Saúde

08/04/2019 | domtotal.com

Pancs ganham espaço na mesa do brasileiro

Plantas Alimentícias Não Convencionais têm alto valor nutricional, são benéficas para o meio ambiente e crescem espontaneamente, mas enfrentam dificuldade para serem identificadas.

Jambu é um exemplo de planta comestível.
Jambu é um exemplo de planta comestível. (Fapesp)

Por Patrícia Almada
Repórter DomTotal

Plantas encontradas em ambientes urbanos, rurais, quintais, terrenos baldios e canteiros, porém, de pouco conhecimento sobre a maneira de consumi-las ou identificá-las para o uso. São as chamadas Plantas Alimentícias não Convencionais ou, simplesmente, Pancs. Ganhando espaço na culinária, essas hortaliças, frutas e leguminosas exóticas se destacam pelo alto valor nutricional. Além disso, por serem naturais de determinados biomas, proliferam com abundância, o que tornam seu custo baixíssimo ou nulo. 

Azedinha, almeirão de árvore, peixinho, cará-do-ar, taioba, bertalha, anredera, capuchinha, fisalis, jambu e serralha são alguns exemplos de Pancs. 

O termo “alimentícias” se refere a plantas usadas na alimentação e o “não convencionais” significa que não podem ser comercializadas ou produzidas em larga escala. Em geral, tendem a ser livres de agrotóxicos, requerendo melhor aproveitamento dos nutrientes do solo. As Pancs em forma de culturas permanentes mantêm o ciclo da água, diminuem a compactação e aumentam a vida no solo.

Há pouco conhecimento sobre as floras alimentícias e o que elas podem oferecer. Por isso, o potencial permanece subutilizado e desconhecido. Muitas dessas plantas são consideradas como “daninhas” ou “mato”, pelo simples desconhecimento de seu potencial alimentício e nutricional. 

Para a nutricionista Fernada Gandra, a falta de informação da população ainda é um problema. “As pessoas têm dificuldade em distinguir o mato de uma planta comestível, por exemplo. A disseminação delas, na verdade, tem ganhado valor porque eram plantas que só algumas pessoas conheciam, como nossos avós ou quem lida com a terra e sabe o que ela pode oferecer. Com o passar do tempo, as Pancs foram caindo no desconhecimento, pois a sabedoria popular não era repassada de forma adequada e eficiente”, explica.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês), envolvida com a questão da alimentação mundial, estima que 75% das variedades não convencionais de plantas alimentícias já foram perdidas.

As Pancs têm muitos benefícios e podem ser usadas em estado silvestre ou cultivadas. São ricas em proteínas, fonte de ferro, vitaminas, têm sabor e aroma diferenciados, abrindo um imenso leque de possibilidades culinárias. 

Cará-do-ar
Valor nutricional

O consumo de Pancs tem ainda a vantagem de oferecer variedade de nutrientes, garantindo que o corpo se mantenha saudável, além de servir, em muitos casos, como suplemento alimentar natural. Muitas dessas plantas apresentam grande quantidade de vitaminas essenciais, antioxidantes, fibras, sais minerais, que muitas vezes não encontramos em outros alimentos.

Algumas espécies de Pancs apresentam alto teor de proteína, com a diferença de ser bem absorvida pelo organismo. É o caso do carururu e do ora-pro-nóbis, que podem ser consumidos refogados ou desidratados.

A nutricionista afirma que o ora-pro-nóbis é a perfeita tradução da importância de inserir as Pancs na alimentação, tanto que recebeu o apelido de "carne dos pobres". "Essas plantas geralmente não são aproveitadas pelas pessoas e estão disponíveis para uso. Portanto, se pensarmos em uma população que sofre com algum tipo de deficiência de nutrientes ou carência, o consumo dessas plantas pode minimizar a situação, já que as Pancs crescem em qualquer lugar”, afirma.

Ora-pró-nóbis

Cuidados

Fernanda reforça que é preciso ter cuidado na hora de identificar as Pancs, já que muitas delas são semelhantes a espécies impróprias para consumo e podem ser tóxicas. Em caso de dúvida, a nutricionista indica comprar em lugares que comercializam esses produtos.

“Por enquanto, é possível encontrar essas plantas em feirinhas. Mas é algo ainda pequeno, porque não temos esse consumo em larga escala. Encontramos com mais facilidade um ou outro, como o ora-pro-nóbis. Na verdade, temos 350 espécies de Pancs catalogadas, mas acredita-se que esse número seja ainda maior. A partir da disseminação dessas informações, a produção vai crescer”, acredita.

Conheça algumas Pancs e como prepará-las!


Confira algumas perguntas e respostas da cartilha Guia Prático de Pancs, do Instituto Kairós:



Redação Dom Total

EMGE

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