Religião

02/04/2019 | domtotal.com

Papa tem audiência privada com ativistas pelos direitos LGBT

Portas para ativistas pelos direitos LGBT são abertas em audiência com papa. Pauta levantará questões sobre criminalização das relações homossexuais em alguns países.

O tema da homossexualidade inflama críticos do papa, o que o torna assunto delicado quando tratado no Vaticano.
O tema da homossexualidade inflama críticos do papa, o que o torna assunto delicado quando tratado no Vaticano. (Reprodução)

Por Carlo Tecce*

Enquanto em Verona, de 29 a 30,  aconteceu o congresso dos fanáticos da intolerância, contra o aborto, dos casais homoafetivos e do amor livre. No Vaticano, na próxima sexta-feira de manhã, o Papa Francisco receberá em audiência dezenas de membros da comunidade mundial LGBT que lutam para derrotar a discriminação sexual. Viajando para o Marrocos no final de semana, Jorge Mario Bergoglio quase ignorou a pergunta sobre o encontro de Verona, entre fetos de plástico, condenações eternas aos homossexuais e supostos paladinos da família tradicional: “Não vou ligar para isso. Li a declaração do Secretário de Estado e parece-me equilibrada".

O cardeal Pietro Parolin, citado por Francisco, a respeito Verona tomou as devidas distâncias com prudência: "Compartilho a substância, não a forma". Ao pontífice argentino, na sexta-feira, de maneira confidencial, será apresentada uma pesquisa sobre a criminalização das relações homossexuais conduzida em Países caribenhos sob a égide da Organização Interamericana de Direitos Humanos, da qual faz parte o juiz Raul Eugenio Zaffaroni, conhecido compatriota e amigo próximo de Jorge Mario Bergoglio.

O professor Zaffaroni, considerado um intelectual de esquerda, também é advogado criminal e professor emérito da Universidade de Buenos Aires, é a favor do aborto e do casamento homoafetivo e sempre esteve envolvido em associações e projetos de combate ao racismo. Foi membro da Suprema Corte de Justiça por doze anos nomeado pelo presidente Nestor Kirchner, enquanto o então cardeal Bergoglio era arcebispo de Buenos Aires e presidente da Conferência Episcopal da Argentina. Hoje é um oponente do governo de Mauricio Macri.

No convite oficial para o evento no Vaticano, como ressaltou o escritor francês Frédéric Martel, o autor de Sodoma, que foi o primeiro a falar do encontro, o professor Zaffaroni anunciou um "discurso histórico" do Papa Francisco, de abertura e solidariedade para com os homossexuais.

O tema é muito delicado pelos conflitos que gera no Vaticano, especialmente porque inflama o grande grupo de críticos de Bergoglio. Tanto é assim que o Pontífice tem posições que podem parecer contraditórias. Certa vez disse : "Se uma pessoa é homossexual e busca o Senhor e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?" Outra vez, de forma mais articulada: "O que eu diria a um pai se ele me perguntasse o que fazer com o filho ou a filha que afirma ser homossexual? Primeiro, para rezar, depois para não condenar, dialogar e abrir espaço para que o filho e a filha se expressem. Sempre existiram homossexuais e os sociólogos dizem que esses fenômenos crescem em tempos de mudança social. Além disso, trata-se de entender em que idade o filho ou filha se declaram, se forem crianças, talvez haja um problema a ser enfrentado em nível psicológico, mas até mesmo isso deve ser visto. Em todo caso, nunca direi que o silêncio é uma solução: você é meu filho, assim como você é".

Aos leigos pode parecer pouco, mas para o clero mais conservador - do cardeal Robert Sarah para baixo - Francisco é um herege.


Il Fatto Quotidiano/ IHU - Tradução: Luisa Rabolini.

*Carlo Tecce é jornalista do site Il Fatto Quotidiano e escreve sobre política, assuntos atuais e comunicação.

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