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02/04/2019 | domtotal.com

Bolsonaro reconhece soberania israelense em Jerusalém ao visitar Muro das Lamentações com Netanyahu

Presidente brasileiro rompeu uma prática diplomática que nem Trump havia feito. Gesto agrava crise com países muçulmanos.

O local fica em Jerusalém Oriental, ocupada por Israel na Guerra dos Seis Dias, numa decisão que não foi reconhecida pela comunidade internacional.
O local fica em Jerusalém Oriental, ocupada por Israel na Guerra dos Seis Dias, numa decisão que não foi reconhecida pela comunidade internacional. (Alan Santos/PR)

A visita do presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ) ao Muro das Lamentações com Benjamin Netanyahu nessa segunda-feira tornou-se um incidente diplomático. Bolsonaro tornou-se o primeiro chefe de Estado a realizar tal visita ao lado de um primeiro-ministro israelense. O ato é visto como um endosso a Israel em Jerusalém, cidade considerada sagrada por judeus, cristãos e muçulmanos. 

A visita acontece Bolsonaro em meio a uma viagem de três dias a Israel que o presidente brasileiro iniciou no domingo.

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Um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores de Israel disse que esta é a primeira vez que um chefe de Estado que está no poder visita o país tendo um primeiro-ministro israelense como anfitrião.

O presidente americano Donald Trump visitou o Muro em maio de 2017, mas ele foi acompanhado pelo Rabino do Muro, Shmuel Rabinovitz, e não por um líder israelense.

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, abriu o caminho para Bolsonaro, quando, em 21 de março, tornou-se o mais importante funcionário dos Estados Unidos a visitar o Muro com um primeiro-ministro israelense.

Durante décadas, os líderes estrangeiros se abstiveram de aparecer ao lado de um líder israelense em frente ao Muro das Lamentações, para evitar que parecessem se posicionar em questões altamente sensíveis de soberania.

Rompendo assim com a prática diplomática, Bolsonaro e Netanyahu se aproximaram do Muro sagrado em meio uma chuva fina.

De quipá na cabeça, Bolsonaro colocou as duas mãos nas pedras do muro e, com Netanyahu fazendo o mesmo do seu lado esquerdo, recolheu-se por vários segundos com a cabeça inclinada.

Bolsonaro cumpriu com a tradição de inserir nos espaços do Muro um pedaço de papel destinado à realização de um pedido.

Bolsonaro expressou seu forte apoio a Israel e mencionou uma grande vontade de cumprir uma peregrinação cristã ao rio Jordão, como empreendeu há alguns anos.

Ele também prometeu seguir os passos do presidente dos EUA, Donald Trump, e transferir a embaixada de Israel do Brasil para Jerusalém, embora isso esteja em suspenso por ora.

Falando à imprensa, Bolsonaro comentou o impasse entre a promessa e sua concretização.

"Tem o compromisso, mas meu mandato vai até 2022, ok? Está explicado? E a gente tem que fazer as coisas com calma. (...) Se eu fosse abrir negociações com Israel, botaria a nossa embaixada onde? Seria em Jerusalém. Agora, a gente não quer ofender ninguém", afirmou.

O local, um dos mais sagrados do judaísmo, fica em Jerusalém Oriental, ocupada por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967, em uma decisão que não foi reconhecida pela comunidade internacional.

O estatuto de Jerusalém é uma das questões mais difíceis do conflito israelense-palestino.

Bolsonaro também visitou o Santo Sepulcro, o lugar mais sagrado do cristianismo, a poucas centenas de metros do Muro, sem ser acompanhado por autoridades israelenses.

'Vou contar um segredo'

Transferir a embaixada agradaria a base de apoio cristã evangélica de Bolsonaro, mas também arriscaria a provocar retaliações comerciais por parte de estados árabes, alguns dos quais são grandes importadores de carne halal brasileira.

Em função disso, Bolsonaro apenas anunciou no domingo que seu governo vai abrir um escritório de representação comercial, tecnologia e de inovação em Jerusalém.

"Vou contar um segredo: espero que este seja o primeiro passo para a abertura, quando chegar a hora, de uma embaixada brasileira em Jerusalém", declarou Netanyahu durante coletiva conjunta com Bolsonaro no domingo.

Netanyahu também se tornou o primeiro primeiro-ministro israelense a visitar o Brasil quando viajou para a posse de Bolsonaro em janeiro.

Em suas discussões, os dois líderes de direitista expressaram sua "irmandade" que, segundo eles, impulsionará a cooperação militar, econômica, tecnológica e agrícola entre seus países.

O anúncio do novo escritório brasileiro em Israel, no entanto, levou a Autoridade Palestina a chamar seu embaixador no Brasil para consultas.

"Esta decisão constitui uma violação dos fundamentos do direito internacional em Jerusalém Oriental", afirmou Ammar Hijazi, vice-ministro das Relações Exteriores da Palestina.

Os palestinos congelaram os laços com a Casa Branca depois que Trump anunciou a mudança e declarou a capital de Jerusalém em dezembro de 2017.

Sob a presidência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil reconheceu a Palestina como um estado em 2010.

Já em 1975, durante a ditadura militar, reconheceu a Organização de Libertação da Palestina (OLP) como movimento de libertação nacional, conforme recorda o portal do Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

Em 1993, o governo brasileiro também autorizou a abertura de uma Delegação Especial Palestina em Brasília e, em 1998, equiparou seu status ao de uma embaixada.


AFP / DomTotal

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