Religião

02/04/2019 | domtotal.com

O que a Igreja quer e pensa dos jovens?

Segundo secretário do sínodo da juventude, documento divulgado nesta terça-feira (2) é 'carta magna' para o trabalho pastoral com a juventude e vocações.

Sínodo da juventude contou com participação ativa dos jovens por meio de questionário e resultou em exortação apostólica.
Sínodo da juventude contou com participação ativa dos jovens por meio de questionário e resultou em exortação apostólica. (Reprodução/ Ecclesia)

O Vaticano apresentou nesta terça-feira (2) a nova exortação apostólica do Papa, ‘Cristo Vive’, dedicada aos jovens, na qual se desafiam as novas gerações a uma entrega “aos outros” e à descoberta da sua vocação.

O documento dá sequência à assembleia do Sínodo dos Bispos que decorreu em outubro de 2018, sobre a relação entre os jovens e a Igreja Católica, antecedido por um inquérito global que envolveu milhares de pessoas, crentes e não-crentes.

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O cardeal Lorenzo Baldisseri, responsável pela Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos, disse que o novo documento do Papa dedicado aos jovens mostra a vontade de superar barreiras na relação com as novas gerações.

“O Papa quer ir para lá dos muros, de qualquer muro”, assinalou o responsável da Santa Sé, na apresentação à imprensa da exortação apostólica pós-sinodal ‘Cristo Vive’.

O texto,  dividido em nove capítulos e 299 pontos foi assinado em 25 de março, no santuário mariano do Loreto (Itália). Ele surge na sequência do Sínodo dos Bispos dedicado às novas gerações, que decorreu em outubro de 2018, desejando que a Igreja ouça os jovens e os ajude a encontrar o seu caminho de vida.

Para o cardeal Baldisseri, o novo documento é uma “carta magna” para a pastoral juvenil e vocacional nas várias comunidades católicas, face a “uma profunda transformação da condição juvenil”.

O documento

O Papa realça que os jovens reclamam uma Igreja que “escute mais” e que não passe a vida a “condenar o mundo”, capaz, entre outros temas, de dar “atenção às legítimas reivindicações das mulheres que pedem mais justiça e igualdade”.

“Peçamos ao Senhor que liberte a Igreja daqueles que a querem envelhecer”, acrescenta.

O pontífice fala mesmo aos jovens em tom de confissão, sobre a sua própria vida: “Quando iniciei o meu ministério como Papa, o Senhor ampliou-me os horizontes e ofereceu-me uma juventude renovada”.

Francisco dedica a sua atenção ao discernimento vocacional, defendendo que a Igreja deve ajudar a descobrir “aquilo que Jesus quer de cada jovem”.

“Quando alguém descobre que Deus o chama a alguma coisa, que foi feito para isso – quer para a enfermagem, quer para a carpintaria, a comunicação, a engenharia, a docência, a arte ou para qualquer outro trabalho – será capaz de fazer brotar as suas melhores capacidades de sacrifício, de generosidade e de entrega”, refere.

Em causa, indica o pontífice, não está a preocupação em “ganhar mais dinheiro”, fama ou prestígio social, mas um sentido para a vida, que pode incluir “a possibilidade da consagração a Deus no sacerdócio, na vida religiosa ou noutras formas”.

A vocação laical é, sobretudo, a caridade na família, a caridade social e a caridade política: é um compromisso concreto a partir da fé para a construção de uma sociedade nova, é viver no meio do mundo e da sociedade para evangelizar as suas diversas instâncias, para fazer crescer a paz, a convivência, a justiça, os direitos humanos, a misericórdia e, assim, estender o Reino de Deus no mundo”.

A exortação elenca um conjunto de personagens bíblicas que assumiram protagonismo, na sua juventude, e 12 jovens santos e beatos, para mostrar que mais novos são “o presente”, num mundo em que a sua realidade é cada vez mais plural.

“Não sejamos uma Igreja que não chora frente a estes dramas dos seus jovens filhos”, pede Francisco.

O texto observa que o “ser para os outros”, na vida de cada jovem, está normalmente relacionado com duas questões básicas, a família e o trabalho, que exigem a atenção das comunidades católicas no acompanhamento das novas gerações.

“Os jovens sentem fortemente o apelo do amor e sonham encontrar a pessoa adequada com quem formar uma família e construir uma vida juntos, pode ler-se.

“Procuras intensidade? Não a viverás acumulando objetos, gastando dinheiro, correndo, desesperado, atrás de coisas deste mundo. Chegar-te-á de uma forma muito mais bela e satisfatória se te deixares impulsionar pelo Espírito Santo”


O Papa questiona a “cultura do provisório” e espera que os jovens vivam o “amor a sério”, rejeitando o individualismo.

Sobre a questão do trabalho, Francisco considera que o desemprego juvenil é uma questão “muito delicada”, que a política deve considerar como “tema de primeira ordem”.

O pontífice aponta o dedo ao que denomina como “colonização ideológica” relativa à sexualidade, ao matrimônio, à vida ou à justiça social, em vários países.

“Num mundo que valoriza excessivamente a sexualidade, é difícil manter uma boa relação com o próprio corpo e viver serenamente as relações afetivas”, observa.

Retomando o que foi dito no Sínodo 2018, Francisco admite que a moral sexual pode ser, muitas vezes, “causa de incompreensão e de afastamento da Igreja, visto que é percebida como um espaço de julgamento e de condenação” pelos mais novos.

Ao mesmo tempo, prossegue, os jovens manifestam “um desejo explícito de se confrontarem sobre as questões relativas à diferença entre identidade masculina e feminina, à reciprocidade entre homens e mulheres e à homossexualidade”.

A exortação convida a superar “tabus” sobre o sexo e a sexualidade, que são apresentados como “um dom de Deus”, com o propósito de “amar-se e gerar vida”.

“A Igreja precisa do vosso entusiasmo, das vossas intuições, da vossa fé. Fazeis-nos falta! E quando chegardes onde nós ainda não chegámos, tende paciência para esperar por nós”, conclui o Papa.


Ecclesia/ Dom Total

EMGE

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