Economia

19/03/2019 | domtotal.com

Acordo do Brexit de Theresa May enfrenta novos obstáculos

'O governo não pode legitimamente reenviar para a Câmara a mesma proposta ou substancialmente a mesma proposta que na semana passada foi rejeitada por 149 votos'.

A chefe do governo iria reenviar nesta semana o mesmo texto para os deputados - que já derrubaram duas vezes, em meados de janeiro e na última terça.
A chefe do governo iria reenviar nesta semana o mesmo texto para os deputados - que já derrubaram duas vezes, em meados de janeiro e na última terça. (AFP/Arquivos)

Theresa May não pode submeter a uma votação no Parlamento "o mesmo" acordo do Brexit rejeitado em duas ocasiões, decidiu nessa segunda-feira o presidente dos Comuns, frustrando os planos da primeira-ministra - a 11 dias da fatídica data da partida decisiva da União Europeia (UE).

De acordo com uma longa tradição parlamentar, "o governo não pode legitimamente reenviar para a Câmara a mesma proposta ou substancialmente a mesma proposta que na semana passada foi rejeitada por 149 votos", disse o presidente John Bercow diante da perspectiva de "uma terceira ou até quarta" votação do texto.

Assim, para os deputados votarem novamente sobre a questão, May deve apresentar algo "substancialmente" diferente, ressaltou.

A decisão do presidente da Câmara dos Comuns cria um novo obstáculo no tortuoso caminho para o Brexit. "Estamos atravessando uma grande crise constitucional", avaliou Robert Buckland, deputado conservador e conselheiro jurídico do governo.

Contudo, faltam poucos dias para 29 de março, dia em que a Grã-Bretanha deve deixar a UE. A chefe do governo iria reenviar nesta semana o mesmo texto para os deputados - que já derrubaram duas vezes, em meados de janeiro e na última terça.

Segundo uma fonte do governo consultada pela AFP, "parece evidente que o presidente (dos Comuns) quis descartar a possibilidade de uma votação nesta semana".

"O problema é que o governo não tem nenhuma margem para modificar os termos do acordo", que Bruxelas já descartou renegociar, destacou Danielle Haralambous, analistas da The Economist Intelligence Unit.

Nessa segunda-feira, ameaçando um adiamento "longo" que poderia ser fatal para o processo, ela ainda lutava para conseguir o apoio dos deputados eurocéticos, quando a decisão de Bercow chegou, o que deu uma nova reviravolta teatral a um drama político que parece não ter fim.

Em uma atmosfera de total improviso, May procurou organizar uma nova votação na quarta-feira no mais tardar para trazer seu resultado à cúpula europeia que acontece na quinta e na sexta-feira em Bruxelas.

Os líderes europeus, abertamente frustrados pelo confuso bloqueio atribuído à política interna britânica, já avisaram não estarem dispostos a reabrir a negociação de um acordo considerado "o melhor possível, o único possível.


AFP

EMGE

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