Meio Ambiente

07/04/2019 | domtotal.com

Liberação de agrotóxicos pelo governo Bolsonaro deixa Brasil na trilha do veneno

Levantamento feito pelo Greenpeace revela que na última década nunca tantos agrotóxicos foram liberados como no primeiro trimestre deste ano.

Dos produtos autorizados pelo governo federal, cerca de 41% são classificados como altamente ou extremamente tóxicos.
Dos produtos autorizados pelo governo federal, cerca de 41% são classificados como altamente ou extremamente tóxicos. (Pascal Rossignol/Reuters)

Em menos de 100 dias do novo governo, a liberação de agrotóxicos já tem espaço garantido e inédito no Executivo brasileiro. Até o momento, 121 novos produtos foram aprovados e 241 novos pedidos de registro acatados. Apesar de se apoiar em um discurso de que o setor busca modernidade e priorização da segurança, os fatos mostram o contrário: cerca de 41% dos novos produtos são classificados como altamente ou extremamente tóxicos.

Em apenas 3 meses, o governo Bolsonaro libera mais agrotóxicos do que qualquer outro na última década, como mostra a comparação abaixo apurada pelo Greenpeace:

Apesar de pouca novidade no cardápio dos novos produtos, ele é vasto, bem como os impactos que pode causar. Há novos produtos contendo glifosato, que segue como o veneno mais utilizado no país e que tem sido ligado à casos de câncer na Corte Americana. O glifosinato de amônio também é um dos ingredientes presentes em alguns dos novos produtos e e em alguns países é considerado como tóxico para reprodução humana.

Atrazina e acefato, que são banidos na Europa, também estão entre as autorizações – o primeiro foi associado a impactos no sistema reprodutivo em população de sapos, e o segundo foi associado à impactos na fertilidade masculina. Ingredientes que podem ameaçar as abelhas, como o Sulfoxaflor, Fipronil e neonicotinóides, também fazem parte do pacote.

Nomear como Ministra da Agricultura Tereza Cristina, antiga presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, membro da Bancada Ruralista e conhecida como “musa do veneno” por ter liderado a aprovação do chamado Pacote do Veneno (PL 6.299/2002) na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, mostra que o novo governo fez sua escolha: envenenar mais ainda o Brasil e nos deixar cada vez mais distantes de uma agricultura mais saudável e sustentável para as pessoas e para o país, como provam os números.

Ao invés de intoxicar ainda mais a população brasileira, o governo deveria ouvi-la. Em 2018, a sociedade se mobilizou contra o Pacote do Veneno. Com a impopularidade do projeto, a hoje ministra da agricultura, tem encontrado outros caminhos, via Poder Executivo, para enfiar goela abaixo o PL, repartindo-o em “pílulas”.

Atualmente, são mais de 1,5 milhão de pessoas dizendo não ao PL e apoiando a Política Nacional de Redução dos Agrotóxicos (PNaRA, PL 6.670/2016). A PNaRA, que também tramita na casa, pode ser entendida como um primeiro passo de uma transição para uma agricultura mais saudável, diminuindo a quantidade de veneno no campo de forma gradual e responsável, promovendo uma agricultura mais justa pra quem planta e para quem consome e democratizando o acesso à alimentação saudável.


Greenpeace, 02-04-2019.

EMGE

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