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28/03/2019 | domtotal.com

O Brasil é um navio norueguês

Bolsonaro segue sendo um deputado ocioso do baixo clero e não um presidente da República como comprovam essas e outras estultices que vem cometendo

Obviamente Bolsonaro é muito menor que  a cadeira que ocupa mas ali foi colocado por milhões de votos.
Obviamente Bolsonaro é muito menor que a cadeira que ocupa mas ali foi colocado por milhões de votos. (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Por Ricardo Soares*

"Viking Sky" é o nome do navio norueguês que recentemente ficou a deriva no mar com quase 1.400 pessoas a bordo. Não há metáfora mais propícia para a situação do Brasil no atual (tormento) momento.

A previsível provocação do nosso "presidente" clown, com minúsculas mesmo, em "comemorar" o 31 de março de 1964 é mais uma das suas inúmeras traquinagens e provocações. Mas vai além disso. É desrespeito com a memória daqueles que morreram, se feriram e se exilaram sob a chibata de um regime assassino que o agora presidente comemora.

Educação, civilidade, cidadania, memória histórica não são questões ideológicas e, sim, alicerces de qualquer nação "de bem" – termo maroto usado pelos bozonazis em benefício próprio. Mas, como eles desconhecem qualquer coisa que chegue próximo a essas questões, seguem tripudiando, envenenando e se comportando como chefes da torcida do ódio e do fel. Seguem , infelizmente, como timoneiros desse enorme navio norueguês à deriva em direção a rochas pontiagudas. Resistiremos a mais três anos e tanto em um rumo tão perigoso?

Bolsonaro e seus celerados "meninos"  não parecem felizes em criar problemas e factóides apenas no Brasil. Tomaram gosto por causarem constrangimentos por onde passam, como fez o pai do clã em recente visita ao Chile, quando minimizou a ditadura do general Augusto Pinochet, ao dizer que “tem muita gente que gosta, outros que não gostam”. Pena que Sebastián Piñera, o presidente chileno, tenha se apequenado e só respondeu em tom crítico  a desfaçatez bolsonariana depois do presidente brasileiro ter ido embora. No fundo os dois se merecem. Não nos esqueçamos também que dias antes, no Paraguai, ao lado do presidente, Mario Abdo Benítez, Bolsonaro elogiou o “nosso general Alfredo Stroessner”, (nosso quem cara pálida?) que teria sido “homem de visão, um estadista”.

Bolsonaro segue sendo um deputado ocioso do baixo clero e não um presidente da República como comprovam essas e outras estultices que vem cometendo desde que tomou posse e literalmente nada fez. Não tem pulso , não tem liderança, não tem oratória e nem carisma para capitanear (uai, não é capitão?) sequer a viga-mestra de suas prioridades, a reforma da Previdência. Até a mídia conservadora que ajudou a elegê-lo como uma alternativa anti-PT já lhe dá as costas. Ignoro qual será sua sustentação nos próximos meses diante de tamanha inapetência para o cargo que ocupa. Obviamente Bolsonaro é muito menor que  a cadeira que ocupa. Mas ali foi colocado por milhões de votos. Esse é o dilema, esse o problema. No leme do navio que desgoverna ele nos afunda, nos envergonha, nos irrita, nos tira a saúde e esperança todos os dias . O céu está carregado, cheio de raios do ódio que esse sujeito propaga. As rochas pontiagudas seguem de olho na gente e nos resta a pergunta : quem nos salva do naufrágio? Bolsonaro não nos levará a nenhum porto seguro. Aliás não nos levará a porto algum. Rogo aos céus todos os dias que surjam depressa rebocadores para nos salvarem do desastre.

*Ricardo Soares é escritor, diretor de tv, roteirista e jornalista.Publicou 8 livros, dirigiu 12 documentários

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