Usek, que é formada por 12 faculdades e institutos. “Nela foi criado o Cecal, único no Oriente Médio, cujo objetivo principal é ser uma porta de intercâmbios de professores e estudantes”, explicou Khatlab.

De acordo com o professor, a Usek já possui parceria com quatro universidades brasileiras. Durante a aula magna, foi assinado convênio com a Dom Helder e a EMGE. “O convênio vai fortalecer o intercâmbio entre as instituições, essa forma de conhecimento mútuo é importante. Realizamos a mobilidade de estudantes, congressos e outras atividades, em ambas regiões”, apontou.

A aula magna foi promovida pelo Centro de Simulação e Intercâmbio (CSI) e contou com o apoio da Associação Cultural Líbano-Brasileira de Minas Gerais (ACLB-MG).

Conexão Brasil-Líbano

Kathlab é autor de As Viagens de Dom Pedro II, em que afirma que o imperador brasileiro “pode ser considerado o pioneiro das relações do Brasil com o mundo árabe”, já que realizou duas viagens, em 1871 e 1876, ao Levante, como era chamada a região sob domínio francês e inglês até o início do século 20. Dom Pedro II, que falava e escrevia em árabe, divulgou o Brasil na região, o que colaborou com o incremento da imigração de libaneses para a América do Sul.

O Brasil, como ele aponta, recebeu diversas gerações de imigrantes libaneses, constituindo a maior comunidade desta origem e descendentes no mundo. “No início do século 20, o número aumentou, crescendo ainda mais entre as duas guerras mundiais”, afirma, acrescentando que, nos anos 1970 e 1980, houve ‘grandes vagas’ por causa dos conflitos, razões econômicas, perseguições entre outras.

Para o especialista, os libaneses vieram ao Brasil para ficar um período, trabalhar e ganhar dinheiro com o propósito de retornar a seu país. “Com espírito comerciante e com facilidade de aprender idiomas, adaptaram-se facilmente e foram cativados pelo país e pelo povo, formaram famílias e constituíram essa grande comunidade de brasileiros descendentes de origem libanesa”, explica. A relação, segundo o professor, ocorre também no sentido inverso e, atualmente, o número de brasileiros vivendo no Líbano é de cerca de 17 mil pessoas.

Khatlab afirma que o Líbano é um grande exemplo de sociedade em que a coexistência das diferenças foi constituída ao longo da história. “Foi a terra que recebeu todos os povos vizinhos, com suas diversidades culturais, religiosas, o que faz do Líbano um mosaico”. Hoje, o país de 4 milhões de habitantes tem 18 comunidades religiosas oficiais, sendo as maiores a de muçulmanos xiitas, sunitas e cristãos maronitas.

O Líbano tem uma história de instabilidade e a situação da economia é bastante delicada, pois a guerra na Síria, país vizinho, fez com que o Líbano abrigasse cerca de 2 milhões de refugiados. No entanto, Kathlab se diz otimista com relação ao novo governo, formado no fim de janeiro, após oito meses de negociações. Liderado pelo primeiro-ministro Saad Hariri, o novo governo busca estabelecer reformas para estabilizar a economia e atrair investimentos ‘para desenvolver o país em todos os setores’. “O governo é formado pela sua diversidade e o propósito é trabalharem unidos”, diz Khatlab, referindo-se à participação de diferentes grupos políticos e religiosos no gabinete, incluindo um líbano-brasileiro na pasta de comércio exterior.

Roberto Khatlab nasceu em Maringá, no Paraná. Naturalizado libanês, estudou teologia, história das religiões orientais e história da emigração/imigração. É autor do livro As viagens de D. Pedro II. Oriente Médio e África do Norte, 1871 e 1876 e outros 25 títulos, publicados em português, francês, inglês, árabe e espanhol. Reside em Beirute, onde escreve regularmente sobre a emigração na página Os Libaneses no Mundo do jornal libanês L’Orient-Le Jour.


Pablo Pires/Patrícia Azevedo/Redação Dom Total

EMGE

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